Temas mais buscados em julho de 2022: Tirzepatida

Ryan Syrek

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1 de julho de 2022

Ao final de cada semana nós identificamos o tema mais buscado no site do Medscape, procuramos compreender o que motivou a tendência e então compartilhamos um breve resumo sobre o tema acompanhado de um infográfico. Dúvidas ou sugestões? Entre em contato conosco pelo Twitter ou pelo Facebook

Em 13 de maio, a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos aprovou a tirzepatida indicada para melhora do controle da glicemia nos pacientes com diabetes tipo 2. O fármaco foi aprovado como agonista duplo das duas principais incretinas humanas: o receptor 1 do peptídeo glucagonoide (GLP-1, do inglês Glucagon-Like Peptide-1 Receptor) e do polipeptídio insulinotrópico dependente de glicose (GIP, do inglês Glucose-Dependent Insulinotropic Polypeptide). Não muito tempo depois, os resultados do ensaio clínico SURMOUNT-1 foram apresentados na 82ª edição das sessões científicas da American Diabetes Association (ADA). Foi demonstrada a eficácia da tirzepatida para a perda ponderal de pacientes sem diabetes. Os achados foram chamados de "sem precedentes" e desencadearam uma onda de reações impressionadas, se tornando o tema clínico mais buscado da semana (veja o infográfico).

O SURMOUNT-1 foi um ensaio clínico controlado por placebo feito com mais de 2.500 participantes com obesidade ou sobrepeso com história de pelo menos uma complicação relacionada com o peso. No início, a média de peso corporal foi de 104,8 kg e a média do índice de massa corporal foi de 38 kg/m2. Os resultados do estudo na 72ª semana de tratamento mostraram:

  •  A variação percentual média de peso foi de - 15% (intervalo de confiança, IC, de 95%, de - 15,9 a - 14,2) com doses semanais de 5 mg de tirzepatida, - 19,5% (IC 95%, de - 20,4 a - 18,5) com doses de 10 mg e - 20,9% (IC 95%, de - 21,8 a - 19,9) com doses de 15 mg.

  • A redução de peso de 5% ou mais foi descrita em 85% (IC 95%, de 82% a 89%) no grupo de 5 mg, 89% (IC 95%, de 86% a 92%) no grupo de 10 mg e 91% (IC 95%, de 88% a 94%) no grupo de 15 mg.

  • Nos grupos de 10 mg e 15 mg, 50% (IC 95%, de 46% a 54%) e 57% (IC 95%, de 53% a 61%) dos participantes, respectivamente, apresentaram redução do peso corporal de 20% ou mais.

Os especialistas consideraram os resultados "surpreendentes" e disseram que estão na escala da perda ponderal obtida com a cirurgia bariátrica. Os autores de um editorial associado afirmaram, "é notável que a magnitude da perda ponderal com tirzepatida seja semelhante à da derivação gástrica, o que aumenta o potencial de estratégias clínicas alternativas para o tratamento da obesidade". A semaglutida é outra estratégia clínica semelhante, aprovada recentemente. É agonista de apenas uma incretina, com sua atividade centrada exclusivamente no receptor 1 do polipeptídio glucagonoide. A atividade combinada que ativa o receptor 1 do polipeptídio glucagonoide e o polipeptídio insulinotrópico dependente de glicose levou a tirzepatida a ser chamada de “bincretina”.

Além da perda ponderal e do controle da glicose, a bincretina também pode logo se tornar parte do arsenal terapêutico contra a nefropatia diabética. A tirzepatida reduziu significativamente a probabilidade de macroalbuminúria em uma subanálise pré-determinada do ensaio clínico SURPASS-4. Os resultados foram apresentados na conferência da ADA. "A tirzepatida uma vez por semana comparada ao tratamento diário com insulina glargina resultou em melhora significativa da queda da taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) e da diminuição da razão entre a albumina e a creatinina urinária e do risco de doença renal terminal – com baixo risco de hipoglicemia clinicamente relevante nos participantes com diabetes tipo 2 de alto risco cardiovascular e graus variados de doença renal crônica", resumiu por e-mail ao Medscape o pesquisador responsável, o farmacêutico Dr. Hiddo J.L. Heerspink, Ph.D.

Os principais resultados do SURPASS-4 apontaram que a tirzepatida mostrou-se melhor que a insulina glargina na diminuição da hemoglobina glicada (A1c) nos pacientes com diabetes tipo 2 de alto risco cardiovascular, cuja doença foi inadequadamente controlada com tratamento oral do diabetes. Os pesquisadores demonstraram agora que os pacientes que receberam tirzepatida, contrariamente à insulina glargina, apresentaram risco de queda da função renal de aproximadamente 40% (razão de risco de 0,59; p < 0,05). "Com base nos resultados do estudo SURPASS-4, a tirzepatida tem efeitos significativos de proteção renal nos adultos com diabetes tipo 2 com alto risco cardiovascular e função renal em grande parte normal", disse por e-mail ao Medscape a médica que presidiu a sessão da ADA sobre o tema, Dra. Christine Limonte.

O custo da tirzepatida pode ser de até 12.666 dólares por ano. A Lilly, o laboratório farmacêutico que comercializará o medicamento, tem um preço de lista de 974.33 dólares para quatro doses semanais, independentemente do tamanho da dose. Este preço coloca a tirzepatida aproximadamente na mesma faixa de preço que a semaglutida. Segundo o porta-voz da Lilly, os programas de desconto poderiam reduzir o custo mensal de coparticipação dos pacientes para apenas 25 dólares. Dado o potencial da bincretina para ajudar com o controle da glicemia, a perda ponderal, e possivelmente da função renal, a esperança é que o custo final não seja proibitivo. A empolgação com o potencial do medicamento aprovado recentemente o tornou o tema clínico mais buscado da semana.

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