Relação entre níveis séricos de vitamina D e o pé diabético: estudo em pré-impressão

Miriam E. Tucker

Notificação

10 de junho de 2022

O estudo resumido neste artigo foi publicado no servidor de pré-impressão ResearchSquare , e ainda não foi revisado por pares.

Conclusões

  • Foi identificada uma associação significativa entre baixos níveis séricos de vitamina D e maior prevalência de ulcerações nos pés de idosos com diabetes (pé diabético).

  • Os níveis séricos médios de 25-hidróxi-vitamina D (25-OH-D) (vitamina D3, a principal forma circulante de vitamina D em seres humanos) diminuíram à medida que a gravidade das ulcerações aumentou, conforme mensurado pela classificação de Wagner.

  • Idosos com diabetes devem ter a vitamina D rotineiramente verificada ou receber suplementação de vitamina D para prevenir o surgimento ou melhorar o prognóstico do pé diabético, disseram os autores.

Relevância

  • A deficiência de vitamina D é comum entre idosos com diabetes.

  • A relação entre o pé diabético e os níveis de vitamina D é controversa, com dados conflitantes. 

  • Este é o primeiro estudo a avaliar os níveis de vitamina D em pacientes idosos hospitalizados com pé diabético, disseram os autores.

Desenho do estudo

  • Trata-se de uma análise retrospectiva de 339 pacientes hospitalizados com diabetes tipo 2 de 60 a 90 anos de idade que foram atendidos entre janeiro e março de 2020. Destes, 204 apresentavam pé diabético e 135 não tinham essas ulcerações.

  • O trabalho incluiu pacientes que atenderam aos critérios de diabetes e úlceras do pé diabético estabelecidos em 1999 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Pacientes em uso de alguma substância que pudesse afetar os níveis séricos de vitamina D foram excluídos da análise.

Principais resultados

  • A média de idade dos participantes era de 67 anos; cerca de dois terços eram homens.

  • Na análise multivariada, os autores observaram que níveis mais altos de 25-OH-D, triglicerídeos e lipoproteína de alta densidade do colesterol (HDL, sigla do inglês High-Density Lipoprotein cholesterol) foram protetores independentes e significativos contra o pé diabético.

  • Já a duração prolongada do diabetes e o aumento da pressão arterial sistólica foram relacionados de forma independente ao aumento do risco de pé diabético.

  • De forma geral, 80,5% dos pacientes apresentaram deficiência de vitamina D (definida como < 50 nmol/L ou < 20 ng/mL).

  • Nos pacientes que não tinham pé diabético, 3% apresentaram níveis suficientes de vitamina D (> 75 nmol/L ou > 30 ng/mL), 24% apresentaram níveis insuficientes (50 a 75 nmol/L ou 20 a 30 ng/mL) e 73% apresentaram deficiência.

  • Entre os pacientes com pé diabético, 2% tinham níveis suficientes de vitamina D, 13% tinham níveis insuficientes e 85% tinham níveis deficientes. As diferenças entre essas taxas e aquelas em indivíduos sem úlceras do pé diabético foram significativas.

  • O nível de 25-OH-D diminuiu significativamente com o aumento da gravidade da úlcera do pé diabético, de acordo com a classificação de Wagner. Indivíduos com ulcerações de menor grau (Wagner 1) tinham, em média, níveis séricos de 25-OH-D mais de duas vezes maior do que indivíduos com ulcerações mais graves (Wagner 5).

Limitações

  • O estudo em tela foi transversal. São necessários estudos prospectivos bem desenhados para analisar a relação causal entre a vitamina D e o risco de pé diabético e para explorar se a suplementação de vitamina D tem algum efeito no tratamento das ulcerações, disseram os autores. Os resultados podem fornecer claras evidências a favor da suplementação de vitamina D para prevenção e tratamento do pé diabético em idosos.

Conflitos de interesses

  • O estudo não recebeu financiamento comercial.

  • Os autores informaram não ter conflitos de interesses.

Este artigo é um resumo do estudo em pré-impressão "Correlation between serum 25-OH-vitamin D level and diabetic foot ulcer in elderly diabetic patients", escrito por pesquisadores do Centro Médico da Força Aérea, na China, e colegas, publicado no Research Square e fornecido a você pelo Medscape. O trabalho ainda não foi revisado por pares. Leia o texto completo no site ResearchSquare.com .

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