Transplante fecal: um auxílio na reversão do envelhecimento?

Megan Brooks

Notificação

25 de maio de 2022

Transplante de microbiota fecal de camundongos jovens para camundongos mais velhos pode reverter sinais de envelhecimento no intestino, no cérebro e nos olhos, descobriu uma equipe de cientistas do Reino Unido. Por outro lado, quando o transplante é realizado de camundongos velhos para camundongos jovens, tem efeito oposto.

Esta pesquisa fornece "evidências tentadoras do envolvimento direto da microbiota intestinal no envelhecimento e no declínio funcional do cérebro e da visão e oferece uma solução potencial na forma de terapia de reposição de microrganismos intestinais", disse em um comunicado à imprensa o Dr. Simon Carding, Ph.D., que lidera o programa de pesquisa em saúde e microbiota intestinais no Quadram Institute, no Reino Unido.

O estudo foi publicado on-line no periódico Microbiome.

A fonte da juventude?

Alterações relacionadas à idade na diversidade, composição e função da microbiota intestinal estão associadas à inflamação sistêmica de baixo grau, ao declínio da função tecidual e ao aumento da suscetibilidade a doenças crônicas relacionadas à idade.

O Dr. Simon e colaboradores do Quadram Institute e da University of East Anglia, também no Reino Unido, usaram o transplante de microbiota fecal para trocar a microbiota intestinal entre camundongos jovens e camundongos idosos.

Camundongos jovens que receberam a microbiota de camundongos idosos mostraram aumento da permeabilidade da barreira intestinal associada ao aumento da inflamação no cérebro e na retina, bem como perda de uma proteína funcional essencial no olho, relataram.

Por outro lado, esses efeitos prejudiciais foram revertidos quando a microbiota de camundongos jovens foi transferida para camundongos idosos. O transplante de microbiota fecal com microbiota jovem também levou ao aumento de espécies bacterianas benéficas em camundongos idosos.

"Nossos dados corroboram a hipótese de que a microbiota intestinal alterada na velhice contribui para a inflamação intestinal e sistêmica e, portanto, pode contribuir para o surgimento de doenças inflamatórias de órgãos envelhecidos", escreveu a equipe do estudo.

"O direcionamento para o eixo intestino-cérebro no envelhecimento, por modificação da composição microbiana para modular as vias imunitária e metabólica, pode, portanto, ser uma via potencial para abordagens terapêuticas voltadas para o declínio inflamatório e funcional associado à idade", sugeriram.

Em estudos em andamento, esta equipe está trabalhando para entender por quanto tempo os efeitos benéficos da microbiota de doadores jovens persistem, fator que estabelecerá se o transplante de microbiota fecal pode promover benefícios para a saúde em longo prazo em indivíduos idosos e amenizar a neurodegeneração e a deterioração funcional da retina associadas à idade.

"Nossos resultados fornecem mais evidências das importantes ligações entre a microbiota intestinal e o envelhecimento saudável de tecidos e órgãos em todo o corpo", disse a primeira autora, Dra. Aimée Parker, Ph.D., do Quadram Institute.

"Esperamos que nossos achados contribuam, em última análise, para entender como podemos manipular nossa dieta e nossas bactérias intestinais para maximizar a boa saúde no futuro", acrescentou.

O apoio a esta pesquisa foi fornecido pelo Biotechnology and Biological Sciences Research Council (BBSRC). Os autores informaram não ter conflitos de interesses relevantes.

Microbiome. Publicado on-line em 29 de abril de 2022. Texto completo

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