Estudo descobre ligação surpreendente entre herpes-zóster e demência

Megan Brooks

Notificação

6 de julho de 2022

Aparentemente, o herpes-zóster não aumenta o risco de demência. Pelo contrário, a infecção viral poderia oferecer alguma proteção, sugere um grande estudo populacional.

"Fomos surpreendidos por esses resultados e as razões para a diminuição do risco não são claras", disse a autora do estudo, a médica Dra. Sigrun Alba Johannesdottir Schmidt, Ph.D., do Aarhus Universitetshospital, na Dinamarca, em um comunicado à imprensa.

O estudo foi publicado on-line em 8 de junho no periódico Neurology.

Achados conflitantes 

O herpes-zóster é uma infecção cutânea viral aguda causada pela reativação do vírus varicela-zóster (VVZ). Estudos populacionais anteriores relataram tanto a diminuição quanto o aumento do risco de demência após a ocorrência da infecção.

Acredita-se que o herpes-zóster poderia contribuir para o desenvolvimento de demência através de neuroinflamação, vasculopatia cerebral ou dano neuronal direto, porém as evidências epidemiológicas são limitadas.

Para aprofundar a investigação, a Dra. Sigrun e colaboradores utilizaram registros médicos dinamarqueses para identificar 247.305 pessoas que buscaram atendimento hospitalar devido ao herpes-zóster ou receberam prescrição de antivirais para a infecção, durante um período de 20 anos, e parearam esses indivíduos com 1.235.890 pessoas que não tiveram a doença. Nas duas coortes, a mediana de idade foi de 64 anos, e 61% das participantes eram mulheres.

O diagnóstico de demência ocorreu em 9,7% dos pacientes com herpes-zóster e em 10,3% dos controles pareados durante um período de acompanhamento de até 21 anos.

Ao contrário da expectativa dos pesquisadores, o herpes-zóster foi associado a uma pequena (7%) diminuição do risco relativo de demência por todas as causas durante o acompanhamento (razão de risco [RR] = 0,93; intervalo de confiança [IC] de 95% de 0,90 a 0,95).

Não houve aumento do risco de demência em longo prazo nas análises por subgrupos, exceto possivelmente entre os pacientes com herpes-zóster e comprometimento do sistema nervoso central (RR = 1,94; IC 95% de 0,78 a 4,80), o que já havia sido demonstrado anteriormente.

No entanto, a fração atribuível populacional de demência devido a essa rara complicação é baixa (<1%), sugerindo que a vacinação universal contra o VVZ em idosos tem um potencial limitado para reduzir o risco de demência, observaram os pesquisadores.

Apesar disso, a Dra. Sigrun disse que a vacinação contra o VVZ deve ser incentivada em pessoas mais velhas, pois ela pode evitar complicações da doença.

A equipe da pesquisa admitiu que a discreta redução do risco de demência em longo prazo, inclusive de doença de Alzheimer, foi "inesperada". As razões para essa diminuição do risco não são claras, disseram os pesquisadores, e poderiam ser explicadas por quadros não percebidos de herpes-zóster em pessoas com demência não diagnosticada.

Os pesquisadores não conseguiram analisar se o tratamento antiviral modifica a associação entre herpes-zóster e demência e disseram que esse tema merece mais pesquisas.

O estudo foi apoiado pela Edel og Wilhelm Daubenmerkls Almenvelgørende Fond. Os autores informaram não ter conflitos de interesses. 

Neurology. Publicado on-line em 8 de junho de 2022. Abstract

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