Risco de segundo câncer primário após radioterapia de próstata

Megan Brooks

Notificação

10 de agosto de 2022

Homens com câncer de próstata localizado, tratados com radioterapia, apresentam um risco pequeno, mas estatisticamente elevado, de ter o segundo câncer primário, em comparação com homens que não foram tratados com radioterapia, de acordo com um grande estudo retrospectivo.

A taxa de segundo câncer primário foi de 3,7% na coorte com radioterapia versus 2,5% na coorte sem radioterapia.

Essa diferença é "bastante baixa" e "não deve impedir os médicos de incentivar seus pacientes a buscar a radioterapia como tratamento curativo para o câncer de próstata", disse ao Medscape a autora principal do estudo, a médica Dra. Hilary Bagshaw, do departamento de radioterapia da Stanford University e do Cancer Institute, ambos nos Estados Unidos.

O estudo foi publicado on-line em 28 de julho no periódico JAMA Network Open.

A radioterapia de próstata expõe as áreas adjacentes, como a bexiga e o reto, a altas doses de radiação, mas os achados de estudos anteriores sobre o risco de um segundo câncer primário nesses órgãos frequentemente são conflitantes.

Para esclarecer o risco, a Dra. Hilary e colaboradores identificaram retrospectivamente 143.886 homens tratados devido ao câncer de próstata localizado, em estádios T1 a T3, de 2000 a 2015, utilizando o Veterans Affairs (VA) Corporate Data Warehouse.

No período estudado, "nossos achados são mais aplicáveis a pacientes em tratamento do câncer de próstata atualmente, em vez de estudos mais antigos, quando os pacientes eram tratados com técnicas de radioterapia hoje desatualizadas", observou a Dra. Hilary.

Ao todo, 37% dos homens receberam radioterapia primária e 63% não receberam.

Do total de pacientes, 4.257 homens (3,0%) apresentaram um segundo câncer primário mais de 1 ano após o diagnóstico de câncer de próstata, dos quais 1.955 (3,7%) receberam radioterapia e 2.302 (2,5%) não receberam.

Em análises de multivariáveis, os homens que receberam radioterapia apresentaram um risco 24% maior de segundo câncer primário nos cinco anos após o diagnóstico de câncer de próstata. Esse risco aumentou após a marca de cinco anos.

Os homens tratados com radioterapia apresentaram um risco 50% maior de segundo câncer primário 5 a 10 anos após o diagnóstico, 59% maior após 10 a 15 anos e 47% maior após 15 a 20 anos.

Os quatro tipos mais comuns de segundo câncer primário foram leucemia, linfoma, câncer de bexiga e câncer de reto.

A análise fornece uma "atualização moderna para a literatura existente sobre os potenciais efeitos adversos de longo prazo da radioterapia no câncer de próstata", disse o Dr. David Byun, médico do departamento de radioterapia do NYU Langone Health’s Perlmutter Cancer Center, nos Estados Unidos, que não participou do estudo.

De forma geral, “existe um risco extremamente raro, mas não nulo, de um segundo câncer primário anos a décadas após a radioterapia”, disse o Dr. David, acrescentando que “a radioterapia no câncer de próstata continua sendo uma opção terapêutica não invasiva segura e excelente para muitos pacientes".

O Dr. David alertou que estudos de coorte retrospectivos devem ser interpretados com cautela, devido ao potencial viés de seleção. A coorte de veteranos militares pode não ser, por exemplo, a mais representativa da população geral, como evidenciado pelas taxas mais elevadas de câncer de bexiga em ambos os grupos, observou ele.

Outra limitação foi a falta de informações sobre os tipos de radioterapia administrados nos pacientes durante o período do estudo, disse o Dr. David.

Quantos deles foram submetidos a técnicas de radioterapia com intensidade modulada/guiada por imagem e opções de tratamento altamente direcionadas, como braquiterapia ou radioterapia estereotáxica corporal? Seria possível que um número de pacientes maior do que o esperado tenha recebido radioterapia pélvica ou técnicas menos conformacionais?

"Não é possível solucionar essas questões importantes que poderiam nos ajudar a interpretar melhor os dados, dada a falta de informações sobre os padrões de tratamento utilizados na população estudada", disse o Dr. David.

O estudo não recebeu financiamento específico. A Dra. Hilary Bagshaw e o Dr. David Byun informaram não ter conflitos de interesses relevantes. 

JAMA Netw Open. Publicado on-line em 28 de julho de 2022. Texto completo

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