Covid-19: Resumo da semana (28 de maio a 3 de junho)

Equipe Medscape Professional Network

3 de junho de 2022

Neste artigo

A covid-19 no mundo

O mundo registrou 531.040.445 diagnósticos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, e 6.296.853 óbitos por covid-19 até 2 de junho de 2022, de acordo com o monitor  Coronavírus Resource Center , da Johns Hopkins University (EUA).

O estrito bloqueio de dois meses em Xangai, na Chinafinalmente terminou à meia -noite da quarta-feira, 1º de junho. A maioria dos 25 milhões de habitantes da cidade agora pode deixar suas casas, voltar ao trabalho, usar o transporte público e dirigir carros, mas escolas e cafés permanecem fechados. A situação em Pequim, que está em semibloqueio desde 1º de maio, também melhorou. No entanto, as medidas anticovídicas continuam muito restritivas. Segundo reportou o jornal  Le Monde , os moradores de Pequim deverão ser testados a cada 48 horas e, em Xangai, a cada três dias. Sem um teste, o acesso a lojas e transportes públicos é proibido. 

A Coreia do Norte suspendeu o bloqueio imposto a Pyongyang após um surto de covid-19 no início de maio. Segundo a mídia estatal, a situação da epidemia está sob controle. No entanto, o país continua a registar um grande número de pessoas com "febre", com 93.180 casos notificados na terça-feira (31). Por seu lado, a OMS lamenta a falta de informação e cooperação das autoridades de Pyongyang e assume que a situação se agrava na Coreia do Norte.

O número de casos e mortes por covid-19 continua aumentando nas Américas por seis semanas seguidas. Na semana passada, 1.087.390 casos e 4.155 mortes foram registrados na região, representando um aumento de 10,4% e 14%, respectivamente.  O maior aumento no número de casos ocorreu na América do Sul, onde atingiu 43,1%, e o maior aumento no número de mortes foi registrado na América Central, onde atingiu 21,3%.

Há grande preocupação com a chegada da temporada de férias de verão no hemisfério norte e a proximidade do inverno no hemisfério sul. Segundo a OMS, muitos lugares enfrentam uma dupla ameaça: de aumento potencial nos casos de gripe e crescimento dos casos covid-19, o que colocará os profissionais de saúde, idosos e grávidas em risco adicional. A entidade alertou ainda para outro fator que pode afetar os serviços de saúde, especialmente na América Central e Caribe, que é a temporada de furacões.

No México, o Ministério da Saúde reconheceu que houve “uma tendência de aumento no número de casos estimados nas últimas semanas” e o subsecretário de Prevenção e Promoção da Saúde não descartou a possibilidade de uma quinta onda de covid-19 no México.

No Peru, houve um número maior de casos de gripe do que o esperado, e Argentina, Chile e Uruguai relataram mais hospitalizações do que o habitual devido a essa doença.

No Chile, Paraguai, Equador e República Dominicana também são observados aumentos súbitos no número de infecções por VSR (vírus sincicial respiratório) em crianças pequenas, em alguns casos levando à hospitalização.

Os Estados Unidos relataram agora uma média de mais de 100.000 novos casos por dia. No ano passado, quando a variante Ômicron não estava presente, o número de casos permaneceu abaixo de 20.000 por dia durante todo o mês de junho, às vezes caindo abaixo de 15.000 por dia.

Nas últimas duas semanas, as hospitalizações nos EUA aumentaram cerca de 16%, com média de pouco mais de 26.000 por dia, mas as mortes caíram 6%, para cerca de 300 pessoas por dia, de acordo com o New York Times COVID Tracker. Muitas dessas mortes estão afetando, como nos últimos dois anos, adultos mais velhos, de acordo com o CDC.

Outro fato importante: os idosos são a população mais afetada pelos sintomas persistentes da covid-19. Novos dados do CDC mostram que cerca de um em cada quatro adultos com mais de 65 anos apresenta sintomas pós-covid-19. Esse número cai para um em cada cinco para adultos com mais de 18 anos.

Devido a preocupações com o número ainda alto de casos, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos recorreu de uma recente decisão judicial que visava suspender a obrigatoriedade do uso de máscaras em aviões e outros transportes públicos.

No Reino Unido, em 26 de maio, os números mais recentes do governo indicam que 36.014 pessoas testaram positivo para covid-19 nos últimos 7 dias, uma queda de 18,8% em relação à semana anterior. Em 29 de maio, 3.114 pacientes foram internados no hospital durante a semana, uma queda de 15% em relação à semana anterior. Nos últimos 7 dias, foram relatadas 362 mortes em 28 dias após o teste positivo, uma queda de 28,5% em relação à semana anterior.

Além disso, o governo adicionou assistentes sociais e profissionais de saúde da linha de frente à lista de grupos prioritários aos quais será oferecida uma vacina de  reforço  contra a covid-19 neste outono. A importância de uma terceira dose ou dose de reforço em  jovens de  12 a  15 anos será testada no estudo do imunizante Com-COV 3, liderado por pesquisadores da Oxford University.

Devido ao tempo de espera associado à pandemia de covid-19, os serviços de cardiologia hospitalar na Inglaterra foram chamados a adotar um plano de recuperação  urgente. Além disso, foram tomadas medidas contra o Departamento de Saúde por causa da extensão das  listas de  espera na Irlanda do Norte.

