Exposição ao Wi-Fi do telefone celular causa problemas no esperma?

Randy Dotinga

Notificação

18 de novembro de 2022

Um pequeno estudo sugere – mas não prova – que a exposição a sinais Wi-Fi de telefones celulares nos bolsos das calças pode prejudicar a fertilidade masculina. Os pesquisadores constataram que o esperma colocado próximo a um iPhone em uso na configuração Wi-Fi por mais de seis horas tinha menos motilidade (50% versus 38%; P = 0,024) e viabilidade (60% vs. 47%; P = 0,003) do que aqueles definidos para 4G e 5G.

Os achados, apresentados na reunião de 2022 da American Society for Reproductive Medicine, não confirmam que os telefones celulares são prejudiciais, disse em entrevista o autor principal Dr. Kevin Y. Chu, médico urologista em Los Angeles, Estados Unidos. “Não podemos tirar conclusões desta pesquisa, pois a população do estudo era muito pequena. O que observamos foi que o Wi-Fi, que antes era menos estudado, pode ter um impacto no esperma. Não vimos efeito na qualidade do esperma pelo espectro sem fio 4G ou 5G.”

De acordo com o Dr. Kevin, dezenas de estudos examinaram o possível efeito da exposição ao telefone celular na qualidade do esperma. “Em pesquisas em humanos, não houve associação entre o uso [do celular] e o declínio da qualidade do esperma”, disse ele. “Em estudos de esperma humano in vitro, houve um declínio da motilidade e viabilidade dos espermatozoides. E em estudos com animais, houve declínio da motilidade e viabilidade dos espermatozoides.”

O novo estudo é um piloto “para verificar se é viável realizar um projeto em larga escala” para analisar os possíveis efeitos da radiação eletromagnética de radiofrequência (RF-EMR) transmitida por telefones celulares, disse ele.

De acordo com o estudo, os telefones celulares emitem radiação quando “transmitem dados para mídias sociais, navegação na web e streaming de música/podcast”, e o surgimento de fones de ouvido Bluetooth “provavelmente prolongou a quantidade de tempo que o celular permanece nos bolsos das calças dos homens. Isso coloca o telefone celular e sua respectiva RF-EMR perto dos testículos por períodos prolongados”.

Os pesquisadores obtiveram amostras de sêmen de 27 homens entre 25 e 35 anos de idade que eram férteis com esperma normal. Em seguida, eles colocaram as amostras em cima de um iPhone de geração atual que foi configurado para o modo de conversa via WhatsApp e sinais transmitidos/recebidos via Wi-Fi, 4G ou 5G.

Os pesquisadores não encontraram diferença na qualidade do esperma entre as amostras de controle e aquelas expostas a 4G ou 5G (n = 9), mas o Wi-Fi (n = 18) parecia ter um efeito. “Também testamos as condições com o telefone em uma capa, além de separá-lo por cerca de seis polegadas [das amostras de esperma]. Constatamos que ambas as condições atenuaram o efeito do que estávamos observando, em comparação com a exposição direta”, disse o Dr. Kevin. “Parece que o calor emanado do dispositivo contribui para esse efeito.”

O Dr. Kevin advertiu que o estudo examinou apenas o esperma ejaculado e “não reproduz a vida real onde há proteção da parede escrotal e material das calças”.

Por enquanto, disse o pesquisador, não há evidências suficientes para permitir que os médicos forneçam orientações aos pacientes sobre possíveis associações entre a exposição ao telefone celular e a fertilidade masculina. Nenhum dos autores do estudo mudou seu próprio uso de telefones celulares como resultado dos achados, acrescentou.

Seguindo em frente, disse ele, “é necessária uma pesquisa contínua sobre os efeitos da exposição e a associação atual deve ser considerada com cautela como geradora de hipóteses”.

Em uma entrevista, o médico urologista Dr. James Hotaling, da University of Utah nos EUA, que está familiarizado com os resultados do estudo, mas não participou da pesquisa, disse que os autores “fizeram um bom trabalho analisando essa questão”, mas com limitações reconhecidas.

O tamanho do estudo é muito pequeno, disse ele, “tornando difícil a generalização”. E “embora os resultados, principalmente na parte do Wi-Fi, sejam interessantes, eles devem ser validados”.

No quadro geral, disse o Dr. James, “o declínio na contagem de espermatozoides nos últimos 40 anos é multifatorial, então não pode ser atribuído a isso. Finalmente, para realmente afirmar que o Wi-Fi afetou a fertilidade, seria necessário um estudo muito maior e, idealmente, avaliar as taxas de gestação em casais que tentam conceber”.

No geral, ele disse, a comunidade científica “ainda está cética” sobre uma associação entre o uso de telefones celulares e um declínio na fertilidade masculina.

Os autores do estudo e o Dr. James Hotaling informaram não ter conflitos de interesses relevantes.

Este conteúdo foi originalmente publicado no MDedge.com – Medscape Professional Network.

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