Temas mais buscados em junho de 2022: Varíola símia

Ryan Syrek

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24 de junho de 2022

Ao final de cada semana nós identificamos o tema mais buscado no site do Medscape, procuramos compreender o que motivou a tendência e então compartilhamos um breve resumo sobre o tema acompanhado de um infográfico. Dúvidas ou sugestões? Entre em contato conosco pelo Twitter ou pelo Facebook

Embora a Organização Mundial de Saúde tenha afirmado que não acredita que a varíola símia, provocada pelo vírus monkeypox, se torne uma pandemia na escala da covid-19, as preocupações com o recente surto mundial levaram ao tema clínico mais importante da semana. Até pouco tempo, a doença era limitada principalmente à África Central e Ocidental. No entanto, 2022 tem visto um aumento importante dos casos em todo o mundo (ver Infográfico).

Os sintomas da varíola símia aparecem geralmente de 5 a 21 dias após a infecção como febre, calafrios e linfadenomegalia. Em um a três dias após o início da febre, geralmente aparece um exantema, seguido da formação das lesões típicas da doença causada pelo vírus monkeypox. Estas evoluem de máculas a pápulas, vesículas, pústulas e crostas, antes de cair.

Sabe-se que o vírus monkeypox se espalha por meio de contacto próximo. As pessoas infectadas excretam o vírus pelas lesões ou grandes gotículas respiratórias. Embora alguns especialistas discordem, os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) rejeitaram as sugestões de disseminação por via aérea. Muitos dos casos confirmados até agora foram entre parceiros sexuais. Os CDC também citaram dados preliminares sugerindo que homossexuais, bissexuais e outros homens que praticam sexo com homens respondem por um alto número de casos. Descobertas recentes na Itália sugerem que fragmentos do vírus monkeypox foram detectados no sêmen.

A maior parte dos casos disseminados no Reino Unido, na Europa e nos Estados Unidos são da mesma linhagem. No entanto, pesquisadores também identificaram uma variante do vírus monkeypox. As duas linhagens parecem ter evoluído das atuais existentes na Nigéria desde pelo menos 2017, quando o país teve o seu primeiro surto há mais de 40 anos.

Embora atualmente licenciadas nos Estados Unidos especificamente para prevenir a varíola, a ACAM200 e a JYNNEOS são duas vacinas com eficácia reconhecida contra o vírus monkeypox. Os CDC sugerem que as vacinas possam ser pelo menos 85% eficazes na prevenção da doença. No que se refere às estratégias de prevenção que não envolve vacinação, o European Centre for Disease Prevention and Control (CEPCD) forneceu orientações:

  • contactantes próximos de casos de doença provocada pelo vírus monkeypox devem estar atentos ao aparecimento de sintomas até 21 dias transcorridos desde sua exposição mais recente.

  • Os profissionais de saúde devem usar equipamento de proteção individual adequado durante a triagem ou quando trabalharem com casos confirmados.

  • Os contactantes próximos não devem doar sangue, órgãos ou medula óssea durante, pelo menos, 21 dias a partir do último dia de exposição.

As orientações de prevenção dos CDC têm sido equívocas. Após emitir uma recomendação sobre o uso de máscara, a organização mais tarde voltou atrás a esse respeito. Isto ocorreu por medo de que a sugestão "causasse confusão," disse um porta-voz dos CDC em uma declaração para a Reuters. "O problema com essa afirmação é que ela pode ser interpretada como se máscaras fossem a solução para prevenir a transmissão do vírus monkeypox, o que não é o caso", acrescentou a médica Dra. Shira Doron, especialista em doenças infeciosas e epidemiologia hospitalar no Tufts Medical Center nos Estados Unidos. "As máscaras teriam um efeito desprezível na transmissão do vírus monkeypox", disse a especialista em entrevista para o Medscape.

Quanto ao tratamento, o tecovirimate foi aprovado para o tratamento da varíola nos Estados Unidos, mas pode ser usado para os pacientes com varíola símia, seguindo um protocolo dos CDC de acesso expandido ao fármaco. As orientações do European Centre for Disease Prevention and Control afirmam que o tecovirimate é o único medicamento antiviral autorizado pela Agência Europeia de Medicamentos – com indicação para tratar a infeção por ortopoxvírus. O brincidofovir, outro medicamento utilizado para tratar a varíola, não foi autorizado na União Europeia, mas foi autorizado pela Food and Drug Administration dos EUA.

À medida que os números de casos continuam a aumentar, também o interesse pelas informações sobre o porquê e como o vírus monkeypox está se disseminando, bem como os passos para prevenir e tratar a doença. À medida que o panorama fica mais claro, é provável que a doença permaneça entre os temas clínicos mais buscados, como foi o caso esta semana.

Veja um slideshow com imagens relacionadas à varíola símia.

Leia mais sobre como prestar assistência a pacientes com suspeita de varíola símia.

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