42º Congresso da SOCESP: um dia dedicado aos desafios atuais e avanços da cardiologia digital

Mônica Tarantino

23 de junho de 2022

Seja no Brasil, nos Estados Unidos ou na Dinamarca, as sociedades médicas estão batalhando para controlar os custos da incorporação de tecnologias digitais e dos cuidados com a saúde, afirmou o cardiologista norte-americano Dr. Edward Fry, presidente do American College of Cardiology (ACC), na cerimônia de abertura do 42º Congresso da Sociedade de Cardiologia de São Paulo (Socesp), que ocorreu entre os 16 e 18 de junho de 2022. Na manhã do dia 16, ele também falou a uma plateia que lotou os dois auditórios principais do Transamerica Expo Center, em São Paulo, sobre os progressos e desafios da incorporação de tecnologias digitais, como o monitoramento remoto, o cuidado virtual com os pacientes e os dispositivos vestíveis, conhecidos como wearables. Cardiologista intervencionista e especialista em farmacocinética, farmacodinâmica e genética, o Dr.  Edward também administrou sistemas em mais de 150 hospitais.

Apesar da disseminação de aplicativos (há mais de 350 mil na área da saúde) e dispositivos vestíveis, o Dr. Edward disse que “é um tanto decepcionante que a forma como interagimos com os pacientes realmente não evoluiu muito nos últimos 60 anos. Um pouco transitoriamente durante a pandemia, alavancamos a telessaúde até certo ponto, mas em muitas circunstâncias voltamos a atender pacientes da maneira como costumávamos fazer no passado”.

Os caminhos para mudar esse cenário? Em entrevista ao Medscape, o cardiologista norte-americano chamou a atenção para a necessidade de gerenciar aspectos da implantação das tecnologias digitais para que elas possam trazer benefícios em vez de se tornarem um fardo.

“O ponto é ter cuidado com o grande volume de dados que as tecnologias digitais aplicadas à saúde estão gerando. Temos muitos exemplos em que os registros eletrônicos, que deveriam ser uma ferramenta benéfica, se tornam uma dificuldade. Se isso sobrecarrega a capacidade humana e cria problemas, ficamos cegos pela quantidade de informações e acabamos perdendo a agulha no palheiro”, pontuou o especialista.

“Com o tempo, aprenderemos as lições e a gerenciar essas informações para que se tornem úteis. Usaremos a própria inteligência artificial para gerenciar a inteligência artificial”.

Um exemplo bem-sucedido mencionado pelo Dr. Edward é a aplicação da inteligência artificial (IA) para ler e analisar exames coronarianos. “Isso reduz a quantidade de tempo que o clínico gasta, que pode chegar a cerca de 20 minutos; com a IA, a duração foi reduzida para cerca de quatro minutos. Com isso, podemos passar um pouco mais de tempo com os pacientes e seus familiares e entender as suas necessidades”.

Ele comentou também que, “para enfatizar a importância do clínico na gestão e no cuidado do paciente”, a universidade onde ensina e pesquisa passou a chamar inteligência artificial de inteligência colaborativa.

Para se ter uma ideia do alcance das novas tecnologias, um terço dos millennials nos Estados Unidos já usam dispositivos vestíveis para monitorar sua própria saúde. “Quase 70% dos médicos usam dados de dispositivos vestíveis no acompanhamento de seus pacientes. E esta é uma enorme indústria médica, estimada em aproximadamente 20 bilhões de dólares por ano nos Estados Unidos”, comentou o Dr. Edward. O médico disse ainda que gosta de dividir o monitoramento em duas situações: o monitoramento pessoal, como o uso de um Apple Watch usado para condicionamento físico, bem-estar e avaliação de risco pessoal; e o monitoramento em que os dados são compartilhados com a equipe de saúde e a origem das informações são dados extraídos do paciente, o que inclui o monitoramento remoto de dispositivos como marca-passos.

