Covid-19: vacinas evitaram quase 20 milhões de mortes em nível mundial no primeiro ano

Marcia Frellick

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6 de julho de 2022

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As vacinas contra a covid-19 evitaram quase 20 milhões de mortes em 185 países e territórios nos primeiros 12 meses após os imunizantes estarem disponíveis, calculou um estudo de modelagem matemática.

O estudo, coliderado pelo Dr. Oliver J. Watson, Ph.D., e por Gregory Barnsley, do MRC Centre for Global Infectious Disease Analysis do Imperial College London, na Inglaterra, foi publicado on-line no dia 23 de junho no periódico Lancet Infectious Diseases.

Os pesquisadores estimaram que as vacinas evitaram 14,4 milhões de mortes por covid-19 (intervalo de credibilidade de 95% de 13,7 a 15,9) nos países e territórios entre 08 de dezembro de 2020 e 08 de dezembro de 2021.

No entanto, a estimativa subiu para 19,8 milhões de mortes por covid-19 evitadas (intervalo de credibilidade de 95% de 19,1 a 20,4) quando os óbitos em excesso foram adicionados à equação.

"Usamos o excesso de óbitos como estimativa da verdadeira extensão da pandemia, representando uma redução global de 63% do total de óbitos (de 31,4 milhões para 19,8 milhões) durante o primeiro ano de vacinação anticovídica", escreveram os autores.

Em um ano, quase metade do mundo tinha tomado as duas doses

A primeira dose de vacina anticovídica fora de uma clínica foi dada em 08 de dezembro de 2020 e, um ano depois, os pesquisadores estimam que 55,9% da população mundial tinham recebido pelo menos uma dose, 45,5% tinham recebido duas doses e 4,3% tinham recebido reforço. No entanto, a cobertura tem variado muito em diferentes partes do mundo.

Para os 83 países do estudo cobertos pelo mecanismo de acesso mundial às vacinas anticovídicas COVAX, estima-se que 7,4 milhões de mortes foram evitadas de um potencial de 17,9 milhões (41%).

Mas nos países que não conseguiram atingir a meta da COVAX de fazer o esquema vacinal completo de 20% da população, os pesquisadores estimaram que mais 156.900 pessoas morreram de covid-19.

Embora seja uma pequena parte das mortes no mundo, essas mortes evitadas foram agrupadas em 31 nações africanas, onde 132.700 mortes poderiam ter sido evitadas se essas metas tivessem sido alcançadas, informaram os pesquisadores.

Os autores calculam que mais 599.300 vidas poderiam ter sido salvas se o objetivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) de vacinar 40% da população em cada país com duas doses ou mais até o final de 2021 tivesse sido atingido.

No editorial que acompanha o estudo, o Dr. Chad R. Wells, Ph.D., e a Dra. Alison P. Galvani, Ph.D., ambos do Yale Center for Infectious Disease Modeling and Analysis, nos Estados Unidos, escreveram: "O cumprimento dessas metas, especialmente nos países de baixa renda, é dificultado por inúmeros obstáculos que exigem apoio internacional para serem superados."

Vários países de alta renda conseguiram acordos de compra adiantada para as vacinas, enquanto os países de baixa renda não podiam pagar pelos preços, observaram os autores. Nos Estados Unidos, o número de doses adquiridas antes da produção "era suficiente para vacinar completamente toda a sua população três vezes", escreveram os pesquisadores.

Enquanto isso, no Burundi, a vacinação começou 10 meses depois dos EUA, escreveram o Dr. Chad e a Dra. Alison, que não participaram do estudo.

Primeiro estudo calculando as mortes evitadas em nível mundial

Outros estudos já analisaram as mortes evitadas por países ou outras regiões geográficas. Este é o primeiro a calcular as vidas salvas direta ou indiretamente em escala mundial.

Existem várias limitações do estudo, os autores reconhecem. Os cálculos se baseiam em hipóteses, inclusive de proporções de quais tipos de vacinas foram entregues em cada país, como foram entregues e o momento exato quando as novas variantes do vírus chegaram.

Os pesquisadores também presumiram que a relação entre a idade e a proporção de mortes por covid-19 ocorrendo entre as pessoas infectadas é a mesma para cada país. Além disso, os países diferem na forma como notificam as mortes por covid-19.

"Os nossos achados oferecem a avaliação mais completa até hoje do impressionante impacto global que a vacinação teve na pandemia de covid-19 (...) No entanto, poderia ter sido feito mais. Se as metas estabelecidas pela OMS tivessem sido alcançadas, estimamos que cerca de uma em cinco vidas perdidas estimadas por covid-19 em países de baixa renda poderiam ter sido poupadas", disse o Dr. Oliver em um comunicado de imprensa.

O estudo foi financiado pela Schmidt Science Fellows em parceria com a Rhodes Trust; OMS; UK Medical Research Council; Gavi, the Vaccine Alliance; Bill & Melinda Gates Foundation; National Institute for Health and Care Research; e Community Jameel. Os autores Dr. Oliver J. Watson e Gregory Barnsley e os editorialistas Dr. Chad R. Wells e Dra. Alison P. Galvani informaram não ter conflitos de interesse.

Lancet Infect Dis. Publicado on-line em 23 de junho de 2022. Texto completo, Editorial

Marcia Frellick é jornalista freelancer residente de Chicago. Ela já escreveu para o Chicago Tribune, o Science News e o Nurse.com, e foi editora do Chicago Sun-Times, do Cincinnati Enquirer e do St. Cloud (Minnesota) Times. Siga-a no Twitter em @mfrellick .

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