Câncer de mama: benefícios da supressão da função ovariana

Walter Alexander

Notificação

1 de julho de 2022

O acompanhamento de oito anos do estudo ASTRRA confirmou e ampliou as evidências para a adição de dois anos de supressão da função ovariana com goserelina ao tamoxifeno, em comparação com o tamoxifeno isolado.

“Adicionar a supressão ovariana ao tamoxifeno deve ser considerado para essa população de pacientes”, disse a autora sênior Dra. Hee Jeong Kim, cirurgiã especialista em câncer de mama do Asan Medical Center, na Coréia do Sul. A Dra. Hee apresentou os dados no início deste mês na reunião anual da American Society of Clinical Oncology.

A mediana da taxa de sobrevida livre de doença de 85,4% para tamoxifeno + supressão da função ovariana versus 80,2% para tamoxifeno isolado (razão de risco [RR] = 0,67; intervalo de confiança [IC] de 95% de 0,514 a 0,869; P = 0,0027) foi condizente com achados recentes do estudo SOFT (Supressão of Ovarian Function Trial), que também mostrou um claro benefício de sobrevida em eventos de câncer de mama com a adição da supressão da função ovariana ao tamoxifeno para mulheres que permanecem na pré-menopausa após a quimioterapia. As análises do estudo SOFT de sobrevida livre de doença em cinco e oito anos demonstraram razões de risco de 0,82 e 0,76, respectivamente.

O estudo realizado pela Dra. Hee é um acompanhamento pós-ensaio do estudo ASTRRA (sigla do inglês Addition of Ovarian Suppression to Tamoxifen in Young Women With Hormone-Sensitive Breast Cancer Who Remain Premenopausal or Regain Vaginal Bleeding After Chemotherapy), que designou aleatoriamente 1.298 pacientes com câncer de mama em uma proporção de um para um para receber apenas tamoxifeno (n = 647) ou tamoxifeno + supressão da função ovariana (n = 635). O desfecho primário foi a sobrevida livre de doença e o desfecho secundário foi a sobrevida global.

A análise anterior do ASTRRA com cinco anos de acompanhamento mostrou taxas de sobrevida livre de doença de 89,9% para tamoxifeno + supressão da função ovariana vs. 87,2% para tamoxifeno isolado em pacientes com câncer de mama sensível a hormônio que permaneceram na pré-menopausa ou tiveram o sangramento vaginal restaurado após a quimioterapia. A sobrevida global, um desfecho secundário, também foi favorável à adição de supressão da função ovariana (RR = 0,31; IC 95% de 0,10 a 0,94; P = 0,029).

A diferença absoluta para a sobrevida livre de doença com a adição da supressão da função ovariana na mediana de acompanhamento posterior de 106,4 meses foi de 5,2%. A diferença em cinco anos foi de 2,7%, apontou a Dra. Hee. Além disso, esses achados foram calculados a partir do momento da inclusão no estudo. Quando calculados a partir do momento da randomização, as taxas de sobrevida livre de doença foram de 84,1% e 78,1%, respectivamente, para tamoxifeno + supressão da função ovariana e tamoxifeno isolado, com uma diferença absoluta de 6,0% (RR = 0,67; IC 95% de 0,516 a 0,872; P = 0,0025).

O benefício da adição da supressão da função ovariana ao tamoxifeno para o desfecho secundário de sobrevida global em oito anos (96,5% vs. 95,3%) não alcançou significância estatística (RR = 0,78; IC 95% de 0,486 a 1,253; P = 0,3). "Embora não seja estatisticamente significativo, existem diferenças absolutas entre os dois grupos favoráveis ao tamoxifeno mais a supressão da função ovariana", disse a Dra. Hee em entrevista. A autora apontou também que para a sobrevida livre de metástases à distância a razão de risco foi de 0,71, favorecendo significativamente o tamoxifeno + supressão da função ovariana. "Mais de 95% das pacientes ainda estavam sobrevivendo em oito anos com tamoxifeno mais supressão da função ovariana. Portanto, precisamos de mais eventos para avaliar completamente o benefício de sobrevida global."

Uma limitação do estudo, reconheceu na entrevista, é que os dados de segurança e eventos adversos não foram coletados. "Como a supressão da função ovariana tem sido amplamente utilizada na prática clínica há décadas e os efeitos colaterais de seu uso relativamente curto foram considerados bem compreendidos em estudos anteriores, focamos na eficácia oncológica da supressão da função ovariana neste estudo", disse.

Este conteúdo foi originalmente publicado em  MDedge.com  – Medscape Professional Network.

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