Obviamente, há muitos desafios para o gerenciamento desse volume de dados. “Ficamos tão apaixonados pela tecnologia do futuro que talvez por isso tenhamos desviado a atenção e os recursos. Precisamos nos certificar de que estamos prestando atenção aos problemas de saúde que são importantes e onipresentes e que precisam ser tratados”, disse o médico, que mencionou a epidemia de hipertensão arterial. Para ele, é o momento de investir na transformação da prestação do cuidado e de alavancar as tecnologias digitais para ter maior eficiência.

“Precisamos de regulamentação e certificação de que o que estamos fazendo é realmente validado e preciso, mas atualmente ainda não temos muitos dados clínicos ou ensaios randomizados com dados relacionados ao monitoramento vestível ou remoto de pacientes”, comentou o professor. Como bons exemplos, o médico cita um estudo feito com cerca de 400 mil usuários de Apple Watch e um estudo mais recente com pacientes com insuficiência cardíaca, para monitoramento desses pacientes e redução das taxas de hospitalização.

Segundo o Dr. Edward, mais um salto de qualidade é o uso combinado de biossensores e resultados relatados pelo paciente em questionários alavancados com inteligência artificial. “Essa associação pode se tornar muito poderosa”, disse o médico, lembrando que o método foi aplicado pelas universidades da Califórnia e Oakland, nos Estados Unidos, para avaliar se a população estudantil tinha covid-19 e se deveria ir às aulas ou se isolar.

“Estamos à beira de um mundo totalmente novo com outras tecnologias de monitoramento. Já existe tecnologia que usará o reconhecimento facial para detectar níveis de dor, ajudar no controle da dor, na detecção de depressão ou doença mental e, até mesmo, na identificação de embolia pulmonar. Em termos clínicos, há também o reconhecimento facial de algoritmos que podem detectar distúrbios genéticos raros na população pediátrica por meio de uma iniciativa chamada iniciativa Face to Gene.

Porém, há sempre o lado B. Uma das grandes preocupações relacionadas ao monitoramento onipresente é a privacidade e segurança pessoal e dos dados, além das preocupações com possíveis danos e invasões de hackers.

“Além do entusiasmo inicial por novas tecnologias, muitos pacientes têm resistência e muitos de nós estão preocupados com a suspeita sobre quem poderia usar os dados pessoais e para que fins. Isso é algo que temos que levar em consideração. Assim como pensamos no uso crescente de dispositivos vestíveis e monitoramento remoto de pacientes e atendimento virtual e digital, o que realmente estamos procurando é tentar criar um ecossistema de saúde digital reunindo atendimento virtual, remoto, monitoramento de pacientes, análise e atendimento digital de uma maneira que melhore o acesso e os resultados, reduza custos e aprimore a experiência do paciente”, disse o Dr. Edward.

Perguntado pelo Medscape se gostaria de deixar uma mensagem aos cardiologistas brasileiros, o Dr. Edward reforçou a necessidade de não temer a tecnologia. “Devemos abraçar as novas tecnologias. Perceba que estamos nos estágios iniciais da tecnologia, faça dela uma ferramenta para realmente auxiliar e mantenha o paciente no centro dos novos recursos”, disse o médico.

Apesar das questões pendentes, a aceitação das tecnologias digitais cresce entre os pacientes e entre os médicos, especialmente se ainda estiverem estudando. “Na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, cerca de 30% dos nossos alunos dizem que querem trabalhar em áreas afins. Eles querem ser empreendedores e ter ligação principalmente com tecnologia da informação para poderem interagir mais com a área médica”, disse o Dr. Fábio Biscegli Jatene em sua apresentação na abertura do evento. O Dr. Fabio é professor titular de cirurgia cardiovascular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular do Instituto do Coração (InCor), além de integrante do conselho editorial da Revista da Socesp.  

O Dr. Fábio trouxe dados de uma pesquisa recente feita nos Estados Unidos em que 56% dos entrevistados se disseram muito interessados em compartilhar dados de dispositivos vestíveis com os médicos. Além disso, três em quatro pacientes (36%) irão escolher um médico com base no princípio de que o profissional gosta ou está disposto a usar informações de dispositivos vestíveis. E mais, 85% responderam que gostariam que o seu médico prescrevesse metas de saúde para monitorar o usuário com seu dispositivo pessoal. “Isso é muito impactante. Nós estamos dentro de um processo grande de mudança, navegando em um ecossistema de cuidados de saúde em rápida transformação. Precisamos ter a cabeça e a mente abertas para esses novos tempos”, disse o médico.

