COMENTÁRIO

Como a energia e a poluição influenciam nossa saúde

Dr. Fabiano M. Serfaty

Notificação

29 de julho de 2022

De Acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o planejamento urbano atualmente é um fator fundamental na abordagem dos problemas de saúde mundiais e das doenças crônicas. [1,2]

Estima-se que, em 2050, cerca de 75% da população mundial viverá em cidades. Dois terços da população europeia já vivem em áreas urbanas, e hoje entre 60% e 80% da energia global são consumidos por áreas urbanas. [1]

Para explicar melhor sobre o assunto, convido aqui para o Medscape um dos maiores especialistas no assunto no Brasil: Victor Martins, criador da Electric Route, uma empresa cujo objetivo é inserir mais energia limpa no dia a dia do brasileiro.

Dr. Fabiano: Qual o benefício direto que a substituição dos combustíveis fósseis por energia elétrica pode nos trazer?

Victor: Os benefícios da substituição de combustíveis fósseis por energia elétrica são inúmeros, como reduzir as emissões nocivas de gases advindos desses combustíveis, o que pode gerar uma melhor qualidade do ar que respiramos e, consequentemente, diminuir os problemas de saúde e os custos causados pela poluição do ar. O custo da eletricidade é menor. A eletricidade é uma energia renovável que pode ser reutilizada sem poluir o ambiente, utilizando um sistema fotovoltaico, por exemplo.

Dr. Fabiano: A poluição do ar é uma mistura complexa de nano a micropartículas e de gases poluentes. Você pode explicar melhor sobre a poluição e essa mistura complexa de gases? Além disso, pode nos falar um pouco mais sobre seu trabalho com energia limpa?

Victor: A poluição do ar, de fato, é uma mistura complexa de nano a micropartículas e de gases poluentes. As micro e nanopartículas são conhecidas como material particulado (PM, que significa em inglês particulate matter), e existem em vários tamanhos como PM10, PM2,5, PM10-2,5 (partículas grossas e finas com diâmetro menor que 2,5 µm ou 10 µm) e PM0,1 (partículas ultrafinas com diâmetro geralmente menor que 0,1 µm). Existem também os gases poluentes como NO2, SO2, CO e O3, que são alguns dos poluentes mais importantes no ambiente urbano.

Nas últimas décadas, em função do desenvolvimento industrial, desmatamento, aumento da população global e crescimento do setor automobilismo, atingimos níveis altos de poluição e aquecimento global. Além disso, a instabilidade do combustível com certeza está trazendo um número maior de pessoas interessadas na utilização da energia elétrica como “energia limpa”.

Dr. Fabiano: Quais medidas você trouxe para o mercado que já podem ser utilizadas na prática?

Victor: O mercado é novo, mas já podemos afirmar que não é moda, é uma realidade, por isso resolvi criar duas frentes: uma de transportes elétricos e outra de sistema fotovoltaico para utilização de energia solar. No Brasil, os carros elétricos ainda são muito caros, por isso resolvi buscar uma opção de transporte elétrico economicamente viável e me especializei nas novas scooters elétricas, que são uma ótima opção para esse tipo de transporte também. Além disso, trouxe um time especializado em sistema fotovoltaico para utilização de energia solar dentro de residências ou de empresas.

Dr. Fabiano: A poluição do ar é o principal fator de risco ambiental para a saúde global e o quarto maior fator de risco para a mortalidade global. Uma grande proporção dessas mortes (> 50%) é atribuível a causas cardiovasculares. Quais são as principais fontes que causam a poluição e prejudicam a nossa saúde e como podemos combatê-las?

Victor: A poluição do ar em megacidades é atribuível a uma ampla variedade de fontes, principalmente carros, motocicletas, transporte marítimo em cidades costeiras, aviões, equipamentos de construção e equipamentos agrícolas, fontes de energia estacionárias, como fábricas, refinarias, usinas de energia, empresas industriais, comerciais, estações de tratamento de águas, de eliminação de resíduos sólidos, aterros sanitários, aquecimento/resfriamento residencial e operações de mineração. As emissões de transporte são, de longe, o maior contribuinte para a poluição do ar em cidades ao redor do mundo.

A queima de combustível doméstico continua sendo uma fonte significativa em algumas regiões, como África e Europa Central e Oriental. A queima de biomassa pode ser uma grande fonte de aerossóis orgânicos primários e pode ser uma fonte dominante de carbono negro. Fontes de biomassa, como a queima de resíduos de culturas (por exemplo, em cidades da Índia, como Nova Delhi), queima de madeira residencial para cozinhar e aquecer (por exemplo, em muitas cidades da África) e biocombustível para produção de tijolos, podem ser predominantes nos níveis de poluição do ar em muitas cidades do mundo. [1]

No Brasil, ainda não temos planos concretos para reduzir esses poluentes, porém já podemos observar a entrada de veículos elétricos nas nossas ruas. Por outro lado, a Europa está dando passos mais firmes quanto ao assunto. A revolução ecológica começa a tomar forma, principalmente na indústria automobilística. A proposta feita em Bruxelas, pela União Europeia, veta a produção de carros a combustão a partir de 2035. Essa medida vai acelerar a transição para o transporte elétrico. Cidades como Oslo, Helsinque e Madri, por exemplo, anunciaram recentemente seus planos de se tornarem parcialmente livres de carros.

A energia “limpa” é o futuro que já é presente, e todos precisamos trabalhar em prol de um mundo e uma saúde global melhores.

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