Covid-19: Resumo da semana (21 a 27 de maio)

Equipe Medscape Professional Network

27 de maio de 2022

Neste artigo

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso  Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 . 

Na manhã de sexta-feira (27), o Brasil atingiu 30.868.945 casos de infecção confirmados pelo vírus SARS-CoV-2 e 666.248 óbitos por covid-19 desde o início da pandemia.

A média móvel de casos nos últimos sete dias foi de 17.313, com variação de -1% em relação a duas semanas atrás. No dia 26, foram 30.033 novos diagnósticos de covid-19 em 24 horas. A média móvel de mortes nos últimos sete dias foi 108. Na quinta-feira (26), foram 136 mortes notificadas em 24 horas. Em comparação com 14 dias atrás, a variação foi de +10%. Segundo o consórcio, há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais.

InfoGripe: permanece de aumento da covid-19

Divulgado no dia 26, o novo Boletim InfoGripe Fiocruz aponta continuidade da tendência de aumento dos casos de covid-19 em todas as regiões do país. Cerca de 48% das ocorrências de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registradas nas últimas quatro semanas são em função da covid-19. Em relação aos óbitos por SRAG, 84% das notificações foram relacionadas ao SARS-CoV-2. A análise é referente à Semana Epidemiológica (SE) 20, período de 15 a 21 de maio. A propensão vem sendo observada desde a Semana Epidemiológica 17 (de 24 a 30 de abril). A estimativa é de 6,0 [5,3 – 6,9] mil casos de SRAG na SE 20.

Em crianças de zero a quatro anos, continua a predominância do vírus sincicial respiratório (VSR), seguido dos casos de rinovírus, SARS-CoV-2 e metapneumovírus. Nas demais faixas etárias, o SARS-CoV-2 é predominante entre os casos com identificação laboratorial.  

Positividade dos testes continua aumentando, diz ITpS

O percentual de testes positivos para covid-19 subiu de 18% para 28,8% em duas semanas (7 a 21 de maio) de acordo com as amostras coletadas pelos laboratórios Dasa e DB Molecular e analisadas pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS). Entre os estados observados, os que tiveram maior alta no período foram Minas Gerais (19% para 35%) e São Paulo (19% para 30%). Em relação às faixas etárias, a menor positividade foi detectada em crianças de 0 a 9 anos (13%) e a maior, entre adultos de 50 a 59 anos (35%).

Entre pessoas de 10 a 19 anos, 40 a 49, 60 a 69 e 70 a 79, o percentual de testes positivos é superior a 30%. No fim de março, a taxa geral era de 3,6%.

Em relação à prevalência das variantes do SARS-CoV-2, a Ômicron BA.2 atingiu seu ápice na semana de 14 de maio, quando foi identificada em 90% dos testes positivos. Desde então houve crescimento de casos com perfil SGTF (do inglês S gene target failure), que pode indicar as sublinhagens BA.4 e BA.5.

A análise do ITpS considera 111.372 testes moleculares (RT-PCR e Flow Chip) realizados de 1º de fevereiro a 21 de maio pelos laboratórios privados parceiros Dasa, DB Molecular e HLAGyn, 90% deles coletados na região Sudeste.

O Brasil mantém seu posto como o segundo país com maior número de mortos pela covid-19, precedido apenas pelos Estados Unidos. Porém, em discurso na 75ª Assembleia Mundial da Saúde na manhã do dia 23, em Genebra, na sede da Organização das Nações Unidas, o ministro da Saúde brasileiro celebrou os resultados da política brasileira de combate à pandemia, não falou no número de óbitos relacionados à doença, no equívoco da cloroquina e não comentou os principais temas do encontro, como a negociação de um novo tratado global contra pandemias. Jamil Chade relata a participação brasileira.

Em coletiva de imprensa no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde chegou no dia 25, o ministro da Saúde brasileiro falou que governo estuda o custo e a efetividade de se vacinar anualmente a população contra a covid-19 caso a doença se torne endêmica como a influenza. A hipótese mais provável é que o governo ofereça vacinas pelo SUS apenas para os grupos mais vulneráveis.   

