Cirurgia bariátrica em jovens traz benefícios duradouros para a saúde

Marcus A. Banks

Notificação

30 de setembro de 2022

A cirurgia bariátrica em adolescentes ou adultos jovens com obesidade grave é associada à redução sustentada do peso corporal, bem como a importantes quedas nas taxas de diabetes, hipertensão e depressão, de acordo com uma nova pesquisa publicada no periódico Journal of the American College of Surgeons.

Aproximadamente 12% da população de negros não hispânicos, 9% dos hispânicos e 7% dos brancos de 12 a 19 anos [dos EUA] têm obesidade grave, comentaram os autores, citando dados de 2018 publicados no periódico Pediatrics. Esse artigo define obesidade grave como índice de massa corporal (IMC) ≥ 35 kg/m2 ou ≥ 120% do percentil 95 para a idade e sexo. Para essa população, dizem os autores, é improvável que a modificação do estilo de vida por si só leve a uma saúde melhor.

Dra. Sarah Messiah

“Dizer às pessoas: ‘É só comer direito e se exercitar mais’, obviamente não está funcionando”, disse a autora sênior Dra. Sarah Messiah, Ph.D., diretora do UTSPH Center for Pediatric Population Health, nos Estados Unidos. Esse conselho pressupõe que as pessoas saibam como preparar refeições saudáveis ou se exercitar regularmente, o que nem sempre é verdade, acrescentou.

‘Viver normalmente’

O estudo em andamento acompanha os desfechos de saúde de 96 pacientes (83% mulheres; 75% hispânicas) que realizaram a cirurgia bariátrica quando tinham até 21 anos (média de idade: 19). A mediana do IMC antes da cirurgia era de 44,7 kg/m2 –considerado extremamente alto. O peso médio dos participantes antes da cirurgia foi de 126 quilos, variando de 110 a 147 quilos.

Os pesquisadores do estudo acompanharam os desfechos de saúde dos pacientes por pelo menos 10 e até 18 anos. Quase todos (90%) os pacientes foram submetidos à cirurgia de bypass gástrico, e o restante foi submetido à banda gástrica ajustável laparoscópica.

Dr. Nestor de la Cruz-Muñoz

O Dr. Nestor de la Cruz-Muñoz, médico e chefe de cirurgia bariátrica da University of Miami's Miller School of Medicine, nos EUA, e primeiro autor do estudo, realizou todas as cirurgias quando trabalhou em uma clínica comunitária de 2002 a 2009. Ele usou vários métodos para se reconectar com os pacientes pelo menos 10 anos após seus procedimentos, incluindo telefonar ou enviar e-mails para solicitar que realizassem uma consulta por telessaúde. Dos 130 potenciais participantes do estudo, 96 concordaram em participar do projeto de pesquisa.

Na consulta, as pessoas informaram o seu peso atual, o menor peso que tiveram após a cirurgia e o atual status de outras comorbidades, como diabetes ou hipertensão. Como o Dr. Nestor também está interessado no efeito da cirurgia bariátrica na qualidade de vida, ele também indagou aos participantes qual era o grau de instrução no momento da pesquisa, se estavam em um relacionamento e se tinham filhos.

“Vi que estavam levando uma vida normal”, disse o Dr. Nestor. Alguns haviam obtido formação universitária e outros estavam se dedicando às famílias. No momento da cirurgia, ele lembrou, esses jovens estavam tristes, achando que seu peso corporal seria para sempre um impeditivo para essas possibilidades.

Em um acompanhamento médio de 14 anos, as pessoas que receberam um bypass gástrico perderam 31% do seu peso mais alto, e aquelas com a banda gástrica perderam 22% do seu peso mais alto, de acordo com os pesquisadores. Além disso, todos os pacientes com hiperlipidemia pré-cirurgia (14,6%), asma (10,4%) e diabetes (5,2%) relataram remissão completa dessas comorbidades (P < 0,05 para cada condição). Seus níveis de ansiedade e depressão também caíram significativamente, relataram os pesquisadores.

Uma doença clínica, não uma falha pessoal

“O estudo é importante porque finalmente aborda o que acontece há anos e anos”, disse o Dr. Kirk Reichard, médico e diretor do programa de cirurgia bariátrica da Nemours Children's Health nos EUA. O Dr. Kirk não participou deste estudo, mas foi o primeiro autor de uma declaração de 2019 da American Academy of Pediatrics que afirma que a cirurgia bariátrica é segura e eficaz para crianças com obesidade grave.

“A obesidade é uma doença clínica; não se trata de falta de força de vontade ou de uma falha pessoal”, disse o Dr. Kirk. “Se alguém tem câncer, não impugnamos seu caráter, tratamos o câncer.” Ele solicitou uma abordagem semelhante, sem julgamentos, para o tratamento da obesidade grave, que inclui uma combinação de cirurgia bariátrica e prescrição de agonistas de GLP-1, como semaglutida, explicou.

Os pesquisadores informaram não ter conflitos de interesses.

J Am Coll Surg. Publicado on-line em 15 de setembro de 2022.  Abstract  

Marcus A. Banks é jornalista, mora em Nova York e cobre notícias de saúde com foco em novas pesquisas oncológicas. Ele assina artigos publicados no Medscape, Cancer Today, The Scientist, Gastroenterology and Endoscopy News, Slate, TCTMD e Spectrum.

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