Medicamentos mais frequentemente relacionados como causa de cefaleia

Randy Dotinga

Notificação

5 de julho de 2022

Anticorpos monoclonais, antivirais, imunomoduladores e vasodilatadores da artéria pulmonar encabeçam a lista de fármacos mais relacionados como causa de cefaleia; a conclusão é de um novo estudo realizado a partir de um banco de dados nos Estados Unidos sobre efeitos colaterais, aberto a notificações pela população geral, que foi apresentado na conferência anual da American Headache Society.

"Achados surpreendentes incluíram o número significativo de imunossupressores e imunomoduladores presentes nesses dados", disse em entrevista o primeiro autor do estudo, Brett Musialowicz, estudante de medicina na Robert Wood Johnson Medical School, Estados Unidos. "Além disso, os dados fornecem evidências que sugerem que vários fármacos pertencentes a essas classes tenham apresentado menor tendência a associação com a cefaleia induzida por medicamentos", levantando questões sobre o mecanismo.

Brett Musialowicz

Medicamentos mais associados a cefaleias

Os pesquisadores realizaram o estudo para entender melhor a cefaleia como um efeito colateral do uso de medicamentos, disse Brett. Eles analisaram registros do Sistema de Notificação de Eventos Adversos da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA no período de julho de 2018 a março de 2020, e listaram os 30 fármacos mais comumente relacionados a cefaleias e a respectiva razão de chances (RC). De acordo com um site de treinamento em farmacovigilância, RC refere-se à "probabilidade de um determinado evento ocorrer com um medicamento, em comparação com a probabilidade de o mesmo evento ocorrer com todos os outros medicamentos da base de dados".

Após a consolidação dos dados, considerando-se os registros de nomes genéricos e comerciais, o fármaco mais associado a cefaleia foi o apremilaste, com 8.672 notificações, seguido por adalimumabe (5.357), tofacitinibe (4.276), fingolimode (4.123) e etanercepte (4.111). Esses medicamentos são utilizados para o tratamento de doenças autoimunes como psoríase, esclerose múltipla e doença de Crohn.

Entre os 15 primeiros (classificados por frequência), além dos citados, aparecem fármacos utilizados para tratamentos de hepatite C (quatro medicamentos), hipertensão arterial pulmonar (quatro), artrite (um) e asma (um).

Dos 30 medicamentos mais associados a cefaleias, o fármaco epoprostenol, usado para hipertensão pulmonar (classificado em 23º), teve a RC mais alta: 12,8. A seguir, aparecem glecaprevir e pibrentasvir, medicamentos para hepatite C, empatados em 10º na análise de frequência, ambos com RC de 9,4.

"Acredita-se que os dilatadores da artéria pulmonar e os vasodilatadores causem cefaleia ao sensibilizar as artérias extracranianas. Evidências clínicas sugerem que haja um componente vascular em alguns tipos de cefaleia", disse Brett. "Sugere-se que os anticorpos monoclonais causem cefaleia por meio de uma resposta imune. Vários estão envolvidos em estudos com foco no receptor [do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina], que acredita-se que esteja envolvido na migrânea. Esses estudos ajudarão a elucidar melhor os mecanismos das cefaleias e a compreender possíveis fármacos para tratar essas condições."

Os dados são úteis?

O Dr. Stewart Tepper, médico neurologista da Geisel School of Medicine, nos EUA, está ciente dos resultados e minimizou a relevância da nova pesquisa em uma entrevista. Ele observou que qualquer indivíduo pode realizar uma notificação no banco de dados de eventos adversos dos Estados Unidos (fabricantes de medicamentos são obrigados a notificar), e os dados não chegam a nenhuma conclusão sobre padrões comuns.

"Não é uma maneira razoável de avaliar os eventos adversos, englobar os registros gerais, incluindo os de indivíduos que notificam como uma reclamação, dizendo 'tal fármaco fez isso comigo'. Não é de forma alguma útil", disse ele. No entanto, acrescentou que o banco de dados às vezes "fornece um sinal para que se possa retornar e tentar obter dados coletados cientificamente".

Quando solicitado a responder, o Dr. Pengfei (Phil) Zhang, coautor do estudo e médico neurologista da Robert Wood Johnson Medical School, observou que a FDA criou o banco de dados "por uma razão", e também que os pesquisadores utilizaram uma técnica de análise estatística, a razão de chances, criada para ajustar as limitações de bancos de dados.

O estudo não informa o recebimento de subsídios. Brett informou não ter conflitos de interesses . O Dr. Phil recebeu honorários da Alder Biopharmaceuticals, Board Vitals e Fieve Clinical Research. Ele colabora com a Headache Science Incorporated sem remuneração financeira e tem participação acionária na Cymbeline. Outro autor do estudo relatou receber bolsas de pesquisa da American Epilepsy Society e da New Jersey Health Foundation. O Dr. Stewart informou diversos conflitos de interesses .

Este conteúdo foi originalmente publicado em MDedge.comMedscape Professional Network.

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