Os desafios são potencializados pela geração exponencial de dados, agora medidos em zetabytes. “Cerca de 30% do volume de dados são gerados pelo setor de saúde, mas em 2025 a estimativa é de isso chegue a 36%, acima dos bancos. Isso é muito impactante”, disse o palestrante. Como lidar com esse tsunami de informações diante das limitações da capacidade cognitiva humana? “Nós vamos ter que trabalhar baseados em princípios e utilizando ferramentas que possam nos auxiliar a tomar decisão, porque é absolutamente impossível gerenciar todo esse volume de informações”, disse o professor Fábio.

O impacto dos custos para a incorporação das novas tecnologias ao sistema de saúde é mais um foco de preocupação. “A incorporação tem custo e nós temos que pensar realisticamente no que isso representa. Os custos da saúde do Brasil entre 2000 e 2010 saltaram de 19 para 62 milhões de dólares. E se nós tomarmos o setor privado, isso dá mais ou menos o dobro. Já a população brasileira nesse período cresceu 3%, e houve um aumento de 30% dos gastos com saúde. Uma parte desse aumento é relacionada à incorporação”, informou o professor. Por conseguinte, frisou que a incorporação e o embarque de tecnologia precisam ser feitos de forma inteligente e econômica.

Em entrevista ao Medscape, o Dr. Fábio disse que não há uma solução pronta para equacionar o custo. “De maneira geral, os avanços são muito bem-vindos, mas os problemas relacionados, como aumento dos custos e dificuldades, também são muitos, principalmente em um país como o nosso, que tem muita dificuldade e não tem tecnologia própria”. Na visão do especialista, o desenvolvimento de tecnologias próprias nessa área poderia ajudar a reduzir os custos. “Estamos trabalhando forte nisso no InCor. Criamos, desde 2015-2016, o Inova InCor, na tentativa de tentar incorporar e trabalhar com novas tecnologias”.

Durante o congresso, a mesa internacional “Saúde Digital é internacional: Experiências da Dinamarca e do Brasil” abordou a realidade da medicina digital e os desafios dos dois países. Nesse debate, o Dr. Fábio falou sobre as intervenções robóticas à distância. “De maneira geral, quase todas as especialidades podem ter a intervenção e atuação da robótica. Entre as perspectivas da cirurgia robótica, ela realiza a mesma operação com incisões menores e com menor tempo de hospitalização, tentando trazer menos efeitos colaterais e adversos, como menos dor e perda sanguínea”, disse o pesquisador. Segundo ele, a tecnologia robótica avançou muito, enquanto a telecirurgia avançou menos porque depende principalmente de infraestrutura e da perspectiva da transmissão. “A perspectiva é que a telecirurgia possa se aprimorar mais com a chegada da tecnologia 5G, que ainda não está entre nós”. 

Segundo o Dr. Fabio, o Brasil tem hoje 75 equipamentos robóticos instalados, a nona maior capacidade do mundo. “A maioria desses robôs está em hospitais privados, mas alguns deles estão em hospitais públicos, como por exemplo o do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)”, contou o especialista. Cerca de 13 mil procedimentos robóticos são feitos no país, a maioria cirurgias urológicas de próstata.

“Em cirurgia cardiovascular, a cirurgia robótica não avançou muito em função da dificuldade de se manusear grandes vasos muito nobres e por ser mais difícil a adaptação a essas regiões do organismo”, pontuou o Dr. Fábio. Para ele, uma das principais vantagens da cirurgia robótica é a possibilidade de realizar operações à distância, em locais remotos, onde não existam especialistas capacitados. No entanto, a cirurgia demanda infraestrutura específica, como rede elétrica e internet estável, bem como segurança contra hackers em ambientes hospitalares, o que nem sempre condiz com a realidade dos locais que também carecem de médicos capacitados.

