Nova orientação do American College of Cardiology sobre tratamento sem estatinas para redução do colesterol LDL

Megan Brooks

Notificação

5 de setembro de 2022

O American College of Cardiology (ACC) publicou um consenso de especialistas sobre o papel dos tratamentos sem estatina na redução da lipoproteína de baixa densidade (LDL, sigla do inglês low-density lipoprotein) para diminuição do risco de doença cardiovascular aterosclerótica, a fim de abordar as lacunas atuais na orientação de especialistas sobre novos agentes que não pertencem à classe das estatinas.

Desde a publicação das diretrizes sobre colesterol da American Heart Association (AHA)/ACC mais recentes em 2018, vários medicamentos mais novos, que não pertencem à classe das estatinas, foram disponibilizados para o controle do risco associado a lipídios, como ácido bempedoico, inclisirana, evinacumabe e icosapente etil.

Esses medicamentos não foram abordados na diretriz da AHA/ACC de 2018 sobre o tratamento da hipercolesterolemia.

O documento de 53 páginas – 2022 ACC Expert Consensus Decision Pathway on the Role of Nonstatin Therapies for LDL-Cholesterol Lowering in the Management of Atherosclerotic Cardiovascular Disease Risk – foi publicado on-line em 25 de agosto no periódico Journal of the American College of Cardiology.

O novo documento de consenso de especialistas fornece orientação para os médicos até que as próximas diretrizes formais sejam elaboradas, disse ao Medscape o Dr. Donald Lloyd-Jones, médico e presidente do comitê de redação.

O grupo de redator concentrou-se em três áreas fundamentais em relação ao uso de tratamentos sem estatinas, sobre os quais evidências científicas recentes ainda estão sendo revisadas e os ensaios clínicos ainda estão em andamento:

  1. Em que populações de pacientes devem ser considerados os tratamentos mais recentes que não pertencem à classe das estatinas?

  2. Em que situações os tratamentos mais recentes que não pertencem à classe das estatinas devem ser considerados?

  3. Se novos tratamentos que não pertencem à classe das estatinas forem introduzidos, quais tratamentos devem ser considerados e em que ordem para maximizar o benefício e a preferência dos pacientes?

O documento fornece algoritmos que endossam os quatro grupos de pacientes identificados com base em evidências nas diretrizes de 2018 e pressupõe que o paciente esteja tomando ou tentou tomar uma estatina, já que esse é o tratamento inicial mais eficaz, disse o grupo redator.

“Os algoritmos foram simplificados para facilitar o uso por médicos para ajudá-los a identificar quem pode precisar de outros medicamentos adjuvantes que não as estatinas, para fornecer limites para consideração desses medicamentos e para ajudar na priorização desses medicamentos com base na força das evidências disponíveis sobre a eficácia”, explicou o Dr. Donald, presidente do departamento de medicina preventiva da Feinberg School of Medicine da Northwestern University, nos Estados Unidos.

“Esperamos que esses fluxogramas ajudem no processo de tomada de decisão por médicos e pacientes”, acrescentou.

Ele também observou que as estatinas continuam a ser o “tratamento de primeira linha mais importante para reduzir o risco de doença cardiovascular aterosclerótica, devido à sua eficácia e segurança e ao baixo custo. No entanto, para alguns pacientes, existem agora opções caso as estatinas não sejam suficientes para alcançar os objetivos de redução do risco de doença cardiovascular aterosclerótica, ou se as estatinas não forem toleradas em doses eficazes”.

“O novo documento de consenso de especialistas destaca que se deve considerar com mais frequência o tratamento adjuvante para pacientes de mais alto risco e fornece fluxogramas de decisão de fácil compreensão para ajudar a considerar as opções razoáveis disponíveis em diferentes cenários clínicos”, disse o Dr. Donald.

O documento foi endossado pela National Lipid Association.

Essa pesquisa não recebeu financiamento comercial. O Dr. Donald Lloyd-Jones informou não ter conflitos de interesses.

J Am Coll Cardiol. Publicado on-line em 25 de agosto de 2022.  Abstract

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