Médicos portugueses criam "escape room" de enigmas clínicos

Giuliana Miranda

14 de junho de 2022

Portugal – Populares em várias partes do mundo, os chamados “escape games”, em que os participantes precisam desvendar uma série de enigmas para conseguir escapar de uma sala fechada, ganharam uma versão exclusiva para médicos.

Batizado como Hospital Gateway , o jogo desafia profissionais de saúde, em grupos entre três e cinco pessoas, a desvendarem uma série de enigmas clínicos em até 45 minutos.

O jogo é ambientado em uma espécie de processo seletivo de alta competição, onde a fictícia “Fundação Noronha de Castro” está em busca da melhor equipa médica para liderar um centro internacional a ser aberto em Portugal.

Nesse ambiente imersivo, os médicos são confrontados com vários desafios e decisões clínicas para mostrar que podem chefiar o projeto proposto pela fundação.

Por meio de um software, as equipas podem analisar a história clínica dos pacientes, prescrever exames e medicamentos, e ainda realizar várias outras interações.

O objetivo é proporcionar os melhores cuidados clínicos, ao mesmo tempo em que se resolvem os enigmas apresentados.

“É uma experiência bastante imersiva. Quando entram nesta sala 4 a 5 pessoas, com o tempo a contar, com estresse, com pressão, com questões clínicas que precisam ser respondidas, isso começa a criar uma tensão que replica o que acontece no dia a dia dos profissionais de saúde”, explicou a Dra. Sofia Carmezim Pereira, gerente de produto do clinical escape game.

Além da componente clínica, os elementos comportamentais também são considerados. Todo o processo de interação entre os participantes é monitorado a distância por uma equipa médica. Ao fim do jogo, sendo ele concluído ou não com sucesso, os organizadores fornecem uma análise detalhada do desempenho das equipas.

“O debriefing após o desafio é a parte mais importante. Temos um momento de partilha de experiências, em que analisamos o que correu bem e o que correu mal. (…) Mesmo quando tudo vai bem, há sempre margem para ver o que poderia melhorar. Exploramos também os momentos de comunicação e os conflitos que existiram”, completou a Dra. Sofia.

O Hospital Getaway foi criado por duas start-ups portuguesas da área de saúde, a Nobox e a UpHill, e funciona no centro de formação do Hospital da Luz, em Lisboa.

Há sessões periódicas, ao preço de 250 euros cada, que devem ser reservadas com antecedência através do site da iniciativa. Atualmente, com o patrocínio de uma farmacêutica, há uma versão focada em hemofilia que pode ser jogada gratuitamente pelos profissionais.

Além de ajudar a treinar as competências clínicas e comportamentais, o jogo também foi pensado como uma estratégia de team building. O desafio é completamente adaptável a qualquer especialidade médica.

A versatilidade do conteúdo permitiu também criar uma versão móvel do desafio, batizada de Patient Getaway, que tem sido levada para uma série de congressos da área médica em Portugal.

Com o equipamento portátil, os organizadores conseguem transportar a proposta para quer lugar. Câmaras e microfones adaptados, que conseguem captar bem as vozes mesmo com o uso de máscaras, garantem que os sistemas de monitorização e debriefing funcionem também na versão móvel do jogo, que é 15 minutos mais curta do que a original.

Os responsáveis dizem não conhecer iniciativas semelhantes em outros países, mas consideram que têm capacidade de adaptar o Hospital Getaway facilmente para outros mercados e idiomas.

Siga o Medscape em português no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE
Comentários são moderados. Veja os nossos Termos de Uso

processing....