Covid-19 permanece com ‘incidência muito elevada’ em Portugal, mas com tendência de queda

Giuliana Miranda

30 de junho de 2022

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso  Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

Lisboa – A sexta onda da pandemia da covid-19 em Portugal, que manteve o país por mais de um mês na liderança de novos casos e mortes por milhão de habitantes na União Europeia, já dá sinais de abrandamento.

De acordo com o último relatório de monitorização nacional, a epidemia “mantém uma incidência muito elevada, embora com tendência decrescente”.

Ainda que a mortalidade esteja em queda, Portugal permanece como o país com mais novos óbitos diários por milhão de habitantes na União Europeia, segundo a plataforma Our World in Data, da Oxford University.

“A mortalidade específica por covid-19 (48,6 óbitos em 14 dias por 1 milhão de habitantes) apresenta uma possível inversão da tendência para decrescente. A mortalidade por todas as causas encontra-se acima do esperado para a época do ano, indicando um excesso de mortalidade por todas as causas, em parte associado à mortalidade específica por covid-19”, diz o relatório.

Em junho, o número de mortes diárias por covid-19 em Portugal voltou a subir para os patamares registados em fevereiro, quando o país ainda enfrentava os efeitos da disseminação da variante Ômicron.

Já em relação ao número de novos casos diários nos últimos 7 dias, de acordo com a mesma plataforma, Portugal tem o quarto resultado mais elevado do bloco, atrás de Lituânia, França e Grécia.

Portugal havia assumido a liderança desse indicador no começo de maio e permaneceu na primeira posição até 24 de junho.

O aumento do número de infeções ocorrido nos últimos dois meses causou pressão sobre os hospitais e centros de saúde, que tiveram incremento nas taxas de ocupação.

Segundo o último relatório de situação, entretanto, o número de pessoas com covid-19 internadas em UCI (Unidades de Cuidados Intensivos) já tem uma tendência decrescente.

A quantidade de pacientes internados nessas unidades correspondia a 33,3% do valor de 255 camas ocupadas na UCIs, número estabelecido como valor crítico pelas autoridades. No relatório de análise anterior, essa ocupação estava em 38,4%.

O elevado número de contágios também acabou por desfalcar equipas de profissionais de saúde, complicando as escalas de urgências em um período tradicionalmente já problemático devido a feriados e à proximidade das férias de verão.

Desde o começo da pandemia, Portugal, que tem cerca de 10 milhões da habitantes, já registou mais de 5,15 milhões de casos do novo coronavírus.

O aumento do ciclo de contágios no país começou no fim do abril, momento em que acabou a obrigatoriedade do uso de máscara na maior parte das situações, incluindo em ambientes fechados.

O uso de proteção facial permanece obrigatório em ocasiões pontuais, como em transportes públicos e em estabelecimentos de saúde.

Para especialistas, o alívio das restrições, combinado à circulação de uma sublinhagem mais contagiosa, contribuíram para o quadro.

Detectada pela primeira vez no país no fim de março, a sublinhagem BA.5 da variante Ômicron é dominante, com 88% de frequência relativa.

“Esta linhagem tem revelado uma maior capacidade de transmissão, a qual é potencialmente mediada por mutações adicionais com impacto na entrada do vírus nas células humanas e/ou pela sua capacidade de evasão à resposta imunitária”, diz o relatório assinado pela DGS (Direção-Geral da Saúde) e pelo Instituto de Saúde Pública Ricardo Jorge.

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