Temas mais buscados em maio de 2022: Doença periodontal

Ryan Syrek

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20 de maio de 2022

Ao final de cada semana nós identificamos o tema mais buscado no site do Medscape, procuramos compreender o que motivou a tendência e então compartilhamos um breve resumo sobre o tema acompanhado de um infográfico. Dúvidas ou sugestões? Entre em contato conosco pelo Twitter ou pelo Facebook

A associação entre doença gengival e comorbidades significativas tem sido evidenciada em vários estudos recentes. Desde distúrbios inflamatórios até distúrbios neurológicos, a ligação entre a saúde bucal e a saúde orgânica coloca doença periodontal em foco. No estágio inicial da doença periodontal (gengivite), as gengivas podem estar edemaciadas e enantematosas e podem sangrar. Na sua forma mais séria, a periodontite, as gengivas podem afastar-se do dente, pode haver perda de massa óssea e os dentes podem se desprender ou até mesmo cair. Segundo os US Centers for Disease Control and Prevention, a periodontite é mais comum nos homens do que nas mulheres (56,4% versus 38,4%), nas pessoas que vivem abaixo do nível de pobreza federal (65,4%), nas que têm escolaridade abaixo do segundo grau (66,9%) e nos atuais fumantes (64,2%). A periodontite tem sido associada a várias doenças sistêmicas graves.

O tipo de perda de dentes causada pela periodontite costuma ser observado em pacientes com diabetes mellitus tipo 2, de acordo com um estudo recente. Em uma metanálise feita com 22 estudos recentes de todo o mundo, o diabetes tipo 2 foi associado a um aumento de 20% do risco de perda dos dentes após o ajuste por vários outros fatores de risco. O risco de perda dentária variou de 15% a mais nos estudos transversos a 29% a mais nos estudos de coorte, a cinco vezes maior nos estudos de caso e controle. O diabetes aumenta o risco de doença oral diretamente pela resposta inflamatória gengival e indiretamente pela diminuição da produção de saliva pelos medicamentos antidiabéticos. As complicações orais são xerostomia, cárie e doença periodontal. Esta última varia de gengivite a periodontite que pode levar à perda dos dentes. Cerca de um terço das pessoas com diabetes têm doença periodontal grave, e 1 em 5 casos de perda de dentes em adultos estão relacionados com o diabetes.

A doença periodontal também parece aumentar as chances de desenvolver outras doenças graves, como um estudo recente que descobriu que pode aumentar o risco de câncer colorretal esporádico. O estudo COLDENT de caso e controle na população encontrou dados de que a taxa de novos diagnósticos de câncer colorretal entre os pacientes com história de doença periodontal foi quase 50% maior do que naqueles sem essa história, após ajuste por uma série de fatores médicos e demográficos. Janati e colaboradores analisaram 348 casos histologicamente confirmados de câncer de cólon ou retal diagnosticados entre janeiro de 2013 e dezembro de 2019 e compararam com 310 controles pareados. A taxa de novos diagnósticos de câncer colorretal entre os pacientes com história de doença periodontal foi 1,4 vezes maior após ajuste por idade e sexo. Isso aumentou para 1,45 vezes mais após ajuste adicional para índice de massa corporal, educação, renda, diabetes, história familiar de câncer colorretal, uso regular de aspirina e outros anti-inflamatórios não esteroides, tabagismo cumulativo ao longo da vida, consumo de carnes vermelhas e processadas, consumo de bebidas alcoólicas e pontuação total de atividade física.

A doença gengival também pode ser um potencial alvo para ajudar a atenuar determinadas doenças, como o mal de Alzheimer. Novas pesquisas sugerem que uma medicação oral experimental dirigida às bactérias causadoras de doença gengival pode oferecer um "novo paradigma de tratamento" para a doença de Alzheimer leve a moderada. Resultados do ensaio clínico de fase 2/3 GAIN com o atuzaginstate, que visa as bactérias da gengiva Porphyromonas gingivalis, sugerem que esse patógeno seja um "potencial condutor da doença de Alzheimer". O estudo foi feito com 643 pacientes em geral saudáveis, entre 55 e 80 anos de idade (média de idade de 69 anos) e com doença de Alzheimer leve a moderada. Alguns pacientes que receberam o medicamento apresentaram desaceleração significativa da queda na Escala de Avaliação da Doença de Alzheimer – subescala cognitiva de 26% a 57%, com outra análise estatística mostrando que a diminuição diminuiu 40% a 56%.

Das preocupações odontológicas dos pacientes com diabetes tipo 2 até associações entre doença gengival, câncer colorretal e doença de Alzheimer, a pesquisa das ligações entre a doença periodontal e várias doenças graves resultou no tema clínico mais buscado da semana.

Saiba mais sobre doença periodontal.

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