A perspectiva de chegada da tecnologia 5G no Brasil, muito aguardada, é a esperança também de solucionar o problema da latência do sinal (a diferença entre o que está sendo feito pelo cirurgião e o que está sendo providenciado à distância).

“Na verdade, os problemas não estão bem solucionados”, disse o Dr. Fábio. A segurança permanece como uma limitação, assim como a dificuldade com redes de transmissão potentes, a exemplo do 5G. “Aqui no nosso meio, nós pensamos em fazer a chamada teleconferência do ato cirúrgico: você pode fazer a discussão do caso através de transmissão simultânea do local onde está sendo feita a operação para a equipe que vai ajudar na realização do procedimento”, explicou.

“Com base nisso, nós fizemos convênios para tentar desenvolver um projeto de teleconferência do ato cirúrgico, e não de cirurgia robótica à distância. Isso caminhou e nós hoje estamos próximos de realizar esse tipo de operação”, disse o Dr. Fábio.

“Teremos uma equipe capacitada a realizar essa operação, mas que ficará à distância tentando fazer uma teleconferência e participando da operação, que estará sendo realizada no hospital em São Luís do Maranhão. A ideia é que nós possamos operar crianças com problemas congênitos através de plataformas que desenvolvemos. Vamos poder acompanhar todos os dados em tempo real, como pressão arterial, frequência cardíaca, os parâmetros de respiração, o uso de medicamentos, os parâmetros da circulação. Nós vamos também utilizar vários métodos de saúde digital para que possamos preparar essa operação. Tudo isso está previsto para daqui a 60 dias, aproximadamente”, informou o médico.

Já o cardiologista Dr. Peter Karl Jacobsen falou sobre os desenvolvimentos recentes em medicina digital e inovação. Ele é chefe em Cardiologia e da Equipe de Tecnologia Cardíaca e Eletrofisiologia Invasiva no Rigshospitalet, da Københavns Universitet. A maior parte desse hospital é destinada ao atendimento de crianças especiais e com doenças congênitas. Segundo o Dr. Peter, além do envelhecimento da população e do aumento das doenças crônicas, há mais um fenômeno que está aumentando a demanda no mundo clínico.

“O ponto é que está todo mundo se automonitorando. Além das pessoas com doenças, estamos enfrentando uma demanda de pessoas que querem se manter saudáveis. Então, estamos saindo dos hospitais e chegando na população em geral quando falamos da saúde digital. Também estamos lidando com algo que é mais próximo à saúde contínua: vamos tratar de pacientes desde o nascimento até a morte se eles tiverem alguma doença cardiovascular”, disse o Dr. Peter. Por isso, o médico está acrescentando novos membros à equipe, que agora inclui não apenas profissionais de saúde, mas também empresas de tecnologia, autoridades e reguladores e departamentos de TI para garantir a segurança da conectividade. 

O especialista observa que a acessibilidade e a conectividade estão aumentando drasticamente no mundo e grande parte desse aumento tem a ver com os dispositivos vestíveis e os dispositivos de monitoramento, que vivem uma explosão das possibilidades. “Acho que agora temos pelo menos 4,5 mil tipos de dispositivos vestíveis e mais de mil aplicativos em saúde digital. São cerca de 250 novos aplicativos todo dia”, disse o cardiologista. O problema é que isso gera um exagero de dados.

“A nossa tarefa com a parte clínica disso é realmente focar nos problemas, tecnologias e sensores mais relevantes, nas análises e dados mais necessários e nos melhores métodos. Eu não tenho todas as respostas, mas pelo menos nós estamos lidando com essa discussão de como definir o problema e como um caso pode ser resolvido pela tecnologia”, detalhou o pesquisador.

Um dos caminhos encontrados pelo grupo do Dr. Peter foi criar um modelo do paciente que está sendo tratado e simular como ele reagiria a determinada opção terapêutica. “Nós fizemos isso com uma empresa de dispositivos eletrônicos e geramos uma parceria técnica de dois anos. Nós definimos os casos clínicos e eles constroem os modelos, implementando soluções para ajudar na tomada de decisão”, relatou o médico. Segundo ele, os casos são comparados com um banco que reúne os dados dos procedimentos realizados nos últimos cinco anos (cerca de 100 mil).

