Estudo-piloto sugere que praticar exercícios para o assoalho pélvico melhore a incontinência urinária de esforço

Mary Chris Jaklevic

Notificação

30 de junho de 2022

Mulheres que fizeram oito semanas de exercícios para o assoalho pélvico em casa, com auxílio de um vídeo disponível on-line, relataram menos sintomas de incontinência urinária de esforço em um estudo -piloto.

Foram observadas melhoras nos parâmetros de avaliação da qualidade de vida, da força muscular e dos episódios de escape, mas os pesquisadores não conseguiram identificar alterações nos músculos que controlam o fluxo de urina.

Dra. Meagan Cramer

Segundo a Dra. Meagan Cramer, médica e fellow de medicina pélvica feminina e cirurgia reconstrutiva na Oregon Health & Science University, Estados Unidos, o programa, que combina ioga e pilates, visa “abordar a incontinência urinária de esforço e, ao mesmo tempo, se encaixar nas atividades físicas cotidianas da mulher”.

A Dra. Meagan apresentou os achados do estudo no encontro científico de 2022 da American Urogynecologic Society e da International Urogynecological Association nos EUA.

Das 78 participantes que entraram no estudo, 60 completaram o programa. A média de idade foi de 46,6 anos. A maioria estava na pré-menopausa (67%), tinha pelo menos um parto (65%) e já havia feito ioga (76%) e/ou pilates (44%).

As participantes podiam acessar um site específico para assistir ao vídeo de 38 minutos com 17 exercícios. O programa instruía e rastreava o uso.

Dentre as participantes que realizaram o programa inteiro, 73% fizeram os exercícios pelo menos três vezes por semana.

A pontuação média das participantes no International Consultation on Incontinence Questionnaire – Urinary Incontinence Short Form (ICIQ-UI SF) caiu de 9,5 (intervalo de confiança [IC] de 95% de 8,7 a 10,4) antes da intervenção para 7,1 depois (IC 95% de 6,3 a 7,9). O formulário usa uma escala de 0 a 21 com uma pontuação mais alta indicando incontinência mais grave.

O número de episódios de incontinência em 24 horas diminuiu de um intervalo interquartil de um a três episódios para um intervalo interquartil de zero a um episódio. A força muscular do assoalho pélvico melhorou da pontuação média de 7,1 (IC 95% de 6,6 a 7,7) na escala Brink para 7,7 (IC 95% de 7,2 a 8,2). A escala Brink varia de 3 a 12, com pontuações mais altas refletindo o aumento da força.

Na escala Patient Global Impression of Improvement, 83% das participantes que completaram o programa disseram que estavam “um pouco melhores”, “muito melhores” ou “extremamente melhores”.

A Dra. Meagan e seus colaboradores levantaram a hipótese de que os exercícios aumentariam os músculos que controlam a liberação de urina, localizados na porção estriada do esfíncter uretral. No entanto, as medidas ultrassonográficas transversais realizadas antes e após a intervenção não mostraram alterações.

O estudo não contemplou um grupo de controle para a comparação das pacientes que não fizessem a intervenção, deixando aberta a possibilidade de as melhoras estarem associadas a um efeito placebo.

“Um estudo randomizado comparando a intervenção de ioga + pilates com um grupo de controle – que receba instruções, por exemplo – ou com o padrão atual de tratamento não cirúrgico, a fisioterapia do assoalho pélvico, seria o próximo passo para confirmar nosso efeito positivo”, disse a Dra. Meagan.

Como as pacientes optaram por participar, os resultados não podem ser generalizados para aquelas que ainda não têm interesse em exercícios, acrescentou.

A Dra. Alison Huang, médica e pesquisadora de saúde da mulher e professora de medicina da University of California, San Francisco (UCSF) nos EUA, ponderou que não se devem tirar conclusões a respeito da redução dos sintomas de incontinência a partir da participação nesse programa.

No entanto, a Dra. Alison, que não participou do estudo, disse que os dados preliminares são promissores.

“Se esse tipo de intervenção for considerado eficaz e bem tolerado em estudos maiores e controlados, pode ser uma maneira valiosa para pacientes com incontinência urinária de esforço melhorarem seus sintomas no conforto de suas casas”, destacou.

As Dras. Meagan e Alison informaram não ter conflitos de interesses.

Encontro científico de 2022 da American Urogynecologic Society e International Urogynecological Association. Abstract #195. Apresentado em 15 de junho de 2022.

Mary Chris Jaklevic é jornalista em saúde no Centro-Oeste dos EUA.

Siga o Medscape em português no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE
Comentários são moderados. Veja os nossos Termos de Uso

processing....