COMENTÁRIO

ADA 2022: tirzepatida gera perda ponderal semelhante à da cirurgia bariátrica

Dr. Fabiano M. Serfaty

Notificação

5 de junho de 2022

Os resultados do estudo mais esperado do 82º congresso anual da American Diabetes Association (ADA) foram apresentados [1] no sábado (4) e publicados simultaneamente on-line no The New England Journal of Medicine (NEJM): [2] o estudo SURMOUNT-1, que avaliou a segurança e a eficácia da tirzepatida no tratamento da obesidade.

Parte de uma nova classe medicação para o tratamento da obesidade e do diabetes, a tirzepatida é um agonista duplo do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP) e do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1, sigla do inglês Glucagon-Like Peptide-1).

Os resultados da perda de peso observados no SURMOUNT-1 demonstram que a tirzepatida é capaz de promover uma perda de peso semelhante à obtida com a cirurgia bariátrica, e superior à conferida pela semaglutida (embora não ainda não existam estudos fazendo uma comparação direta entre as duas medicações).

Como já publicado previamente no Medscape[3] os resultados preliminares do SURMOUNT-1 foram divulgados pela fabricante da droga (Eli Lilly) ainda em abril. O estudo envolveu 2539 pacientes e foi o primeiro ensaio clínico mundial de fase 3 a avaliar a eficácia e a segurança da tirzepatida em adultos sem diabetes, com obesidade ou sobrepeso, que tivessem ao menos uma comorbidade. Os achados indicam que a tirzepatida pode ser uma opção terapêutica potencial para o tratamento da obesidade, com pacientes perdendo entre 16% e 22,5% do seu peso inicial. A redução média geral de peso para a dose mais alta de tirzepatida (15mg) foi de cerca de 23,5 quilos. A tirzepatida teve um perfil geral de segurança e tolerabilidade semelhante ao de outras terapias baseadas em incretinas aprovadas para o tratamento da obesidade.

No estudo liderado pela Dra. Ania M. Jastreboff, médica e pesquisadora da Yale University (EUA), a tirzepatida atingiu os dois desfechos primários: variação percentual média superior no peso corporal em relação ao valor basal, e maior porcentagem de participantes com redução do peso corporal ≥ 5%. O estudo também alcançou todos os principais desfechos secundários após 72 semanas.

As médias de redução do peso corporal dos pacientes que receberam tirzepatida foram de 16,0% (16 kg) com 5mg; 21,4% (22 kg) com 10 mg; e 22,5% (24 kg) com 15mg. E a média dos pacientes que receberam placebo foi de 2,4% (2 kg). Além disso, 89% (5mg) e 96% (10mg e 15mg) dos participantes que tomaram tirzepatida perderam pelo menos 5% do peso corporal, em comparação com 28% dos que tomaram placebo.

Um desfecho secundário fundamental, que merece ser ressaltado: 55% (10mg) e 63% (15mg) dos pacientes que usaram a tirzepatida alcançaram pelo menos 20% de redução do peso corporal, em comparação com 1,3% dos pacientes no grupo placebo.

No último dia 13 de maio a Food and Drug Administration (FDA) aprovou o uso da tirzepatida nos Estados Unidos para o tratamento de diabetes tipo 2, com o nome comercial de Mounjaro. [4]

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