Estimulação do nervo vago: uma opção pouco conhecida para a depressão

Dr. Thomas Kron

Notificação

13 de maio de 2022

O controle da depressão é tipicamente feito por meio de antidepressivos e psicoterapia. Em casos particularmente graves, também se recomenda eletroconvulsoterapia ou estimulação do nervo vago. A estimulação do nervo vago é uma terapia aprovada, eficaz, bem tolerada e de longo prazo para depressão crônica e resistente ao tratamento, segundo a médica Dra. Christine Reif-Leonhardt, da Universitätsklinikum Frankfurt – Goethe-Universität, na Alemanha, e sua equipe de pesquisadores escreveram em um artigo.

Diferentemente dos tratamentos mais comuns, como a eletroconvulsoterapia, a estimulação do nervo vago é pouco conhecida pela população geral e por especialistas. Na Alemanha, este tipo de tratamento é coberto pelos seguros de saúde.

Disponível desde 1994

Como relatam os autores, a estimulação invasiva do nervo vago foi aprovada para o tratamento de crianças com epilepsia refratária à farmacoterapia em 1994 na União Europeia e em 1997 nos Estados Unidos. Diante dos efeitos positivos e duradouros observados no humor de adultos após cerca de três meses de tratamento, independentemente da eficácia como anticonvulsivo, “foi postulado um efeito genuinamente antidepressivo da estimulação do nervo vago”, e assim, a estimulação do nervo vago foi então desenvolvida como terapia antidepressiva.

Em 2001, um sistema de estimulação do nervo vago para o tratamento da depressão crônica ou recidivante refratária ou intolerante à terapia atual recebeu pela primeira vez uma marcação CE. Em 2005, essa abordagem terapêutica foi aprovada nos EUA para o tratamento de pacientes a partir dos 18 anos com depressão maior refratária com história de pelo menos quatro terapias antidepressivas sem resultado suficiente.

Poucos estudos controlados por simulação

De acordo com os autores, há vários estudos e séries de casos sobre a estimulação do nervo vago em pacientes com depressão refratária feitos nos últimos 20 anos. Muitos desses trabalhos destacam os benefícios adicionais da estimulação do nervo vago como terapia adjuvante, mas trata-se de estudos observacionais. Os estudos controlados por simulação são escassos devido a dificuldades metodológicas e questões éticas.

O maior estudo de longo prazo é um estudo de registro no qual 494 pacientes com depressão refratária receberam terapia antidepressiva habitual + estimulação do nervo vago. O estudo durou cinco anos; 301 pacientes compuseram o grupo controle e receberam a terapia habitual isolada. Segundo os autores, a resposta cumulativa à terapia (68% versus 41%) e a taxa de remissão (43% vs. 26%) foram significativamente maiores no grupo que recebeu estimulação do nervo vago. Os pacientes submetidos a ao menos uma série de eletroconvulsoterapia de no mínimo sete sessões responderam particularmente bem à estimulação do nervo vago. A terapia combinada também foi mais eficaz em não respondedores à eletroconvulsoterapia do que a terapia usual isolada.

Até o momento, foi realizado apenas um estudo controlado por simulação de tratamento com estimulação do nervo vago para depressão refratária. Nele, a estimulação do nervo vago não foi significativamente superior a uma estimulação simulada durante um período de observação de 10 semanas. No entanto, estudos observacionais forneceram evidências de que o efeito antidepressivo da estimulação do nervo vago só surge após pelo menos 12 meses de tratamento.

De acordo com Dra. Christine e colaboradores, os dados indicam que as diferenças na taxa de resposta e no efeito da terapia só podem ser observadas a longo prazo após 3 a 12 meses e que, à medida que a duração da terapia aumenta, os efeitos da estimulação do nervo vago também aumentam. A partir disso, pode-se supor “que o mecanismo de ação da estimulação do nervo vago seja atribuído a fenômenos neuroplásticos e adaptativos”.

Os efeitos colaterais típicos e comuns da cirurgia são dor e parestesia. Através da irritação do nervo, aproximadamente um em cada três pacientes apresenta rouquidão pós-operatória e alteração da voz. Efeitos colaterais graves e complicações, como distúrbios temporários de deglutição, são raros. Ao reduzir a intensidade ou a frequência da estimulação, ou a amplitude do impulso, os efeitos colaterais associados podem ser mitigados ou até resolvidos. Outra pequena intervenção cirúrgica pode ser necessária para substituir os cabos danificados ou a bateria (vida útil de três a oito anos).

Critérios para estimulação do nervo vago

Quando essa terapia deve ser considerada? Os autores especificam os seguintes critérios:

  • resposta insuficiente a pelo menos dois antidepressivos de diferentes classes farmacológicas (idealmente, incluindo um tricíclico) em dose e duração suficientes, bem como a dois agentes de potencialização (p. ex.: lítio e quetiapina) em combinação com psicoterapia, de acordo com as diretrizes;

  • efeitos colaterais intoleráveis associados à farmacoterapia ou contraindicação de farmacoterapia;

  • para pacientes que respondem à eletroconvulsoterapia, a ocorrência de recidivas ou sintomas residuais após a interrupção da eletroconvulsoterapia (manutenção), efeitos colaterais intoleráveis dessa modalidade de tratamento ou a necessidade de eletroconvulsoterapia de manutenção; e

  • história de diversas ou longas internações hospitalares devido à depressão.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Univadis Alemanha – Medscape Professional Network.

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