Vacina anticovídica de ARNm pode reduzir natimortalidade

Peter Russell

Notificação

18 de maio de 2022

Uma revisão sistemática conduzida no Reino Unido indica que, além de a vacina anticovídica composta de ácido ribonucleico mensageiro (ARNm) ser aparentemente segura durante a gestação, o recebimento do imunizante pode estar associado a uma redução na chance de o bebê nascer sem vida.

De acordo com os pesquisadores da St George's, University of London e do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, não foram encontradas evidências de associação entre o recebimento de vacinas anticovídicas de ARNm durante a gestação e aumento do risco de abortamento espontâneo, parto prematuro, baixo peso ao nascer, descolamento da placenta, embolia pulmonar ou hemorragia pós-parto, em comparação com a ausência de vacinação contra a covid-19 durante a gestação.

O estudo, publicado no periódico Nature Communications, também não identificou associação entre o recebimento de vacinas anticovídicas de ARNm e mortalidade materna, necessidade de terapia intensiva ou de internação em unidade de cuidados neonatais.

A Dra. Asma Khalil, médica e professora de obstetrícia e medicina materno-fetal na St George's, University of London, que liderou a pesquisa, disse: “Nossos achados devem contribuir para abordar a hesitação vacinal por parte de gestantes.”

Análise sistemática da segurança e eficácia

Os pesquisadores fizeram uma revisão sistemática de 23 estudos (cinco dos quais foram randomizados), com um total de 117.552 gestantes vacinadas contra a covid-19 provenientes de seis países de alta renda, inclusive o Reino Unido. Quase todas as participantes haviam recebido alguma vacina anticovídica de ARNm, como as fabricadas pelas empresas Pfizer/BioNTech e Moderna.

Os resultados mostraram que a eficácia das vacinas de ARNm contra um resultado positivo para infecção pelo SARS-CoV-2 via ensaio de reação em cadeia da polimerase (PCR, do inglês Polymerase Chain Reaction) sete dias após a segunda dose do imunizante foi de 89,5% (intervalo de confiança [IC] de 95% de 69,0% a 96,4%).

Além disso, o risco de o bebê nascer sem vida (natimorto) foi 15% menor na coorte vacinada do que nas de gestantes que não foram vacinadas. E foi identificada uma redução de 71% no risco de lesão cerebral por hipóxia no bebê entre as gestantes vacinadas, em comparação com as não vacinadas.

Entre as limitações da pesquisa, há a falta de dados sobre desfechos maternos e neonatais após cada dose de imunizante, em qual trimestre foi realizada a vacinação, eficácia da vacina em gestantes virgens de infecção versus previamente infectadas e informações sobre as variantes do SARS-CoV-2.

Hesitação em relação à vacina

Sabe-se que a infecção por SARS-CoV-2 durante a gestação está associada a aumento das taxas de internação hospitalar e em unidades de terapia intensiva (UTIs), além de desfechos adversos para mães e bebês. Dados do UK Obstetric Surveillance System (UKOSS) indicam que durante a onda da variante Delta em 2021 no Reino Unido, 96% das gestantes hospitalizadas e 98% das internadas em UTIs não haviam sido vacinadas.

A hesitação em relação à vacina provavelmente remete à exclusão das gestantes dos primeiros ensaios clínicos com vacinas anticovídicas, ao fato de o uso populacional das vacinas de ARNm ser uma novidade, à falta de consistência das orientações a respeito da vacinação durante a gestação e à desinformação acerca das vacinas presente nas mídias sociais, disseram os pesquisadores.

O Dr. Edward Morris, médico e presidente do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, comentou: “Este artigo dá mais subsídios de que a administração de vacina anticovídica durante a gestação é segura.”

“Sabemos que as gestantes hesitam em tomar a vacina devido a preocupações com o efeito [do imunizante] em seus bebês. Agora temos fortes evidências para mostrar que a vacina não aumenta o risco de desfechos adversos e é a melhor maneira de proteger as mulheres e seus filhos.”

A Dra. Asma acrescentou: “Embora muitas coisas estejam voltando ao normal, ainda há um risco muito claro e substancial de infecção por covid-19 para mães e seus bebês, incluindo um aumento do risco de parto prematuro e natimortalidade. É essencial que o maior número possível de pessoas tome as vacinas para reduzir o risco de complicações durante a gestação”.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Univadis Reino UnidoMedscape Professional Network.

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