Obesidade associada a queda acelerada da proteção vacinal contra a covid-19

Miriam E. Tucker

Notificação

19 de julho de 2022

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O estudo resumido neste artigo foi publicado no servidor de pré-impressão medRxiv , e ainda não foi revisado por pares.

Principais conclusões

  • Os resultados do estudo sugerem que a obesidade possa acelerar o declínio da resposta mediada por anticorpos após a vacinação contra o SARS-CoV-2, aumentando os casos de infecção de escape.

  • Na pesquisa, foram registradas evidências de redução da eficácia dos anticorpos neutralizantes seis meses após a vacinação primária em pessoas com obesidade mórbida (IMC > 40 kg/m2).

  • O estudo foi de grande porte, com mais de 3,5 milhões de pessoas imunizadas contra a covid-19 com pelo duas doses de vacina, incluindo mais de 650 mil pessoas com obesidade.

Relevância

  • A obesidade é associada a comorbidades que aumentam o risco de covid-19 grave de forma independente, como diabetes tipo 2, doença renal crônica e insuficiência cardíaca.

  • Os autores concluíram que provavelmente será necessário administrar mais doses de vacina ou doses mais frequentes em pessoas com obesidade, a fim de manter a proteção contra a covid-19.

Desenho do estudo

  • O estudo foi do tipo longitudinal prospectivo. Os autores analisaram a incidência e a gravidade das infecções por SARS-CoV-2, bem como a resposta imunitária de mais de 3,5 milhões de adultos imunizados com duas ou três doses de vacina anticovídica. Os participantes haviam sido registrados em um banco de dados de saúde escocês. As informações analisadas foram obtidas no estudo EAVE II, realizado pela Universidade de Edimburgo, na Escócia.

  • Cerca de 16% dos indivíduos tinham obesidade (índice de massa corporal [IMC] de 30 a 39,9 kg/m2) e 3% tinham obesidade mórbida (IMC ≥ 40 kg/m2).

  • Apesar de não ter sido especificado no trabalho em pré-impressão, um artigo sobre o estudo EAVE II indica que as vacinas anticovídicas administradas na Escócia são as desenvolvidas pelas farmacêuticas Pfizer/BioNTech e Oxford/AstraZeneca.

Principais resultados

  • Entre 14 de setembro de 2020 e 19 de março de 2022, 10.983 pessoas tiveram covid-19 grave (0,3% do total da coorte; 6,0 eventos por 1.000 pessoas/ano). Destas, 9.733 foram hospitalizadas e 2.207 morreram (957 pacientes hospitalizados morreram).

  • Pessoas com obesidade ou obesidade mórbida apresentaram mais risco de hospitalização ou morte por covid-19 após a segunda e terceira doses da vacina (reforço).

  • Em comparação com as pessoas com peso normal, aquelas com obesidade mórbida (IMC > 40 kg/m2) tiveram risco de covid-19 grave significativamente mais alto após o recebimento da segunda dose (razão de taxa ajustada = 1,76). Já os indivíduos com obesidade graus I e II (IMC de 30 a 40 kg/m2) apresentaram risco moderado, mas significativamente elevado (razão de taxa ajustada = 1,11).

  • Nos indivíduos com obesidade mórbida, obesidade e peso normal a ocorrência de infecções de escape se deu, em média, 10, 15 e 20 semanas, respectivamente, após a segunda dose.

  • Testes de interação mostraram que a eficácia da vacina diminuiu significativamente ao longo do tempo em todas as faixas de IMC. Além disso, a proteção diminuiu mais rapidamente à medida que o IMC aumentou.

  • Resultados de estudos de imunofenotipagem realizados em um subgrupo com dezenas de indivíduos com obesidade mórbida ou peso normal mostraram decréscimos significativos na robustez das respostas mediadas por anticorpos nos indivíduos com obesidade mórbida seis meses após a segunda ou a terceira dose.

Limitações

  • Os autores não informaram limitações do estudo.

Conflitos de interesses

  • O estudo não recebeu financiamento comercial.

  • Um autor recebeu subsídios do Wellcome Trust.

Este artigo é o resumo do estudo em pré-impressão “Accelerated waning of the humoral response to SARS-CoV-2 vaccines in obesity” , escrito por diversos pesquisadores da University of Cambridge, no Reino Unido , e resumido aqui pelo Medscape. O trabalho em pauta ainda não foi revisado por pares. Leia o texto completo no site: medRxiv.org.

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