Temas mais buscados em agosto de 2022: Cigarro eletrônico

Ryan Syrek

Notificação

5 de agosto de 2022

No final de junho, a US Food and Drug Administration (FDA) ordenou à empresa Juul Labs que deixasse de vender cigarros eletrônicos e produtos relacionados no mercado dos EUA. Embora a proibição tenha sido temporariamente suspensa, a iniciativa é a última tentativa de abordar as preocupações com a indústria dos cigarros eletrônicos, especificamente no que diz respeito aos jovens. Desde a reação da FDA à American Heart Association (AHA), que preconizou uma ação ainda mais generalizada e imediata (ver infográfico), os cigarros eletrônicos têm sido o foco de uma atenção muito recente, levando ao tema clínico mais buscado da semana.

Em 23 de junho, a FDA ordenou à empresa Juul que suspendesse a distribuição de todos os produtos de cigarros eletrônicos e retirasse todos os seus produtos do mercado. Isso incluiu o dispositivo Juul e as cápsulas de substituição de sabor nos sabores de tabaco e menta. A decisão foi tomada após uma revisão de dois anos do pedido da empresa de continuar a vender produtos sem aroma de frutas, como menta e tabaco. A FDA determinou que a aplicação "não tinha provas suficientes quanto ao perfil toxicológico dos produtos para demonstrar que a comercialização dos produtos seria adequada para proteção da saúde pública".

No entanto, no início de julho, a FDA congelou essa proibição, dizendo que iria fazer uma revisão adicional do pedido. No Twitter, a FDA disse que tinham identificado "questões científicas exclusivas no pedido da Juul que justificam uma revisão adicional". Explicaram ainda que "a suspensão e a revisão do órgão não constituem autorização para comercializar, vender ou enviar produtos da Juul".

Alguns médicos ficaram entusiasmados com a proibição inicial dos produtos da Juul . Estimativas sugerem que 11,3% dos estudantes do ensino médio fumam cigarros eletrônicos, supostamente devido pelo marketing que vendeu os produtos como sendo mais seguros do que os cigarros tradicionais, apesar de se verificar que cada cartucho de 5% (nicotina por peso) é aproximadamente equivalente a um maço de cigarros. Além das preocupações relacionadas com o tabaco e a nicotina, outras questões de saúde começaram a surgir, com relatos muito divulgados de lesões pulmonares desde antes da pandemia.

Esses problemas combinados são o que levou a American Heart Association a divulgar sua recente declaração científica. Esta sociedade médica indica para estudos feitos com pacientes adultos jovens que fumavam cigarros eletrônicos e apresentaram alterações hemodinâmicas agudas, como maior rigidez arterial, comprometimento da função endotelial e aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e do tônus simpático. Nos Estados Unidos, não foram determinados limites para a concentração de nicotina permitida nos líquidos dos cigarros eletrônicos. Alguns dispositivos têm níveis de nicotina de 59 mg/mL. A União Europeia limita a concentração de nicotina em líquidos para cigarros eletrônicos a um teor ≤ 20 mg/mL, o que é equivalente aos níveis de nicotina num cigarro convencional.

A reação à proibição inicial da Juul nos Estados Unidos propagou-se em todo o mundo. Como disse o Dr. Pierre Bizel, Ph.D., membro da Coalition nationale contre le tabac, da Bélgica, para MediQuality , a intenção dos cigarros eletrônicos e produtos derivados é, acima de tudo, aumentar o número de fumantes. Como ele explicou, "esses cigarros eletrônicos só podem servir para criar dependência o mais cedo possível". Dr. Pierre explicou que a introdução destes produtos não diminuiu as vendas de cigarros em lugar nenhum no mundo. O tabaco convencional continua a ser vendido nas mesmas quantidades, com este novo método permitindo aos fabricantes lucrar em várias frentes.

O público parece estar cada vez mais consciente de que os cigarros eletrônicos não são exatamente o que foi inicialmente prometido. Um estudo recente descobriu que os adultos mais comumente percebem os cigarros eletrônicos como "mais prejudiciais" do que os cigarros tradicionais. Além disso, o percentual de pessoas nos Estados Unidos que utilizavam exclusivamente cigarros tradicionais quase duplicou entre 2019 e 2020 entre as que consideravam os cigarros eletrônicos mais prejudiciais, passando de 8,4% em 2019 para 16,3% em 2020. A mudança aguda da percepção do público seguiu a cobertura da mídia dos misteriosos sintomas pulmonares classificados agora como o lesões pulmonares associadas aos cigarros eletrônicos (EVALI, do inglês E-cigarette or Vaping product use Associated Lung Injuries). Estas lesões estavam ligadas ao acetato de vitamina E, um aditivo aos produtos que contêm tetraidrocanabinol, mas não aos produtos que contêm nicotina. O estudo constatou que o percentual de pessoas que acreditava que os cigarros eletrônicos eram mais prejudiciais do que os cigarros tradicionais, mais que triplicou, de 6,8% em 2018 para 28,3% em 2020. Um número menor de pessoas também encarou os cigarros eletrônicos como sendo menos nocivos do que os cigarros tradicionais, tendo diminuído de 17,6% em 2018 para 11,4% em 2020.

Como a FDA continua a fazendo outra revisão do pedido da Juul, as organizações e os médicos continuam a pressionar para uma reforma adicional. Esta pressão, junto com os desenvolvimentos na proibição da FDA, fez com que o cigarro eletrônico se tornasse o tema clínico mais importante da semana.

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