Eletroconvulsoterapia após TAB e fator de risco familiar para depressão pós-parto

Dr. Sivan Mauer

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27 de setembro de 2022

Neste artigo

Dr. Sivan Mauer

Nesta seção o psiquiatra Dr. Sivan Mauer seleciona e comenta estudos relevantes no campo da psiquiatria. O Dr. Mauer é especialista em transtornos do humor. Tem residência em psiquiatria da infância e adolescência e tem experiência em psicogeriatria. É mestre em pesquisa clínica pela Boston University School of Medicine e doutor em psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Além da prática privada exercida em São Paulo e Curitiba, o Dr. Mauer é clinical assistant professor na Tufts University School of Medicine, Boston (EUA).

1. Eletroconvulsoterapia após transtorno bipolar incidente: quando, como e para quem?

Embora a farmacoterapia seja a espinha dorsal do tratamento agudo e de manutenção do transtorno bipolar, a eletroconvulsoterapia (ECT) é geralmente recomendada como segunda linha para pacientes com doença refratária ou intolerância à farmacoterapia. A ECT também pode ser usada como primeira linha terapêutica em pacientes com transtorno bipolar que apresentam quadros graves agudos, como catatonia, agressividade, iminência de suicídio, ou ainda quando a farmacoterapia for indesejável (por exemplo, durante a gestação).

Apesar de a ECT ser geralmente considerada como uma alternativa ao tratamento farmacológico no transtorno bipolar, há evidências sólidas de sua eficácia no tratamento de episódios maníacos, depressivos e mistos. Por exemplo, a ECT tem mostrado um efeito rápido em pacientes com mania grave resistente ao tratamento, especialmente em caso de mania delirante ou catatonia excitada. Como o uso da ECT é menos comum no curso inicial do transtorno bipolar, ainda há poucos registros de uso em pacientes com diagnóstico recente.

No presente estudo, o objetivo dos autores foi descrever o uso da ECT em uma coorte representativa da população da Dinamarca de pacientes com transtorno bipolar incidente a partir de dados de registros nacional. Especificamente, foram abordadas as seguintes questões de pesquisa:

  1. Quando os pacientes são encaminhados pela primeira vez para a ECT após o diagnóstico de transtorno bipolar?

  2. Como a ECT costuma ser administrada?

  3. Qual é o perfil do paciente que recebe a ECT nos primeiros anos após o diagnóstico de transtorno bipolar?

Foram identificados 1.338 pacientes com transtorno bipolar incidente que posteriormente receberam ECT. A idade mediana na primeira sessão de ECT foi de 50,6 anos (IQR: 26,4) e 62% dos pacientes tratados com ECT eram do sexo feminino. A mediana do tempo entre o diagnóstico de transtorno bipolar e a primeira ECT foi de 0,6 anos (IQR: 2,6) e 58% dos pacientes tratados com ECT fizeram a primeira sessão no primeiro ano após o diagnóstico de transtorno bipolar. A indicação de ECT mais comum foi depressão (principalmente depressão não psicótica), seguida de mania (principalmente mania psicótica). Em sua maioria, a primeira ECT foi realizada durante uma internação (97%), mediante consentimento do paciente (98%) e com colocação bilateral de eletrodos (60%).

Para lembrar:
Uma proporção substancial dos pacientes com transtorno bipolar incidente recebeu a ECT no primeiro ano após o diagnóstico. A indicação mais comum de ECT foi depressão e a segunda foi mania (psicótica). A maioria das ECTs foram realizadas com o consentimento dos pacientes, durante uma internação hospitalar e com a colocação bilateral de eletrodos. Este estudo comprova que a ECT, mesmo sendo um tratamento ainda repleto de estigmas, é muito eficaz e fundamental para uma parcela de pacientes.

Referência:
Salagre, E., Rohde, C., Vieta, E. & Østergaard, S. D. Electroconvulsive therapy following incident bipolar disorder: When, how and for whom? Bipolar Disord. n/a, (2022).

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