Infecção por variante Ômicron apresenta metade do risco de covid-19 prolongada do que Delta

Carolyn Crist

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28 de junho de 2022

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A variante Ômicron do novo coronavírus está associada a aproximadamente metade do risco de causar covid-19 prolongada em relação à variante Delta, de acordo com um novo estudo publicado no periódico The Lancet.

Além disso, cerca de 5% das pessoas que contraem a variante Ômicron ainda apresentam sinais e sintomas como confusão mental, fadiga, cefaleia, alterações cardíacas e outros problemas de saúde pelo menos um mês após a infecção. O estudo é considerado uma das primeiras grandes publicações sobre os riscos de longo prazo da Ômicron.

“A pergunta básica que estamos tentando responder é: ‘A covid-19 prolongada é tão comum no período Delta como no período Ômicron?’ questionou à NPR Claire Steves, uma das autoras do estudo e epidemiologista genética do King's College London, no Reino Unido.

“Qual é o risco de evoluir para covid-19 prolongada, dadas as diferentes variantes?”, disse.

Claire e colaboradores têm rastreado milhares de pessoas que tiveram exame positivo para SARS-CoV-2 para determinar os riscos de covid-19 prolongada com diferentes variantes. Os pesquisadores compararam mais de 56.000 pessoas no Reino Unido infectadas pela Ômicron entre dezembro de 2021 e março de 2022 com mais de 41.000 pessoas no Reino Unido infectadas pela Delta entre junho de 2021 e novembro de 2021.

Os pacientes rastrearam seus sinais e sintomas usando o aplicativo COVID Symptom Study. Aqueles que foram infectados pela variante Ômicron apresentaram cerca de metade da probabilidade de ainda terem problemas de saúde um mês após a doença do que aqueles infectados pela Delta. A chance de evoluir para covid-19 prolongada com a Ômicron foi de 4,5% em comparação com 10,8% com a Delta.

O risco reduzido é “uma ótima notícia”, disse Claire, especialmente porque a Ômicron é tão contagiosa que muitas pessoas foram infectadas rapidamente. Se o risco de contrair covid-19 prolongada fosse igual ou superior ao da variante Delta, o número de pessoas com covid-19 prolongada teria explodido, explicou.

Mas o risco menor não significa que as pessoas não devam se preocupar com a covid-19 prolongada, alertou.

“A ressalva é que a variante Ômicron se disseminou muito rapidamente por nossas populações e, portanto, um número muito maior de pessoas foi afetado”, disse Claire. “Então, o número absoluto global de pessoas que devem ter covid-19 prolongada, infelizmente, deve aumentar”.

O estudo não abordou por que a Ômicron tem um risco menor de causar covid-19 prolongada, embora Claire tenha dito que o achado faz sentido, uma vez que a variante também tende a ter um risco menor de causar a forma grave da doença.

Especialistas em covid-19 prolongada disseram à NPR que estudos futuros devem confirmar os dados em serviços médicos e os achados devem guiar as medidas de saúde pública.

“Estamos dizendo, por exemplo: ‘Você pode tirar sua máscara em aviões. Você não precisa mais ser vacinado para entrar em um restaurante.’ Todas essas decisões políticas aumentarão a probabilidade de as pessoas serem infectadas pelo SARS-CoV-2, enquanto ainda há 5% de chance de doenças crônicas graves”, alertou à NPR o Dr. David Putrino, Ph.D., que trata pacientes com covid-19 prolongada no Mount Sinai, nos Estados Unidos.

“Isso é equivocado e vai criar muitas incapacidades no longo prazo que não precisavam existir”, sentenciou.

Fontes:

The Lancet: "Risk of long COVID associated with delta versus omicron variants of SARS-CoV-2."

NPR: "Omicron poses about half the risk of long COVID as delta, new research finds."

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