Gestantes que utilizam embriões congelados apresentam maior risco de pré-eclâmpsia

Olivia Dimmer

Notificação

1 de agosto de 2022

Mulheres que engravidam por meio da fertilização in vitro (FIV) de embriões previamente congelados têm uma chance significativamente maior de desenvolver distúrbios hipertensivos, como pré-eclâmpsia, do que mulheres que engravidam através da concepção natural, segundo pesquisadores.

Os novos achados são de um estudo apresentado na reunião anual de 2022 da European Society of Human Reproduction and Embryology. No estudo, que será publicado em breve no periódico Hypertension , os pesquisadores analisaram mais de 4,5 milhões de gestações na Dinamarca, Noruega e Suécia.

"Nossos achados são significativos, pois as transferências de embriões congelados são cada vez mais comuns no mundo todo, em parte devido ao congelamento eletivo de todos os embriões", disse o Dr. Sindre Hoff Petersen, Ph.D., pesquisador do Departamento de Saúde Pública e Enfermagem da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, na Noruega, que liderou o estudo.

Mais de 320.000 procedimentos de fertilização in vitro foram realizados nos Estados Unidos em 2020, de acordo com dados preliminares dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Desse total, mais de 123.000 óvulos ou embriões foram congelados para uso futuro.

O uso de tecnologias de reprodução assistida, inclusive a fertilização in vitro, mais que dobrou na última década, segundo os CDC. Aproximadamente 2% de todos os bebês nascidos anualmente nos Estados Unidos são concebidos por meio de tecnologia de reprodução assistida.

O Dr. Sindre e colaboradores compararam complicações maternas entre gestações de irmãos. As mulheres que engravidaram após a transferência de um embrião congelado apresentaram uma chance 74% maior de evoluir com um distúrbio hipertensivo em relação às mulheres que engravidaram após a concepção natural (7,4% versus 4,3%, razão de chances ajustada [RCa] de 1,74; intervalo de confiança [IC] de 95%; P < 0,001). A diferença foi ainda maior ao se comparar nascimentos entre irmãos: as mulheres que engravidaram utilizando embriões congelados apresentaram uma probabilidade 102% maior de evoluir com um distúrbio hipertensivo em relação às mulheres que engravidaram por concepção natural (RCa de 2,02; IC 95% de 1,72 a 2,39; P < 0,001).

Os pesquisadores não encontraram diferença no risco de distúrbios hipertensivos entre mulheres que utilizaram embriões frescos durante a fertilização in vitro e mulheres que utilizaram concepção natural (5,9% vs. 4,3%; IC 95%; P = 0,382).

"Quando descobrimos que a associação entre a transferência de embriões congelados e os distúrbios hipertensivos na gestação persiste em comparações entre irmãos, acreditamos ter fortes indícios de que os fatores do tratamento possam, de fato, contribuir para o risco mais elevado", disse o Dr. Sindre ao Medscape.

As mulheres no estudo que engravidaram após a concepção natural tiveram 4,3% de chance de evoluir com distúrbios hipertensivos. Esse efeito persistiu mesmo após o controle por índice de massa corporal materno, tabagismo e intervalo interpartal, segundo o pesquisador.

Os achados podem contribuir para discussões entre pacientes e médicos sobre os potenciais benefícios e malefícios do congelamento eletivo de embriões, se não houver indicação clínica, disse o Dr. Sindre. O congelamento é mais frequentemente utilizado para transferir um único embrião, visando reduzir a incidência de gestações múltiplas (gemelares e trigemelares, por exemplo) e, consequentemente, diminuir as complicações gestacionais.

"A grande maioria das gestações por fertilização in vitro, inclusive por transferência de embriões congelados, são saudáveis e sem complicações, e os desfechos de curto e longo prazo são tranquilizadores tanto para a mãe quanto para a criança", disse o Dr. Sindre.

As mulheres que engravidam através do uso de embriões congelados devem ser monitoradas mais de perto para a detecção de possíveis distúrbios hipertensivos, contudo, são necessárias mais pesquisas para determinar os motivos dessa associação, disse a médica Dra. Elizabeth S. Ginsburg, do Brigham and Women's Hospital, e professora de ginecologia e obstetrícia e biologia reprodutiva na Harvard Medical School, ambas as instituições nos Estados Unidos.

"Os ginecologistas e obstetras precisam estar cientes disso, mas não está claro quais subpopulações de pacientes serão afetadas", disse a Dra. Elizabeth. “São necessárias mais pesquisas para determinar se isso seria causado pela maneira como o útero se prepara para a transferência do embrião ou se seria uma etiologia relacionada a essa população de pacientes”.

Alguns estudos sugeriram que a ausência de um cisto produtor de hormônio, que se forma no ovário a cada ciclo menstrual, poderia explicar a associação entre a transferência de embriões congelados e o risco elevado de pré-eclâmpsia.

O Dr. Sindre Hoff Petersen e a Dra. Elizabeth Ginsburg informaram não ter conflitos de interesses.

38ª Reunião Anual da European Society of Human Reproduction and Embryology: Abstract, apresentado em 6 de julho de 2022.

Olivia Dimmer é uma jornalista de Chicago com trabalhos publicados no The Oregonian, The Sun Sentinel e no site MLive.com.

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