Tema mais buscado da semana: Medicamentos para perda ponderal

Ryan Syrek

Notificação

2 de dezembro de 2022

A cada semana nós identificamos um termo mais buscado, procuramos descobrir o que causou a sua popularidade e fazemos um infográfico sobre uma doença ou quadro clínico relacionado.

O entusiasmo sobre a perda ponderal "sem precedentes" associada à tirzepatida, as notícias sobre outros medicamentos injetáveis e as recomendações atualizadas sobre o tratamento da obesidade tornaram este o tema clínico mais buscado da semana.

Em maio, a tirzepatida foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para controle glicêmico em pacientes com diabetes mellitus tipo 2. Em outubro, a FDA concedeu a classificação de agilidade processual para seu uso como medicamento para tratar a obesidade. Agora, os achados apresentados na ObesityWeek sugerem que o agonista duplo dos receptores do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP, sigla do inglês glucose-dependent insulinotropic polypeptide) e do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1, sigla do inglês glucagon-like peptide-1) é notável e sistematicamente eficaz (ver Infográfico).

O ensaio clínico SURMOUNT-1 comparou a eficácia e a segurança da tirzepatida junto com uma dieta hipocalórica e o aumento da atividade física. O estudo foi feito com 2.539 adultos sem diabetes tipo 2 com obesidade ou sobrepeso e pelo menos uma complicação relacionada com a obesidade. Os quatro subgrupos de índice de massa corporal apresentaram resultados semelhantes:

  • ≥ 27 a < 30 kg/m2 (sobrepeso): peso inicial médio, 81 kg; redução média de peso de 13,1 a 13,6 kg

  • ≥ 30 a < 35 kg/m2 (obesidade classe 1): peso inicial médio, 90 kg; redução média de peso de 15 a 20 kg

  • 35 a < 40 kg/m2 (obesidade classe 2): peso inicial médio, 103 kg; redução média de 15 a 25 kg

  • <

  • ≥ 40 kg/m2 (obesidade classe 3): peso inicial médio, 127 kg; redução média de peso de 20 a 30 kg

Os pacientes com índice de massa corporal inicial de ≥ 35 a 40 kg/m2  que receberam a dose de tirzepatida de 15 mg por semana tiveram a maior perda ponderal (24,5%), aproximadamente a mesma perda associada à cirurgia bariátrica (25%). Em geral, 73% a 90% dos pacientes que receberam as doses de 5 mg a 15 mg tiveram ≥ 10% de redução do peso.

Nas Sessões Científicas de 2022 da American Heart Association (AHA), outra apresentação sobre o ensaio clínico SURMOUNT-1 informou que o tratamento com tirzepatida levou a diminuições importantes da pressão arterial ambulatorial em 24 horas. O subestudo conteve 600 dos 2.539 participantes recrutados no ensaio clínico SURMOUNT-1. Houve resultados completos disponíveis para 494 pacientes. O subestudo incluiu apenas os pacientes cuja pressão arterial ao início do estudo era abaixo de 140 ˣ 90 mmHg. O recrutamento no ensaio SURMOUNT-1 excluiu os candidatos com pressão arterial ≥ 160 ˣ 100 mmHg. A média da pressão arterial entre todos os participantes recrutados foi de cerca de 123 ˣ 80 mmHg, enquanto a média das frequências cardíacas foi de cerca de 73 batimentos por minuto (bpm). A pressão arterial sistólica ambulatorial caiu em média 5,6, 8,8 e 6,2 mmHg desde o início do estudo entre as pessoas que receberam tirzepatida em doses semanais de 5, 10 ou 15 mg, respectivamente, e aumentou em média 1,8 mmHg entre os controles. A pressão arterial diastólica caiu em média 1,5, 2,4 e 0,0 mmHg entre os que receberam tirzepatida nos três braços de tratamento ascendente; e aumentou em média 0,5 mmHg entre os controles. Especialistas expressaram otimismo de que esses achados se traduzam em benefícios clínicos tangíveis.

