Semana agitada no #MedTwitter

Equipe Medscape

27 de maio de 2022

A semana foi agitada para os “mediciners” do Twitter. Três casos de desvio de ética médica e mau uso da rede social estouraram todas as bolhas possíveis e foram parar nos jornais – e nos respectivos Conselhos Regionais de Medicina (CRM).

No primeiro caso, a médica Dra. Mariana de Lima Alves, então plantonista de uma unidade de pronto atendimento de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, Paraná, usou sua conta no Twitter para fazer comentários ofensivos sobre os seus pacientes.

Seus tuítes viralizaram no sábado, 21 de maio, e a repercussão foi (e ainda está sendo) grande. De acordo com o UOL Notícias, a prefeitura de Tamandaré anunciou em nota ao veículo que "Segundo os colegas, sempre atendeu todos os pacientes com muito respeito e simpatia, sem reclamações por parte da população. (...) Se comprovada conduta irresponsável, que fere os princípios éticos do exercício da profissão, a mesma será desligada da equipe de plantonistas".

O CRM-PR, onde a Dra. Mariana está inscrita desde setembro de 2021, abriu, no dia 23, uma sindicância para apuração de conduta. A médica fechou o acesso público às suas contas nas mídias sociais, mas no dia 25 postou e tornou pública a seguinte retratação: 

https://twitter.com/a_marilima/status/1529492997024403457?s=20&t=NIaT3DS53tDy7_Li2PXSsQ

Muito se discutiu sobre o caso. Todas as opiniões possíveis podem ser encontradas on-line, como de costume. Dentre os tuítes lidos para a apuração desta matéria, o seguinte fio chamou atenção:

https://twitter.com/yeuxlumiere/status/1528734342637395969?s=20&t=7ep2pRPayVjLYSzvWicL2w

Destacamos:

  1. “O paciente não tem culpa do seu plantão na porta estar um inferno.

Uma pessoa doente procurando auxílio não tá errada. Quem tá errado e o GESTOR de enfiar poucos médicos numa demanda absurda. Ou muda de lugar de serviço ou conversa com o gestor pra contratar mais médico.

  1. Reclamar é bom, ser antiético, não.

O ideal é evitar comentários jocosos SEMPRE, pro filtro mental estar calibrado e você não se ver falando bobagem em situações que deveria estar calado. O código de ética médica existe por um motivo, e ele não é pra enfeitar estante.

  1. Exercitem a empatia diariamente na contra-referência.

O melhor médico que eu conheci (meu pai) dividia esse conselho: pra ser um bom médico é preciso um tonel de consciência, um barril de paciência, e só um copo de ciência. Você tá lidando com um ser humano. Seja gentil.

  1. Existe hora e lugar pra reclamar.

Desabafar é importante. Freud já dizia que a fala cura. Mas o lugar de desabafar sobre as condições muitas vezes ruins do seu plantão NÃO É no twitter. E nunca durante um plantão com a cabeça cansada. Vai pra casa, repensa e desabafa.

  1. Nunca produza provas contra vc mesmo.

É isso aí. Cuidado o que você escreve ou manda de áudio nas redes sociais. Prints e compartilhamentos viralizam. Seja sagaz e não produza o material pra te condenar. Evite falar mal de coisas importantes que vc dependa financeiramente.

  1. Não é falando no twitter que vc muda a má educação em saúde e atenção primária no Brasil.

Volto a lembrá-los que a culpa também não é do paciente. É dos GESTORES EM SAÚDE. Quer que a educação e a saúde melhorem? Vota direito, cobra dos governantes, exerça a cidadania.

  1. O burn-out leva a impessoalização.

A falta da capacidade de se importar e mostrar empatia com a pessoa doente em busca de socorro pode ser um sintoma de esgotamento profissional. Cuide da sua saúde mental - só assim você será um médico empático, ético e feliz.”

Sexo no hospital

No dia 23, foi a vez do infectologista Dr. Lino Neves, agora conhecido como “Doutor Peludo”, no Distrito Federal, e de uma servidora pública e um médico, que não tiveram seus nomes divulgados, no Pará. Em ambos os casos, circularam vídeos de sexo explícito (supostamente) nas dependências de hospitais.

O médico mantinha uma conta no Twitter (@PeludoAN — abreviação para Asa Norte, bairro de classe média alta de Brasília) na qual compartilhava vídeos de sexo explícito, supostamente filmados em ambiente hospitalar entre o médico e seus pacientes, e ao menos um enfermeiro.

O Metrópoles, que apurou e divulgou o caso, indica que: “Acionado, o CRM-DF adiantou que um procedimento vai apurar a conduta ética do profissional de saúde. A investigação, porém, ocorrerá em caráter sigiloso. ‘O CRM-DF investigará a denúncia através de uma sindicância. O procedimento correrá em sigilo para verificar se há indícios de infração ética.’”

Nos vídeos, o especialista em infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) pratica sexo anal e oral sem preservativo.

Também no dia 23, um vídeo circulou nas redes sociais mostrando uma servidora de hospital sendo filmada praticando sexo oral em um médico dentro de um consultório no Hospital Municipal de Parauapebas, no sudeste do Pará. Apenas a moça é claramente identificada na filmagem.

De acordo com o g1, os dois foram exonerados e, em nota, o Conselho Municipal de Saúde de Parauapebas informou que "repudia a conduta absolutamente inadequada de dois servidores públicos no exercício de suas funções".

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