No domingo (22), entrou em vigor uma portaria do Ministério da Saúde que estabelece o fim do estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional durante a pandemia. Já na segunda-feira (23), um decreto presidencial revogou mais de 22 medidas ligadas ao enfrentamento da pandemia de covid-19 no país. Entre elas as que definiam os serviços e atividades essenciais e os que regulamentavam a proibição da exportação de produtores hospitalares, médicos e de higiene. Os brasileiros sabem que a pandemia não vai terminar por decreto. Com o fim do estado de emergência, as clínicas particulares poderão comprar vacinas covid-19.  

Novo relatório da Rede Genômica Fiocruz   

Dados divulgados na sexta-feira (27) pela Rede Genômica Fiocruz relativos ao período de 6 a 19 de maio informam que as linhagens de Ômicron BA.2.12.1, BA.4 e BA.5 foram notificadas pela primeira vez no Brasil na última quinzena. A Rede informa que enviou para as vigilâncias e laboratórios estaduais 678 relatórios contendo 43.737 genomas. Destes, 41.711 genomas foram depositados na base de dados EpiCoV do Gisaid pelas oito unidades de sequenciamento que operam na Fiocruz. 

O relatório atual apresenta tabela com a nova classificação de amostras do SARS-CoV-2 proposta pela OMS. Até o momento, a OMS reconhece 10 variantes de monitoramento prioritário, classificadas em quatro categorias: variantes de preocupação (VOC), variantes de interesse (VOI), variantes sob monitoramento (VUM) e linhagens de variantes de preocupação sob monitoramento VOC-LUM (sigla que em inglês significa “linhagens de variantes de preocupação sob monitoramento”).

Retomada da proteção facial

Muitas prefeituras estão voltando a recomendar o uso de máscaras de proteção, principalmente em ambientes fechados em razão do avanço dos casos de síndrome respiratória. A medida foi adotada, nos últimos dias, em cidades como Curitiba (PR), São Bernardo do Campo (SP) e Betim (MG). A  capital São Paulo mantém a não obrigatoriedade do uso, mas algumas escolas privadas voltaram a orientar o uso da proteção facial.

Brasileiros entre os 100 mais influentes da Times

O cientista Tulio de Oliveira, nascido no Brasil e que vive na África do Sul desde 1997 (onde cresceu e se formou pesquisador), foi incluído na lista dos 100 mais influentes do mundo em 2022 da revista Time. lista foi divulgada no dia 23. Ele foi também citado como um dos dez cientistas mais influentes de 2021 pela revista Nature. O pesquisador dirige o Centre for Epidemic Responde and Innovation (CERI), na África do Sul, e liderou equipes envolvidas na descoberta da variante Ômicron no país africano. Em entrevista ao canal GloboNews em dezembro, o cientista lembrou que a variante foi identificada em 36 horas, e, após informar o presidente da África do Sul, o ministro da Saúde e ir a público, em 24 horas houve a reunião com a OMS, que classificou a variante como preocupante. A outra brasileira incluída na lista é a líder indígena Sônia Guajajara.

E mais: Não temos medicamentos aprovados para a varíola símia

Até a sexta-feira (27), não havia casos suspeitos ou confirmados de varíola símia, ou varíola dos macacos (monkeypox, em inglês), no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Preocupa, porém, que nenhum dos medicamentos usados para tratar a doença, como o brincidofovir, tecovirimat e cidofovir, esteja disponível para comercialização no país. Segundo a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou ao jornal Globo, apenas a substância doxiciclina, que é indicada para a ‘varíola por riquétsia’, outra variação da doença, está autorizado no país. Só houve registro do cidofovir, vencido desde 2010.

O mundo enfrenta um surto da doença, que já chegou a 19 países, principalmente na Europa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (MS), a varíola símia pode ser transmitida por contato próximo com pessoa (por lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama) ou animal infectado. Leia aqui um resumo sobre a doença.

A empresa de biotecnologia Moderna, nos Estados Unidos, anunciou que investiga potenciais vacinas de ARNm contra a varíola símia. 

No dia 24, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nota em que nega ter feito recomendação de isolamento social e uso de máscaras para o enfrentamento da varíola símia. Segundo a nota, “A Anvisa apenas reforçou a adoção das medidas já vigentes em aeroportos e aeronaves destinadas a proteger o indivíduo e a coletividade não apenas contra a covid-19, mas também contra outras doenças.”

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