Antibióticos para H. pylori alteram o microbioma intestinal apenas por um breve período

Laird Harrison

Notificação

6 de junho de 2022

Estados Unidos – Tratamentos para erradicar as infecções por Helicobacter pylori (H. pylori) aumentam a resistência da microbiota intestinal aos antimicrobianos, mas apenas por alguns meses, relataram pesquisadores na Digestive Disease Week® (DDW).

Os achados se aplicam tanto para a terapia quádrupla com levofloxacino como para a terapia quádrupla com citrato de bismuto, ambas igualmente eficazes como tratamentos de segunda linha, reportou o Dr. Jyh-Ming Liou, médico, Ph.D. e professor de clínica médica da Universidade Nacional de Taiwan.

Isso fornece alguma garantia de que o aumento do uso de antibióticos para tratar essas infecções não causará alterações nos microbiomas dos pacientes em longo prazo, disse o Dr. Liou.

"Talvez, se houver indicação de tratamento com antibióticos, não seja necessário se preocupar com o surgimento de resistência", disse ele. "Mas o acúmulo de anticorpos na região pode induzir a mutação de bactérias, então talvez ainda seja necessário um uso cauteloso de antibióticos".

À medida que mais cepas desenvolvem resistência aos antibióticos, as infecções por H. pylori ficam mais difíceis de tratar, levando os médicos a usarem esquemas com vários fármacos. Isso, por sua vez, levanta preocupações de que a microbiota intestinal possa ser alterada, com patógenos potencialmente desenvolvendo resistência.

Para explorar esses riscos, Dr. Liou e colaboradores recrutaram adultos cujas infecções por H. pylori não foram erradicadas com sucesso.

Eles randomizaram 280 pacientes para cada terapia de segunda linha, quádrupla com levofloxacino ou quádrupla com citrato de bismuto. No início do estudo, os pesquisadores não encontraram diferenças entre os grupos estatisticamente significativas no que tange demografia, uso de álcool ou de cigarro, presença de úlceras ou resistência a antibióticos no microbioma.

A terapia quádrupla com levofloxacino consistiu em esomeprazol 40 mg e amoxicilina 1.000 mg nos primeiros sete dias, seguidos de esomeprazol 40 mg, metronidazol 500 mg e levofloxacino 250 mg por mais sete dias (todos duas vezes ao dia).

A terapia quádrupla com citrato de bismuto consistiu em esomeprazol 40 mg duas vezes ao dia, dicitrato tripotássico de bismuto 300 mg quatro vezes ao dia, tetraciclina 500 mg quatro vezes ao dia e metronidazol 500 mg três vezes ao dia, por 10 dias.

Os pesquisadores coletaram amostras de fezes no início do estudo, na segunda semana, na oitava semana e um ano após a terapia de erradicação, e as analisaram quanto à diversidade da microbiota e suscetibilidade a antibióticos.

As taxas de erradicação do H. pylori foram quase idênticas nas duas terapias de segunda linha: 87,9% para levofloxacino quádruplo e 87,5% para citrato de bismuto quádruplo. Quando usados ​​como terapias de terceira linha (resgate), as taxas de sucesso também foram estatisticamente semelhantes, e a taxa cumulativa de erradicação de segunda e terceira linha foi de 95,6% para levofloxacino quádruplo e 96,6% para citrato de bismuto quádruplo.

Houve diferença estatisticamente significativa (P < 0,0001) entre os dois grupos em relação aos eventos adversos, com 48,4% para levofloxacino quádruplo e 77,3% para citrato de bismuto quádruplo.

Após um ano, houve reinfecção por H. pylori em 2,5% dos pacientes do grupo levofloxacino e 3% do grupo citrato de bismuto.

Os pesquisadores usaram o sequenciamento metagenômico para examinar a resistência microbiana aos antibióticos no microbioma dos pacientes. Usando o sequenciamento do gene do ácido ribonucleico (ARN) ribossomal 16S, eles verificaram que a proporção de gêneros e espécies com mudanças significativas consistentes duas semanas após o tratamento, em comparação com o início do estudo, foi de 52,4% para terapia quádrupla com levofloxacino versus 45,1% para terapia quádrupla com citrato de bismuto.

Entretanto, oito semanas após o tratamento, a proporção com alterações significativas caiu para 5,8% para o grupo levofloxacino e 21,5% para o grupo bismuto. E, ao final de um ano, caiu para 0,9% para o grupo levofloxacino e 8,4% para o grupo bismuto.

“De forma geral, foi tranquilizador que, mesmo após administrar essas combinações de diferentes antibióticos, ao final, o padrão de resistência em bactérias das regiões inferiores do intestino não parece afetado”, disse o moderador da sessão, Dr. Steven Moss, médico e professor de medicina da Brown University, nos Estados Unidos.

Ainda assim, continuar a acumular antibióticos para tratar infecções por H. pylori não funcionará para sempre, porque as cepas estão desenvolvendo resistência muito rapidamente, disse ele. "Certamente teremos erradicações mais difíceis no futuro, a menos que encontremos novas soluções".

Um avanço promissor é a utilização de novas técnicas para testar a resistência do H. pylori a antibióticos específicos antes do início do tratamento, disse o Dr. Steven.

O Dr. Steven presta consultoria a empresas que desenvolvem terapias e diagnósticos para H. pylori. O Dr. Liou informou não ter conflitos de interesse financeiros relevantes.

Este conteúdo foi originalmente publicado em MDedge.comMedscape Professional Network.

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