Também na ObesityWeek 2022, os apresentadores descreveram uma perda ponderal "impressionante" associada ao novo agonista duplo dos receptores do GLP-1 e do glucagon (BI 456906), embora em fase inicial de pesquisa. Os pacientes tinham entre 18 e 75 anos de idade, tinham diabetes tipo 2, índice de massa corporal de 25 a 50 kg/m2, hemoglobina glicada (A1c) de 7% a 10% e estavam fazendo tratamento regular com metformina. Na dose mais alta testada de BI 456906 (1,8 mg duas vezes por semana via injeção subcutânea), 57% dos pacientes perderam ≥ 5% do peso inicial e 35% perderam ≥ 10% do peso inicial em 16 semanas. Entre os pacientes que receberam uma dose de semaglutida de 1 mg como comparador, apenas 38% perderam ≥ 5% do peso inicial e apenas 16% perderam ≥ 10% do peso inicial. Os pacientes pesavam em média 97 kg. Após quatro meses, em média, os pacientes que receberam a dose mais alta testada de BI 456906 perderam 9% do peso inicial, ou cerca de 8,7 kg. Os pacientes que receberam semaglutida perderam 5,4% do peso inicial, ou cerca de 5,2 kg. Os pacientes que receberam placebo perderam apenas 1,2% do peso inicial.

Na Reunião Científica Anual de 2022 do American College of Gastroenterology (ACG), um novo estudo mostrou vários fatores que parecem influenciar o risco de pancreatite aguda entre os pacientes que começam a tomar agonistas do receptor do GLP-1 para perda ponderal. Dos 2.245 pacientes do estudo, 49 (2,2%) tiveram pancreatite aguda após iniciar um agonista do receptor do GLP-1. A história de diabetes tipo 2 tornou a pancreatite aguda duas vezes mais provável (intervalo de confiança [IC] de 95% de 1,04 a 3,96; P = 0,04). A doença renal crônica em estágio 3 ou mais aumentou o risco 2,3 vezes (IC 95% de 1,18 a 4,55; P = 0,01), enquanto o uso de tabaco aumentou 3,3 vezes (IC 95% de 1,70 a 6,50; P < 0,001). Por outro lado, os pesquisadores descobriram que os que tinham índice de massa corporal de 36 a 40 kg/m2 foram 88% menos propensos a apresentar pancreatite aguda (IC 95% de 0,07 a 0,67; P = 0,007) em comparação aos pacientes com índice de massa corporal de 30 kg/m2. Pacientes com índice de massa corporal > 40 kg/m2 tiveram 73% menos risco (IC 95% de 0,10 a 0,73; P = 0,01).

A American Gastroenterological Association (AGA) divulgou recentemente recomendações para medicamentos de perda ponderal entre pacientes com obesidade que não respondem adequadamente somente às intervenções de estilo de vida. Quatro medicamentos são sugeridos como opções de primeira linha: semaglutida, liraglutida, fentermina-topiramato de liberação prolongada e naltrexona-bupropiona de liberação prolongada. A fentermina e a dietilpropiona também foram recomendadas, embora com base em evidências de menor grau de certeza. As diretrizes sugerem evitar o uso de orlistate. As evidências foram insuficientes em relação ao hidrogel superabsorvente Gelesis100.

Em outras notícias de diretrizes, um novo relatório conjunto abrangente de consenso da European Association for the Study of Diabetes (EASD) e da American Diabetes Association (ADA) recomendou que a perda ponderal fosse um objetivo coprimário de conduta no diabetes do tipo 2 em adultos. A nova declaração "Management of hyperglycemia in Type 2 Diabetes" publicada simultaneamente nos periódicos Diabetologia e Diabetes Care incorpora dados de ensaios clínicos recentes sobre desfechos cardiovasculares e renais com inibidores do cotransportador de sódio-glicose do tipo 2 (SGLT2, sigla do inglês Sodium-Glucose Cotransporter-2) e agonistas do receptor do GLP-1 para ampliar as recomendações de proteção cardiorrenal. O documento também coloca maior ênfase nos determinantes sociais da saúde.

A impressionante perda ponderal associada a medicamentos recém-criados e aprovados continua a ser de interesse para os médicos que lidam com a epidemia generalizada de obesidade. À medida que novas informações sobre eficácia, fatores de risco e recomendações se tornarem disponíveis, é provável que a atenção permaneça focada nesses fármacos potencialmente revolucionários.

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