Abordagem inicial do paciente com trauma pediátrico multissistêmico

Dr. Fernando Lyra

Notificação

5 de julho de 2022

Neste artigo

Dr. Fernando Lyra

Nesta seção o Dr. Fernando Lyra comenta estudos divulgados recentemente em publicações de impacto na área da pediatria. Membro do Departamento Científico de Cuidados Domiciliares da Sociedade de Pediatria de São Paulo, o Dr. Fernando também é especialista em administração em saúde (AMB e Sociedade Médica Brasileira de Administração em Saúde).

1. Características clínicas do TDAH em crianças e adolescentes: associação com qualidade de vida e aspectos comportamentais

Os autores realizaram um estudo de 72 crianças e adolescentes (6 a 13 anos de idade) com diagnóstico de transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) que foram acompanhadas em dois ambulatórios de neuropediatria na região metropolitana do interior de Minas Gerais. Segundo a descrição da pesquisa, o objetivo do trabalho foi “verificar a associação entre as características clínicas das crianças com TDAH e [os respectivos] aspectos sociodemográficos, qualidade de vida e questionário de capacidades e dificuldades”.

A triagem para TDAH foi feita por meio do Multimodal Treatment Study of Children with Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder – Swanson, Nolan, and Pelham IV (MTA-SNAP-IV). O perfil socioeconômico dos participantes foi avaliado pelo Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB). A avaliação da qualidade de vida foi feita pelo Autoquestionnaire Qualité de Vie Enfant Imagé (AUQEI).

Também foi usado o Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ), que rastreia problemas relacionados à saúde mental e ao comportamento social infantil. Trata-se de um questionário com 25 perguntas. As respostas recebem pontuação de 0 a 2 e são divididas entre as seguintes classes:

  • Comportamento pró-social

  • Hiperatividade

  • Problemas emocionais, de conduta e de relacionamento

Pacientes que obtêm ≥ 20 pontos são considerados como tendo “transtorno psiquiátrico provável”, os que obtêm de 16 a 19 pontos são enquadrados na categoria “limítrofe” e aqueles que fazem até 15 pontos são considerados “normais”.

No estudo, mais da metade das famílias pertenciam às classes econômicas C e D.

Os resultados indicaram boa qualidade de vida para 69,4% dos participantes.

Houve um predomínio de pacientes do sexo masculino (75%). O perfil TDAH-Desatento predominou no sexo feminino, e os perfis TDAH-Hiperativo e TDAH-Misto no sexo masculino.

Os autores encontraram associação entre os resultados do SDQ e alteração nos resultados do MTA-SNAP-IV. Eles concluíram que obter uma pontuação mais alta no SDQ elevou as chances de apresentar MTA-SNAP-IV alterado.

Para lembrar :
  • Crianças com TDAH apresentam diferentes níveis de desatenção, hiperatividade e impulsividade. A 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5, sigla do inglês Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) indica os seguintes subtipos: TDAH-hi (hiperativo-impulsivo), TDAH-d (desatento) e misto, com apresentação combinada de hiperatividade e desatenção.

  • Ao diagnóstico de TDAH, faz-se importante o rastreamento para comorbidades neuropsiquiátricas, especialmente depressão e ansiedade. Neste contexto, os instrumentos de triagem são importantes ferramentas de auxílio.

Referência:
Oliveira, M. D. S., Marinho, M. F. D., & Lemos, S. M. A. (2021). Clinical characteristics of attention-deficit/hyperactivity disorder in children and adolescents: association with quality of life and behavioral aspects. Revista Paulista de Pediatria40.

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