Dormir demais pode aumentar o risco de câncer? Há quem diga que sim

Megan Brooks

Notificação

20 de junho de 2022

Segundo um recente estudo japonês, a quantidade de sono diária pode ser um fator de risco de câncer modificável.

Os achados revelaram que dormir a partir de 10 horas por dia pode aumentar o risco de câncer para mulheres e o risco morte por câncer tanto para mulheres como para homens. 

De acordo com os pesquisadores, seus achados podem contribuir para o aperfeiçoamento das recomendações de sono no Japão, que atualmente preconizam que trabalhadores adultos de meia-idade durmam “o máximo possível”.

Em relação à incidência de câncer e ao risco de morte para adultos japoneses, os novos achados sugerem que “talvez seja mais seguro” que os homens durmam de 6 a 8 horas por dia e as mulheres de 6 a 9 horas, concluíram os autores.

Os achados foram publicados on-line em 26 de maio no periódico International Journal of Cancer

A literatura médica sobre o tempo de sono e risco de câncer é conflitante. Três metanálises realizadas entre 2016 e 2019 concluíram que dormir mais horas por dia, mas não menos, estaria associado a um risco ligeiramente maior de morte por todos os tipos de câncer.

Uma metanálise à parte, realizada em 2018, concluiu que não haveria relação entre a quantidade de horas de sono por dia (nem muitas nem poucas) e a incidência de câncer; porém, na análise estratificada, houve uma associação entre menos horas de sono e um aumento no risco de câncer, de 36%.

Para analisar mais a fundo, os pesquisadores agruparam dados de seis coortes populacionais que incluíram 271.694 adultos (126.930 homens e 144.764 mulheres) com um total de 40.751 novos casos de câncer e 18.323 mortes por câncer durante um acompanhamento de cerca de 5,9 milhões de pessoa-anos.

Na análise multivariada, não foi identificada associação entre dormir mais tempo por dia e a incidência total de câncer entre os homens. Entre as mulheres, no entanto, dormir a partir de 10 versus 7 horas por dia foi associado a um aumento de 19% no risco de câncer.

Além disso, dormir a partir de 10 horas por dia foi associado a um aumento do risco de morte por câncer para mulheres (razão de risco [RR] de 1,44) e homens (RR de 1,18).

Dormir até 5 horas por dia (vs. 7 horas) não foi associado a incidência de câncer ou morte pela doença. Entretanto, entre mulheres na menopausa, dormir por menos tempo aumentou o risco de morte por câncer (RR de 1,15).

Os autores destacaram vários pontos fortes da análise, como o grande tamanho da amostra, a estratificação dos resultados pelo índice de massa corporal e a presença de menopausa, o que poucos estudos anteriores fizeram.

As limitações incluíram o fato de a duração do sono ter sido reportada pelos participantes e a ausência de dados sobre a qualidade do sono. Os pesquisadores observaram que o mecanismo pelo qual o tempo de sono pode influenciar na incidência e mortalidade por câncer não está claro, no entanto, é provável que seja complexo e específico de acordo com a localização do câncer.

Também é possível que a causalidade reversa possa explicar as associações entre duração do sono, ocorrência de câncer e a mortalidade por câncer. Por exemplo, a dor oncológica pode prejudicar o tempo e a qualidade do sono. No entanto, a análise de sensibilidade não encontrou evidências de causalidade reversa ou outros fatores de confusão.

Com base nesses achados, os pesquisadores disseram que a duração do sono "pode ser uma importante variável a ser incluída nos modelos de previsão de incidência de câncer e risco de mortalidade".

O estudo não teve financiamento específico. Os autores informaram não ter conflitos de interesses.

Int J Câncer. Publicado on-line em 26 de maio de 2022. Abstract.

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