Temas mais buscados em setembro de 2022: Ansiedade

Ryan Syrek

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30 de setembro de 2022

Ao final de cada semana nós identificamos o tema mais buscado no site do Medscape, procuramos compreender o que motivou a tendência e então compartilhamos um breve resumo sobre o tema acompanhado de um infográfico. Dúvidas ou sugestões? Entre em contato conosco pelo  Twitterou pelo Facebook 

Com a ansiedade crescente no mundo inteiro, a US Preventive Services Task Force (USPSTF) disponibilizou para comentário público a versão preliminar de novas propostas de recomendações para o rastreamento deste quadro. Isso, junto com novos conhecimentos sobre o efeito da pandemia na saúde mental e achados promissores em relação a opções terapêuticas, resultou na ansiedade como o tema mais buscado da semana. Talvez de forma mais notável, pela primeira vez, a USPSTF propôs um rastreamento generalizado da ansiedade (veja o infográfico a seguir).

A recomendação abrange as gestantes e puérperas, além de qualquer pessoa entre 19 e 64 anos de idade que não tenha diagnóstico de transtorno de saúde mental, ou que não apresente sinais e sintomas claramente visíveis de ansiedade. Para idosos com 65 anos de idade ou mais, foram consideradas "insuficientes as evidências dos benefícios e potenciais prejuízos do rastreamento da ansiedade". O período para comentários públicos na versão preliminar das recomendações termina em 17 de outubro.

A pandemia da covid-19 aumentou as preocupações com a saúde mental no mundo todo. Um novo levantamento constatou que foram observadas grandes diferenças entre vários países e continentes. Pesquisadores analisaram quase 400 artigos publicados e fizeram metanálises de 64 estudos longitudinais com 170.000 participantes. Em particular, a equipe de pesquisa analisou as proporções de pessoas que preenchiam os critérios diagnósticos de ansiedade, depressão, transtorno do estresse pós-traumático, sofrimento psíquico, insônia, uso de drogas (inclusive bebidas alcoólicas), solidão e ideação suicida, comparando as diferenças entre o início em 2020 e o último acompanhamento em 2021.

Para a ansiedade, a prevalência agrupada foi de 25%. A América do Norte apresentou a taxa de prevalência mais alta, de 43,0%, em comparação a 22,1% na Europa, 20,5% na América Latina e 15,0% na região da Ásia e do Pacífico. Para a depressão, a prevalência agrupada foi de 26,8%. A América do Norte apresentou uma taxa de prevalência mais alta, de 38,3%, em comparação a 24,6% na Europa, 20,9% na América Latina e 20,6% na região da Ásia e do Pacífico. Para o sofrimento psíquico, a prevalência agrupada foi de 30,5%. A América Latina apresentou uma taxa de prevalência mais alta, de 66,6%, em comparação a 31,2% na América do Norte, 27,4% na Europa e 18,0% na região da Ásia e do Pacífico. Para a insônia, a prevalência agrupada foi de 22,2%. A Europa apresentou uma taxa de prevalência mais elevada, de 30,8%, em comparação a 21,7% na Ásia e 18,8% na América do Norte. Para o transtorno do estresse pós-traumático, a prevalência agrupada foi de 17,5. Estudos na América do Norte descreveram uma prevalência de 23,3% em comparação a 14,4% dos estudos feitos em toda a Europa. Para o uso de drogas (inclusive bebidas alcoólicas), a prevalência agrupada foi de 24%, com grandes diferenças observadas entre os estudos.

Ter ansiedade também pode aumentar o risco de covid longa, segundo novas pesquisas. Em uma análise com quase 55 mil participantes adultos de três estudos em andamento, ter história de sofrimento psíquico (ansiedade, depressão, preocupação, estresse percebido ou solidão) antes da infecção pelo SARS-CoV-2 foi associado a aumento do risco de evoluir com covid longa. Aqueles que tiveram pelo menos dois tipos de sofrimento psíquico antes da infecção tiveram um risco quase 50% maior de doença após a covid (razão de risco de 1,49; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 1,23 a 1,80). O sofrimento psíquico foi ainda mais fortemente associado ao quadro de covid longa do que os fatores de risco de saúde física – e o aumento do risco não foi explicado por comportamentos de saúde como tabagismo ou comorbidades físicas, segundo os pesquisadores. Principalmente, entre os estudados, 38% eram profissionais de saúde em atividade.

Em notícias mais encorajadoras, várias opções terapêuticas para a ansiedade têm se mostrado eficazes, de acordo com achados recentes.

  • Resultados de uma análise retrospectiva da revisão de gráficos identificaram que as infusões de quetamina podem ajudar a diminuir os sintomas de ansiedade, depressão e ideação suicida entre pacientes com depressão refratária ao tratamento. A análise, feita com mais de 400 participantes com este quadro, sugere que a quetamina é um tratamento seguro e rápido em uma população de pacientes na vida real.

  • Em relação a intervenções não farmacológicas, tanto a ioga quanto a terapia cognitivo-comportamental foram consideradas como oferecendo melhora importante da ansiedade, da preocupação e da insônia nos idosos. De acordo com um ensaio clínico com mais de 500 pessoas, estas melhoras duraram pelo menos seis meses após a suspensão do tratamento.

  • No início deste ano, pesquisas mostraram que suplementos contendo altas doses de vitamina B6 podem reduzir os sentimentos de ansiedade e depressão. Os pesquisadores compararam a suplementação durante um mês com vitamina B6 ou B12 à suplementação com placebo em quase 500 adultos. Os resultados de um estudo relativamente pequeno mostraram que a suplementação com vitamina B6 foi associada a redução da ansiedade segundo relatos dos pacientes e a uma tendência à diminuição dos sintomas depressivos.

Das novas recomendações de rastreamento às novas opções terapêuticas, a capacidade de identificar e gerenciar a ansiedade é claramente uma prioridade – dado o aumento generalizado dos sintomas de ansiedade na pandemia – e se tornou o tema mais popular da semana.

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