Garçonete de 53 anos com tosse seca e lombalgia persistentes

Dra. Avan Armaghani

Notificação

1 de junho de 2022

Nota da editora: A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste a sua capacidade diagnóstica e terapêutica com o caso desta paciente e as perguntas correspondentes.

Contexto

Uma mulher de 53 anos de idade, na menopausa, teve piora da lombalgia nos últimos dois meses. Sua dor é na região toracolombar, sem irradiação. A paciente a descreve como uma dor surda e constante, que piora quando ela fica muito tempo de pé. Os analgésicos de venda livre inicialmente aliviavam a dor, entretanto, nos últimos dois meses, esses medicamentos tornaram-se ineficazes para o alívio de seus sintomas.

A paciente nega perda da função vesical ou intestinal, bem como paresia ou parestesia nos pés. Ela consegue deambular sem dificuldade, mas sente a dor durante a marcha. Nunca teve dor lombar antes. Também não sofreu nenhuma lesão recente. Não lembra de ter tido febre, calafrios, tontura, alterações visuais, náuseas, vômitos, diarreia, constipação ou dor torácica. Está com uma tosse seca ocasional há cerca de seis meses. A tosse não produz escarro ou sangue.

A história patológica pregressa da paciente revela hipertensão arterial sistêmica, sendo tratada com a administração diária de betabloqueador, e hiperlipidemia, sendo tratada com a administração diária de estatina.

A paciente fez uma mamografia há dois anos que não revelou alterações. Seu Papanicolau mais recente foi há dois anos e os resultados estavam normais. Ela nunca fez colonoscopia.

A paciente fuma em média um maço por dia, há 31 anos. Toma um copo de vinho por semana e não usa drogas ilícitas. Atualmente, trabalha em tempo integral como garçonete em um restaurante da região.

A história familiar revela que o pai da paciente morreu de câncer de pulmão aos 62 anos de idade e que a mãe foi diagnosticada com câncer de cólon aos 52 anos, fez o tratamento e permanece viva. Sua irmã, de 50 anos, é saudável.

Exame físico e propedêutica

Os sinais vitais revelam temperatura de 36,7 °C, pressão arterial de 132 × 91 mmHg, frequência cardíaca de 88 batimentos por minuto (bpm), frequência respiratória de 18 incursões respiratórias por minuto (irpm) e saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente.

Ela está acordada e orientada alopsíquica e autopsiquicamente. Está sentada na mesa de exame com aparente conforto, sem sofrimento agudo. Pupilas simétricas e fotorreagentes, movimentos extraoculares preservados e conjuntiva normal. Não apresenta linfonodos palpáveis nas regiões cervical, submandibular ou supraclavicular. Orofaringe normal, sem enantema.

Murmúrio vesicular universal sem adventícios. Ritmo cardíaco regular em dois tempos, sem sopros, extrassístoles ou atrito. Abdome inocente. Não se observa esplenomegalia ou hepatomegalia. Nenhum exantema. Pares cranianos de II a XII preservados. Reflexo patelar bilateral preservado. Força e sensibilidades normais nos quatro segmentos. Marcha normal.

O exame da mama não revela protuberâncias ou nódulos palpáveis em nenhuma das mamas. Não há inversão mamilar, exantemas ou nódulos. Não há adenopatia axilar palpável bilateralmente.

O hemograma completo e a bioquímica completa revelaram:

  • Hemoglobina: 12,9 g/dL (referência: de 12,0 a 16 g/dL)

  • Hematócrito: 36,9% (referência: de 35% a 46%)

  • Plaquetometria: 226.000 células/µL (referência: de 150.000 a 400.000 células/µL)

  • Sódio: 140 mmol/L (referência: de 135 a 147 mmol/L)

  • Potássio: 3,9 mmol/L (referência: de 3,5 a 5,0 mmol/L)

  • Creatinina: 0,8 mg/dL (referência: de 0,9 a 1,3 mg/dL)

  • Bilirrubina total: 0,4 mg/dL (referência: de 0,1 a 1,2 mg/dL)

  • Aminotransferase aspartato: 32 U/L (referência: de 8 a 40 U/L)

  • Aminotransferase alanina: 24 U/L (referência: de 4 a 36 U/L)

  • Fosfatase alcalina: 355 U/L (referência: de 35 a 105 U/L).

A radiografia de tórax da paciente revela pulmões hiperinsuflados, com retificação bilateral do diafragma (ver exemplo mostrado na Figura 1). Não há nódulos ou outras alterações aparentes.

Acima, a radiografia da coluna vertebral revela múltiplas lesões hipodensas nos corpos vertebrais nos níveis de T8, T9, L1 e L3.

A RM (RM) da coluna torácica e lombar apresenta lesões destrutivas nos níveis de corpo vertebral T8, T9, L1 e L3; sem comprometimento medular.

Lesões semelhantes podem ser observadas na RM da coluna de outro paciente (Figura 2).

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE
Comentários são moderados. Veja os nossos Termos de Uso

processing....