Inibidores da bomba de prótons e diabetes: qual é a relação?

Nathalie Barrès

Notificação

8 de agosto de 2022

Estudo com mais de 100.000 participantes possibilitou evidenciar a repercussão metabólica do uso de inibidores da bomba de prótons além de dois meses.

Importante

  • O tratamento regular e prolongado com inibidores da bomba de prótons está associado a maior risco de diabetes mellitus tipo 2.

  • O risco aumenta proporcionalmente ao tempo de uso dos inibidores da bomba de prótons.

Por que isso é importante?

O aumento da utilização de inibidores da bomba de prótons ao longo das últimas três décadas levou à promoção do uso indevido e destacou alguns efeitos adversos (risco de fraturas, hipomagnesemia, câncer gástrico, insuficiência renal crônica, demência, diarreia por Clostridium difficile). Esses dados complementam os de outro estudo recente, [1] tendo o interesse de se concentrar na população geral (e não na população de profissionais de saúde), e fornece informações de que o risco de diabetes tipo 2 aumenta proporcionalmente ao tempo de uso de inibidores da bomba de prótons. Se os mecanismos responsáveis ainda não foram esclarecidos, um estudo recente descobriu que os inibidores da bomba de prótons podem alterar a flora microbiana do segmento distal do esôfago, do estômago e do intestino. A inflamação e a resistência à insulina poderiam ser alguns dos mecanismos fisiopatológicos.

Metodologia

Foi feito um estudo de casos e controles na Itália com uma grande coorte da população geral (pessoas com 40 anos de idade ou mais da Lombardia, beneficiários do sistema de seguro de saúde). Foram identificados pacientes tratados com inibidores da bomba de prótons entre 2010 e 2015, bem como os pacientes que abriram o quadro de diabetes tipo 2. Estes foram, então, correlacionados com um número equivalente de pessoas de controle selecionadas da coorte por idade, sexo e estado clínico.

Principais resultados

Dos 1,9 milhão de pacientes com mais de 40 anos de idade da coorte que usaram inibidores da bomba de prótons entre 2010 e 2015, 777.420 corresponderam aos critérios de inclusão do estudo. A média de tempo de acompanhamento por paciente foi de 6,2 anos. Em geral, foram feitos 50.540 novos diagnósticos de diabetes tipo 2, com incidência de 10,6 casos por 1.000 pessoas-ano. Cerca de 50% dos pacientes eram homens e a média de idade foi de 66 anos. Os fármacos mais prescritos foram o pantoprazol e o omeprazol. Em comparação aos pacientes tratados com inibidores da bomba de prótons durante menos de dois meses, o risco de diabetes tipo 2 foi maior para os que foram tratados por mais de dois meses. O risco de diabetes teve aumento de 19% (15% a 24%) para um tratamento entre dois e seis meses, 43% (38% a 49%) entre seis meses e dois anos e 56% (49% a 64%) acima de dois anos. Essas associações se mantiveram mesmo após o ajuste.

Abstract

Conflitos de interesse

Este conteúdo foi originalmente publicado em Univadis FrançaMedscape Professional Network.

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