COMENTÁRIO

Covid-19: vacinação de crianças de 3 a 5 anos com CoronaVac

 Dr. Fernando Lyra

Notificação

27 de julho de 2022

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

O Ministério da Saúde do Brasil passou a recomendar, em 15 de julho, a vacinação com a vacina inativada Coronavac (Sinovac-Butantan) para crianças de 3 a 5 anos de idade não imunocomprometidas. Anteriormente, o imunizante era restrito às crianças maiores de 6 anos de idade. A recomendação ocorreu dois dias após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar a vacinação nessa faixa etária.

A imunização foi iniciada em diversos municípios brasileiros e consiste na aplicação de duas doses com 28 dias de intervalo, com a mesma formulação que já é utilizada para a faixa etária de 6 a 17 anos de idade e para adultos: com 600 SU em 0,5 ml.

A CoronaVac está autorizada para uso emergencial no Brasil desde janeiro de 2021 e, no caso do uso em maiores de 6 anos de idade, desde janeiro de 2022.

Estudos de efetividade em relação à hospitalização realizados no Chile com crianças de 3 a 5 anos vacinadas e não vacinadas com CoronaVac constataram efetividade de 55,06%.

Estudos de immunobridging (estudos-ponte de imunidade) que compararam os títulos de anticorpos neutralizantes indicam superioridade nos títulos de anticorpos neutralizantes de crianças em relação aos de adultos jovens.

Os estudos de segurança analisados pela Anvisa demonstraram resultados satisfatórios para a faixa etária de 3 a 5 anos.

Entre as considerações das sociedades de especialidades, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) destacaram os benefícios da vacinação na população de crianças de 3 a 5 anos com a vacina Coronavac (Sinovac-Butantan), particularmente pela expectativa de redução do risco de hospitalizações, e consideraram que os benefícios superam os eventuais riscos associados à vacinação, no contexto atual da pandemia.

As mesmas sociedades sugeriram a realização de estudos que possam identificar:

  • a possibilidade de coadministração com outras vacinas pediátricas;

  • o uso da vacina em esquemas alternativos, com doses de reforço e intervalos de doses superiores aos utilizados no estudo;

  • dados da resposta imunitária celular.

Minha opinião é que crianças devam receber a proteção vacinal contra o SARS-CoV-2, opinião essa embasada pelas análises destacadas acima, especialmente pela segurança identificada nos estudos.

Somos conhecedores de que até a vacina mais segura pode, muito raramente, provocar efeitos colaterais. Sabemos também que as cargas virais são reduzidas pela vacinação prévia, e a menor replicação viral poderá diminuir o surgimento de novas variantes.

A análise dos benefícios conhecidos da vacinação, o fato de ainda desconhecermos todos os efeitos de longo prazo da carga viral do SARS-CoV-2 nos órgãos infantis e o grande número de crianças acometidas por casos graves de covid-19 devem nos levar como pediatras a recomendar a vacinação de nossas crianças.

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