Reforço da vacina anticovídica para pacientes com câncer: 'rápida resposta imunitária'

Megan Brooks

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12 de maio de 2022

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Novos dados contribuem para esclarecer a duração da resposta imunitária às vacinas anticovídicas e o impacto das doses de reforço destas vacinas em pacientes oncológicos em terapia sistêmica ou que receberam transplante de células-tronco.

Em um estudo transversal com 453 pacientes, os anticorpos anti-SARS-CoV-2 contra o domínio de ligação ao receptor da proteína da espícula (anti-RBD, sigla do inglês spike protein receptor binding domain) atingiram o auge um mês após o recebimento da segunda dose de uma vacina de ácido ribonucleico mensageiro (ARNm), e ficaram estáveis ao longo dos seis meses seguintes.

Digno de destaque, em comparação com o primeiro curso vacinal, os pacientes apresentaram 20 vezes mais anticorpos anti-RBD após a administração da terceira dose do imunizante, o que “indica uma resposta anamnésica rápida das células B de memória”, segundo o Dr. Qamar Khan, oncologista do University of Kansas Medical Center, nos Estados Unidos, e seus colaboradores.

O estudo foi publicado on-line em 21 de abril no periódico JAMA Oncology.

Diante do risco de mau desfecho para pacientes oncológicos em tratamento ou que receberam transplante de células-tronco que são infectados pelo SARS-CoV-2, Dr. Qamar e colaboradores buscaram compreender a duração da resposta imunitária às vacinas anticovídicas nessa população.

Dos 453 pacientes incluídos no estudo, 70% tinham tumores sólidos e 30% tinham neoplasias hematológicas. Pouco mais de 40% estavam em quimioterapia, 16% em imunoterapia, 14% em uso de medicamento oral direcionado, 5% em quimioterapia + imunoterapia e 25% haviam recebido células-tronco.

Em relação ao tipo de vacina, 61% dos participantes receberam a vacina anticovídica composta de ácido ribonucleico mensageiro (ARNm) da Pfizer-BioNTech, 36% receberam a vacina de ARNm da Moderna e 4% receberam a vacina da Janssen/Johnson&Johnson. A média de idade da coorte era de 60,4 anos; 56% eram mulheres.

Antes da vacinação, a média geométrica dos títulos de anticorpos anti-RBD de todos os pacientes era de 1,7; duas semanas após a primeira dose, aumentou para 18,65.

Um mês após a segunda dose de ARNm (ou dois meses após a vacina da Johnson&Johnson), a média geométrica dos títulos de anticorpos anti-RBD chegaram a 470,38, e então caíram para 425,8 três meses após a segunda dose (ou quatro meses, no caso da vacina da Johnson&Johnson). Pacientes do sexo masculino com mais de 65 anos de idade diagnosticados com tumor hematológico maligno tiveram maior probabilidade de apresentar média geométrica dos títulos de anticorpos anti-RBD inferior três meses após a segunda dose do imunizante.

Seis meses após a segunda dose das vacinas de ARNm e sete meses após a da Johnson & Johnson, a média geométrica dos títulos de anticorpos aumentaram para 447,23.

Um mês após a terceira dose, a média geométrica dos títulos de anticorpos anti-RBD subiram para 9.224,85, mais de 20 vezes os valores anteriores.

De acordo com os pesquisadores, cerca de 80% dos pacientes permaneceram acima do limiar de um nível anti-RBD ≥ 100 U/mL em seis meses.

“Apesar de o corte ainda ser arbitrário, um nível de anti-RBD ≥ 100 U/mL foi associado a proteção, e foi usado para avaliar a eficácia da terceira dose de uma vacina de ARNm em um ensaio clínico randomizado de pacientes que receberam transplante de órgão sólido”, escreveram Dr. Qamar e colaboradores.

“Embora sejam necessários mais dados para confirmar esse nível como protetor, se estabelecido, o anti-RBD pode ser usado para priorizar doses de reforço, especialmente em regiões do mundo com poucos recursos vacinais”, concluíram os autores.

O estudo recebeu apoio do University of Kansas Cancer Center e do Investigator Initiated Steering Committee, por um fundo do National Institute of General Medical Sciences dos Estados Unidos e pelo University of Kansas Cancer Center Support Grant do National Cancer Institute dos EUA. O Dr. Qamar informou não ter conflitos de interesses. A declaração de conflitos de interesses dos autores consta no artigo original.

JAMA Oncology. Publicado on-line em 21 de abril de 2022. Texto completo

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