Na França, geriatras e gerontologistas estão pedindo a suspensão das medidas anticovídicas nos lares de idosos à medida que a epidemia diminui e não são mais obrigatórias para o resto da população. “Para querer proteger demais os residentes, tiramos a vida deles”, disse a Sociedade Francesa de Geriatria e Gerontologia em um comunicado à imprensa.

Ao mesmo tempo, o presidente Emmanuel Macron voltou atrás na ideia de reintegrar os profissionais que não foram vacinados contra a covid-19. Segundo ele, a reintegração de profissionais a saúde não vacinados não resolveria a crise de emergência ou a questão da escassez de cuidadores.

Em 28 de maio, de acordo com a Santé Publique France, o número médio de novos casos diários confirmados era de 16.759 casos (taxa de incidência 184/100.000), uma queda de 28% em 7 dias. Além disso, em 31 de maio, o número médio de novas internações diárias era de 395, uma queda de 21% em uma semana. Finalmente, no mesmo dia, o número médio de novas entradas diárias de cuidados intensivos foi de 48 (-17%).

Um investigador do INSEE (Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos) avaliou o impacto da covid-19 na mortalidade dos franceses entre 2020 e 2022. O aumento de óbitos em relação ao esperado foi de +6,3% em 2021 e +7,5% em 2020. A mortalidade esperada não voltou ao normal até março de 2022.

Há dois meses, a vacinação contra a covid-19 é obrigatória em lares de idosos, consultórios médicos e clínicas na Alemanha, o que desencadeou uma onda de queixas constitucionais. No entanto, após cuidadosa consideração, o Tribunal Constitucional Federal indeferiu uma reclamação constitucional contra a vacinação obrigatória em instituições. O ministro federal da Saúde, Karl Lauterbach (SPD), saudou esta decisão na quinta-feira, 19 de maio.

A partir de 1º de  junho  de  2022, a licença médica não poderá mais  ser decidida por telefone. Os pacientes terão que retornar ao consultório médico ou usar a teleconsulta.

Portugal é o país da União Europeia que registou o maior número de novos casos de infecção por SARS-CoV-2 por milhão de habitantes em sete dias, segundo o site  Our World in Data . A média diária de novos casos subiu de 2.290 na semana passada para 2.580 na segunda-feira, 30 de maio. Quanto às novas mortes diárias, Portugal também ocupa o primeiro lugar. De acordo com o boletim de situação da semana de 17 a 23 de maio, a incidência de novos casos aumentou 7% em sete dias. O Rt está em 1,13.

No dia 30, a Direção-Geral da Saúde (DGS) portuguesa publicou recomendações relativas ao tratamento com medicamentos antivirais e anticorpos monoclonais contra a covid-19. “Numa primeira fase, perante a disponibilidade ainda reduzida destes medicamentos, são elegíveis para tratamento com medicamentos antivirais as pessoas com doença ligeira a moderada (confirmada laboratorialmente), que ainda tenham fatores de risco clínico de progressão para doença grave, e se encontrem nos primeiros cinco dias de sintomas”, explicou a DGS. Segundo a autoridade sanitária, a prescrição de anticorpos monoclonais anti-SARS-CoV-2 só pode ser realizada em contexto hospitalar, sendo a administração preferencialmente feita em hospital dia. 

Na Itália, as máscaras foram abandonadas em quase todos os lugares e o distanciamento social é limitado a ambientes específicos, como hospitais. Todos os marcadores de pandemia caíram, com uma incidência média de 261 casos por 100.000 habitantes. O Rt diminuiu de 0,89 para 0,86. A taxa de ocupação dos hospitais caiu de 11,6 para 9,7% e a das unidades de terapia intensiva de 3,6 para 3,1%.

O Ministério da Saúde italiano lançou uma campanha para incentivar os idosos e pacientes frágeis a receberem uma quarta dose da vacina, dado o aumento esperado de casos durante os meses de outono.

Na Espanha, a pandemia continua a sua tendência descendente, como mostra o último relatório de situação publicado na terça-feira (31), pelo Ministério da Saúde. A incidência de 14 dias em pessoas com mais de 60 anos é de 663,22 casos por 100.000 habitantes, em comparação com 728,22 casos relatados na sexta-feira (27). A taxa de ocupação das unidades de terapia intensiva caiu abaixo de 4%. A campanha de vacinação avança lentamente: 52,8% da população espanhola já receberam a dose de reforço.

Os casos e as mortes associadas à covid-19 diminuíram no continente africanosegundo a OMS. Durante a semana de 16 de maio, 42.854 novos casos foram relatados, em comparação com 56.601 na semana anterior (uma redução de 24%). As mortes ligadas diminuíram 20% em relação à semana anterior. Os países que registraram o maior número de casos são África do Sul, Zimbábue, Seychelles, Eswatini e Etiópia. A África do Sul continua sendo o único país atualmente com ressurgimento da epidemia na região, embora tenha relatado seu primeiro declínio após 4 semanas de aumento. Dados apontam que 17% da população africana já estão totalmente vacinados.

*Colaboradores deste artigo Aude Lecrubier (edição francesa do Medscape), Claudia Bravo (Medscape em espanhol), Eli Paes e Mônica Tarantino (Medscape em português), Vanessa Sibbald (Medscape UK), Maria Baena (Univadis Espanha), Brenda Goodman (Medscape Estados Unidos), equipe editorial Coliquio (Alemanha), Daniela Ovadia (Univadis Itália), Pavankumar Kamat (Univadis para a Ásia).

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