Quais os melhores antioxidantes para prevenir a demência relacionada à idade?

Megan Brooks

Notificação

12 de maio de 2022

Níveis mais altos de antioxidantes carotenoides específicos no sangue podem ajudar a proteger contra a demência relacionada à idade, sugere nova pesquisa.

Os pesquisadores descobriram que indivíduos com níveis séricos mais altos de luteína + zeaxantina e beta-criptoxantina no início do estudo tiveram menos probabilidade de ter demência décadas depois do que seus pares com níveis mais baixos desses antioxidantes.

A luteína e a zeaxantina são encontradas em vegetais de folhas verdes, como couve, espinafre, brócolis e ervilhas. A beta-criptoxantina é encontrada em frutas como laranja, mamão, tangerina e caqui.

“Os antioxidantes podem ajudar a proteger o cérebro do estresse oxidativo, que pode causar danos às células”, disse a primeira autora Dra. May A. Beydoun, Ph.D., do National Institute on Aging (NIA) dos Estados Unidos, em um comunicado à imprensa.

“Este é o primeiro estudo nacionalmente representativo a analisar os níveis séricos de antioxidantes em relação ao risco de demência”, disse ao Medscape o médico e diretor científico do NIA, Dr. Luigi Ferrucci.

“Os resultados dos exames de sangue podem ser mais representativos do nível real de antioxidantes do que o relato de uma pessoa sobre que tipo de alimentos ela consome regularmente”, acrescentou o Dr. Luigi.

O estudo foi publicado on-line em 05 de maio no periódico Neurology.

Risco reduzido de demência

Os pesquisadores testaram as associações e interações das vitaminas A, C e E no sangue, bem como de níveis séricos totais e individuais de carotenoides e interações com a doença de Alzheimer incidente e demência por todas as causas.

Os pesquisadores analisaram dados de 7.283 participantes do estudo Third National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES III) que tinham pelo menos 45 anos de idade no início do estudo e foram acompanhados, em média, por 16 a 17 anos.

Os pesquisadores constataram que os níveis séricos de luteína + zeaxantina estavam associados à redução do risco de demência por todas as causas entre pessoas com 65 anos ou mais em modelos ajustados por estilo de vida.

Para luteína + zeaxantina, cada aumento de desvio padrão (aproximadamente 15,4 µmol/litro) foi associado a uma diminuição de 7% no risco de demência (razão de risco [RR] de 0,93; intervalo de confiança [IC] 95% de 0,87 a 0,99, P = 0,037). Essa associação foi um pouco atenuada após o ajuste por condição socioeconômica.

Os níveis séricos de beta-criptoxantina mostraram uma relação inversa “forte” com demência por todas as causas em modelos ajustados por idade e sexo.

Para beta-criptoxantina, cada aumento de desvio padrão (aproximadamente 8,6 µmol/litro) foi associado a uma redução de 14% no risco de demência em pessoas com 45 anos ou mais (RR de 0,86; IC 95% de 0,80 a 0,93, P < 0,001) e 65 anos ou mais (RR de 0,86; IC 95% de 0,80 a 0,93, P = 0,001).

Essa relação permaneceu forte nos modelos ajustados por fatores sociodemográficos e socioeconômicos, mas foi atenuada nos modelos subsequentes.

Não foi observada associação para licopeno, alfa-caroteno, betacaroteno e vitaminas A, C ou E nos modelos totalmente ajustados.

Interações antagônicas foram observadas para vitamina A e alfa-caroteno, vitamina A e betacaroteno, vitamina E e licopeno, e licopeno e betacaroteno, sugerindo efeitos protetores de um dos antioxidantes em níveis mais baixos que o outro, observaram os pesquisadores.

“Esta análise de um estudo observacional descobriu que os carotenoides mais importantes na potencial proteção do cérebro podem ser luteína + zeaxantina e beta-criptoxantina. No entanto, são necessários ensaios clínicos randomizados controlados para provar a causalidade”, explicou o Dr. Luidi.

“Os especialistas ainda não sabem a quantidade diária de antioxidantes que deve ser consumida para promover o envelhecimento saudável do cérebro. São necessárias mais pesquisas para estabelecer o nível necessário de ingestão de antioxidantes – por meio da dieta e/ou de suplementos – para promover a saúde do cérebro e o envelhecimento saudável”, acrescentou.

Um importante passo adiante

Em um editorial que acompanha o estudo, o Dr. Babak Hooshmand, Ph.D., e a Dra. Miia Kivipelto, Ph.D., médicos do Karolinska Institutet, na Suécia, observaram que, embora a nutrição e os componentes alimentares sejam “possíveis alvos” para a redução do risco de demência, os estudos observacionais já publicados relataram “achados discrepantes”.

Este estudo é “um passo importante rumo à exploração da complexa relação entre antioxidantes e demência, porque leva em consideração fatores que podem influenciar as associações e considera as interações entre diferentes componentes”, escreveram os editorialistas.

Os resultados são “desafiadores”, acrescentaram, porque podem levantar a hipótese de que a inibição do dano oxidativo por antioxidantes pode ter efeitos benéficos na prevenção da demência.

No entanto, os ensaios clínicos de suplementação de antioxidantes foram principalmente “decepcionantes” e uma recente revisão da Cochrane constatou falta de evidências para o uso de suplementos para preservar a função cognitiva ou prevenir a demência, observaram o Dr. Babak e a Dra. Miia.

Os comentaristas acrescentaram que o estudo contribui para a hipótese de que os antioxidantes não agem independentemente uns dos outros ou de outros fatores, como condição socioeconômica e estilo de vida, na mediação do risco de demência.

“É necessário um exame cuidadoso das evidências para entender como os antioxidantes influenciam a complexa fisiopatologia da demência, porque parece ser mais do que aparenta”, concluíram.

A pesquisa recebeu apoio do Intramural Research Program dos National Institutes of Health e do National Institute on Aging, nos Estados Unidos. A Dra. May A. Beydoun, o Dr. Luigi Ferrucci e o Dr. Babak Hooshmand informaram não ter conflitos de interesses. A Dra. Miia Kivipelto atuou em painéis consultivos para as empresas Combinostics, Roche e Biogen.

Neurology. Publicado on-line em 05 de maio de 2022.  Abstract Editorial

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