Mulher de 37 anos com vários fibroadenomas

Dra. Kanchan Kaur

Notificação

10 de maio de 2022

Nota da editora: A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste a sua capacidade diagnóstica e terapêutica com o caso deste paciente e as perguntas correspondentes.

Contexto

Uma mulher de 37 anos foi atendida em uma clínica de mastologia com história de vários nódulos mamários há cinco anos. Ela não tinha outras doenças.

A paciente tinha feito excisão cirúrgica de nódulos benignos nas duas mamas em duas ocasiões nos últimos cinco anos. Ela não tinha história familiar de câncer de mama ou câncer de ovário. Teve duas gestações a termo.

Os resultados do exame físico geral e de exames de sangue de rotina não apresentaram nada digno de nota; entretanto, foram observadas manchas pigmentadas na pele. Um exame local revelou mamas nodulares e sensíveis à palpação. Os nódulos maiores nas duas mamas tinham aproximadamente 40 mm. As cicatrizes das cirurgias prévias eram visíveis nas duas mamas.

Uma ultrassonografia revelou numerosos nódulos isoecoicos bem-definidos em ambas as mamas. Os nódulos maiores mediam até 4,0 a 4,5 cm pelo Sistema de Laudos e Registro de Dados de Imagem da Mama (BI-RADS, do inglês Breast Imaging Reporting and Data System, 4A).

Dada a extensa natureza das alterações benignas na mama, era difícil caracterizar os vários nódulos somente por meio da ultrassonografia. Por isso, foi solicitada uma ressonância magnética (RM) da mama com contraste, que revelou extensos tumores bilaterais BI-RADS 3 sugestivos de fibroadenomas (Figura 1).

Foi feita uma biópsia por punção transcutânea com agulha para partes moles (Tru-Cut ®) dos nódulos maiores, que confirmou o diagnóstico de fibroadenoma. A paciente foi orientada a continuar fazendo acompanhamento rigoroso e avaliações clínicas e ultrassonográficas seriadas.

Exame físico e propedêutica

Depois de nove meses, a paciente voltou à clínica de mastologia com inversão do mamilo direito de início recente. Ela não tinha história de secreção mamilar e não havia percebido nenhuma alteração no tamanho dos nódulos mamários bilaterais palpáveis.

Ao exame físico, observou-se retração mamilar à direita e a pele que recobria a mama apresentava aspecto de casca de laranja. Não havia eritema. Linfonodos pequenos e móveis eram palpáveis na axila direita.

A paciente foi orientada a fazer mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética de mamas com contraste. A mamografia mostrou espessamento cutâneo acentuado e várias massas com linfonodos axilares proeminentes do lado direito (Figuras 2 a 5).

A ultrassonografia da mama direita revelou numerosos nódulos iso a hipoecoicos bem-definidos; os maiores mediam de 4,0 cm a 4,5 cm. Os nódulos estavam inalterados com a ultrassonografia anterior. No entanto, foi identificado aumento da vascularização interna, bem como acentuado espessamento do complexo aréolo-mamilar (BI-RADS 4B).

Uma ressonância magnética das mamas com contraste mostrou inúmeras lesões de massa captantes de vários tamanhos nas duas mamas; algumas dessas lesões coalesciam, formando massas maiores (Figura 6). Assim como na ressonância anterior, o nódulo maior no quadrante superior medial da mama direita tinha 3,6 cm × 3,3 cm e o nódulo maior no quadrante superior medial da mama esquerda tinha 3,9 cm × 2,8 cm. Foram observadas umas poucas lesões císticas sem captação de contraste na mama esquerda compatíveis com cistos simples. Era visível um acentuado espessamento cutâneo e alterações edematosas na mama direita, com retração mamilar. Esses achados foram novos em relação aos observados na ressonância magnética com contraste realizada nove meses antes.

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