“Consideramos as características básicas de todos os pacientes, o status da doença coronária, se está estabilizada ou não, os resultados e os números atribuídos ou relacionados e comparamos para ver as chances de mortalidade e de nova hospitalização. Ou seja, assim temos melhores chances de decidir o tratamento em conjunto com o paciente, com base nos dados históricos locais, e essa decisão, claro, pode ser interativa”.  Para o médico, o futuro é animador.

Também poderia nos ajudar a otimizar os custos nos serviços de saúde do futuro e a nossa experiência é que as soluções simples para os problemas clínicos relevantes vão ter os impactos mais importantes. “Nossa experiência mostra que soluções simples e que trazem ganhos clínicos relevantes terão o maior impacto. Você deve começar pelo simples. Mas a chave seria a necessidade de maior colaboração entre as equipes. Se você quiser ir rápido, pode ir sozinho, mas não acho que seja uma boa ideia. Se você quer ir longe, você precisa ir junto”, disse o Dr. Peter.

O centro chefiado pelo Dr. Peter no Rigshospitalet é também o principal usuário de tecnologia robótica avançada para o tratamento de arritmias cardíacas dentre uma centena de hospitais em todo o mundo. A tecnologia robótica ali empregada foi projetada para reparar, com maior segurança e precisão, os circuitos elétricos do coração em um procedimento minimamente invasivo chamado ablação cardíaca. Em maio deste ano, a equipe comemorou a realização de mais de cinco mil procedimentos desse tipo, incluindo casos complexos sem indicação para os tratamentos tradicionais. Entre as milhares de pessoas que se beneficiaram da ablação robótica estão crianças e pacientes com cardiopatias congênitas. Sem dúvida, um feito importante que reflete o impacto que o Rigshospitalet teve no avanço do atendimento ao paciente, na ciência clínica e no desenvolvimento de tecnologia em eletrofisiologia.

A médica dinamarquesa Dra. Diana Frodi, fellow do Departamento de Cardiologia da Københavns Universitet, foi convidada para falar sobre os desafios futuros para o uso de dispositivos vestíveis e inteligência artificial. Na definição dela, é um universo que abrange desde telefones móveis a smartwatches, sensores ópticos, rastreadores de atividades, aplicativos de saúde, medidores para ecocardiograma manuais ou em aplicativos, dispositivos implantados ou externos.

Para responder à pergunta sobre como os dispositivos vestíveis estão sendo usados na Dinamarca, ela compartilhou o caso de um menino de seis anos de idade. “Ele teve sintomas cuja causa não conseguimos detectar. Porém, durante o período em que apresentou os sintomas novamente, o menino usou o smartwatch do pai e os dados foram apresentados ao chegar na clínica. O menino foi imediatamente hospitalizado por causa das imagens. No laboratório descobrimos uma alteração elétrica com ajuda dessa informação que eles trouxeram”, contou a médica.

Para ela, a pergunta central é como os médicos podem entender melhor e explorar esse recurso no dia a dia dos seus pacientes. “Isso foi avaliado pela Dansk Cardiologisk Selskab, que enviou um questionário aos médicos em 2018. Os resultados da pesquisa mostraram que ao menos metade dos 291 participantes já recomendava uso de aplicativos ou dispositivos aos pacientes, especialmente quando o diagnóstico de sintomas ainda era incerto”. Além disso, a maioria apontou a necessidade de mais diretrizes sobre o assunto. “O futuro indica que é importante selecionar bem os pacientes e definir as perguntas clínicas relevantes considerando os ganhos possíveis”, pontuou a Dra. Diana.

Mais um desafio, segundo a médica, é a desigualdade social, com diferenças na capacidade econômica e no nível de alfabetização digital. “Há o risco de falso-negativos nos grupos com menor acesso e capacidade digital e de aumento de ansiedade por causa das informações disponíveis e das preocupações com compartilhamento de dados”, disse ela.

“Também é importante melhorar as diretrizes de uso e análise de dados e fazer parcerias com os criadores de políticas públicas, pois os dispositivos vestíveis chegaram e não há muito o que se questionar sobre isso”.

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