Clube de Revistas de pediatria: junho de 2022

 Dr. Fernando Lyra

Notificação

21 de junho de 2022

Neste artigo

3. Eventos trombóticos em crianças com quadros graves associados à infecção pelo SARS-CoV-2: covid-19 ou SIM-P

No estudo, os autores buscaram atualizar a literatura médica em relação aos eventos trombóticos e a tromboprofilaxia em crianças com infecção grave por SARS-CoV-2.

Eles relatam diversos estudos e concluem que há alto risco de trombose para crianças com quadros graves de covid-19 ou síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P), com destaque para os pacientes pediátricos com idade mais avançada que apresentam fatores de risco de trombose. Apesar de serem necessários mais estudos, e ainda não ter sido estabelecida uma conduta ideal, os autores indicam que a tromboprofilaxia é bem tolerada e deve ser considerada para determinados pacientes da pediatria com covid-19 ou SIM-P.

Eles citam que a utilidade do D dímero como preditor de trombose é limitada, apesar de, quando elevado, ter sido associado a eventos trombóticos.

Os autores apresentam as diretrizes do Children’s Hospital of Philadelphia, nos Estados Unidos, para crianças com covid-19 grave maiores de 12 anos e para menores de 12 anos que necessitem de entubação e cateter venoso central, além de acometidos por SIM-P e com mais de 12 anos:

  • Enoxaparina a cada 12 horas, mantendo o anti-X ativado (anti-Xa) em 0,2 a 0,4 U/ml. Eles destacam que o uso pediátrico da enoxaparina não foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA.

Para crianças menores de 12 anos com SIM-P, os autores recomendam baixas doses de ácido acetilsalicílico (AAS), desde que não haja contraindicação de uso.

Para lembrar :

  • Crianças e adolescentes com condições crônicas têm mais chances de internação em unidade de terapia intensiva (UTI) e de óbito do que crianças e adolescentes sem comorbidades.

  • O uso de baixas doses de AAS (3 a 5 mg/kg/dia; máximo 81 mg/dia) é recomendado para crianças com SIM-P pelo American College of Rheumatology até a normalização da contagem de plaquetas e a confirmação de normalidade das artérias coronárias até pelo menos quatro semanas após o diagnóstico.

  • O tratamento com AAS deve ser evitado em pacientes com sangramento ativo, risco de sangramento significativo e/ou plaquetas ≤ 80.000 μl.

  • Recomendo a leitura do artigo na íntegra.

Referência:
Dain, A. S., Raffini, L., & Whitworth, H. (2022). Thrombotic events in critically ill children with coronavirus disease 2019 or multisystem inflammatory syndrome in children. Current Opinion in Pediatrics, 34(3), 261-267.

Siga o Medscape em português no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE
Comentários são moderados. Veja os nossos Termos de Uso

processing....