Biomarcador mitocondrial prediz risco de diabetes tipo 2

Miriam E. Tucker

Notificação

28 de julho de 2022

O estudo resumido neste artigo foi publicado no servidor de pré-impressão ResearchSquare.com e ainda não foi revisado por pares.

Principais conclusões 

  • O fator inibidor de adenosinatrifosfatase (ATPase) do tipo 1 (IF1, do inglês inhibitory factor 1) foi considerado um possível biomarcador do metabolismo energético mitocondrial, sendo que níveis mais altos dessa proteína estariam associados à proteção contra a resistência insulínica. A taxa de incidência de diabetes mellitus tipo 2 foi significativamente maior em indivíduos com pré-diabetes que apresentavam baixos níveis plasmáticos de IF1, independentemente de idade, sexo e glicemia plasmática em jejum.

Relevância 

  • Segundo os autores, este é o primeiro estudo que constatou uma relação inversa entre o nível plasmático de IF1 e o risco de diabetes tipo 2.

  • A disfunção de uma via metabólica mitocondrial pode contribuir para a resistência insulínica. Os baixos níveis plasmáticos de IF1 parecem indicar esse defeito metabólico, além de refletir processos biológicos não representados por fatores de risco convencionais para diabetes, variáveis biológicas/clínicas e biomarcadores atuais de controle glicêmico.

  • Níveis plasmáticos de IF1 mais elevados podem indicar um funcionamento energético mitocondrial ideal.

Desenho do estudo 

  • O estudo prospectivo, observacional, com duração de cinco anos, denominado IT-DIAB, incluiu 307 pessoas com pré-diabetes. A pesquisa foi desenhada para identificar novos biomarcadores de risco de diabetes tipo 2 em pessoas com pré-diabetes (glicose plasmática em jejum ≥ 110 e < 126 mg/dL).

  • O desfecho primário foi a associação entre os níveis plasmáticos de IF1 no início do estudo e a evolução para diabetes tipo 2 durante uma mediana de acompanhamento de 4,9 anos.

  • Os pesquisadores também realizaram análises transversais de dados coletados em dois estudos experimentais independentes.

Principais resultados 

  • Durante o período de acompanhamento, 115 participantes (37%) evoluíram com diabetes tipo 2.

  • Nos indivíduos que tiveram diabetes tipo 2, os níveis iniciais de IF1 eram menores do que os de participantes que não tiveram: 537 ng/mL vs. 621 ng/mL (P = 0,010).

  • Após ajustes por idade, sexo e glicemia plasmática em jejum, os níveis plasmáticos de IF1 mais elevados no início do estudo foram associados de forma significativa e negativa ao diabetes tipo 2, com uma razão de risco de 0,76 para cada aumento de desvio padrão em relação ao nível inicial de IF1 (P = 0,012). Após ajustes adicionais pelos níveis iniciais de triglicerídeos ou hemoglobina glicada, a associação se tornou menos robusta e não significativa, embora o efeito tenha se mantido na mesma direção.

  • Os níveis plasmáticos de IF1 foram associados negativamente ao índice de massa corporal e aos níveis plasmáticos de triglicerídeos tanto nos dois estudos transversais quanto na coorte principal. Além disso, houve correlações positivas com os níveis plasmáticos de lipoproteína de alta de densidade do colesterol e apolipoproteína A1.

Limitações 

  • O tamanho relativamente pequeno da coorte prospectiva limitou o poder estatístico do estudo. Os autores sugerem a realização de estudos prospectivos com coortes maiores.

  • O desenho do estudo não permitiu a determinação do nível plasmático ideal de IF1 associado à proteção contra o diabetes tipo 2.

Conflitos de interesses 

  • O estudo não recebeu financiamento comercial.

  • Os autores informaram não ter conflitos de interesses.

Este artigo é um resumo de uma pesquisa em pré-impressão , "Plasma Level of ATPase Inhibitory Factor 1 (IF1) Is Associated With Type 2 Diabetes Risk in Humans: A Prospective Cohort Study", escrita por pesquisadores principalmente da Université de Toulouse, na França, publicado no site ResearchSquare.com e fornecido a você pelo Medscape. O estudo ainda não foi revisado por pares. O artigo pode ser acessado na íntegra em ResearchSquare.com .

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