Lítio em alta: osteoporose, demência e ganho ponderal

Dr. Sivan Mauer

Notificação

5 de maio de 2022

Neste artigo

2. Uso de lítio e ganho ponderal em pessoas com transtorno bipolar

Apesar da eficácia em longo prazo do lítio, existem preocupações quanto ao seu perfil de segurança. Além do índice terapêutico estreito, da necessidade de monitoramento e de alguns efeitos colaterais frequentes (como diarreia, polidipsia e tremor), o perfil de toxicidade do lítio inclui aumento do risco de insuficiência renal, hipotireoidismo, hiperparatireoidismo e ganho ponderal.

O ganho ponderal está entre os efeitos colaterais associados ao lítio mais angustiantes para os pacientes. Em um estudo, apesar de ocupar o terceiro lugar em frequência, este ficou em primeiro lugar na classificação dos efeitos colaterais que mais incomodam os pacientes em uso de lítio, e em segundo entre os efeitos colaterais que levam a descontinuação do medicamento. No entanto, o ganho ponderal permanece como uma das complicações do lítio menos estudadas. Além disso, há uma alta prevalência de ganho ponderal e condições relacionadas ao peso devido a outros medicamentos usados ​​para tratar o transtorno bipolar. Entre estes, síndrome metabólica (cerca de 37%), obesidade (cerca de 21%), diabetes tipo 2 (cerca de 14%) e doença hepática gordurosa não alcoólica (22% a 42%). Essas comorbidades associadas levam a doenças cardiovasculares e maior mortalidade prematura em pacientes com transtorno bipolar. Pessoas com transtorno bipolar que ganham peso corporal e apresentam comorbidades relacionadas também têm pior evolução clínica, mais depressão, comorbidades físicas associadas e maiores taxas de suicídio.

Até o momento, os achados sobre o ganho ponderal induzido pelo lítio são controversos e inconsistentes. De fato, as definições de mudança de peso e a duração da observação diferem entre os estudos, impossibilitando qualquer média simples de ganho ponderal induzido pelo lítio. A partir dos estudos disponíveis, também não está claro se o ganho ponderal se correlaciona com a dose ou os níveis de lítio. Finalmente, os fatores genéticos podem ser muito mais relevantes do que o próprio lítio.

Com o intuito de fornecer informações precisas e baseadas em evidências para pacientes e profissionais da saúde, a fim de respaldar a tomada de decisão, este estudo teve como principal objetivo investigar sistematicamente se o lítio causa mudança de peso e, em caso afirmativo, quantificar a magnitude dessa associação em comparação com comparadores ativos ou placebo. O objetivo secundário foi examinar se a mudança de peso associada ao uso de lítio é moderada pela duração da terapia.

De 1.003 referências selecionadas, 20 estudos foram incluídos na revisão sistemática e nove foram incluídos na metanálise. Em consonância com os estudos incluídos na revisão sistemática, a metanálise revelou que o ganho ponderal com lítio não foi significativo, observando um aumento de 0,462 kg (P = 0,158).

Uma duração mais curta do tratamento foi significativamente associada a maior ganho ponderal. Não houve diferenças significativas quanto ao ganho ponderal com uso de lítio versus placebo. O ganho ponderal foi significativamente menor com lítio do que com comparadores ativos. Este trabalho revela um baixo impacto do lítio na mudança de peso, especialmente em comparação com alguns dos comparadores ativos mais utilizados.

Para lembrar:

Mais um estudo que fornece dados importantes para a prescrição de lítio, mostrando que a droga parece exercer menos influencia em relação ao ganho ponderal do que se pensava. Este resultado é importante principalmente para pacientes do sexo feminino que têm dificuldade de aderir a medicamentos que alterem o peso corporal.

Referência:
Gomes-da-Costa, S. et al. Lithium therapy and weight change in people with bipolar disorder: A systematic review and meta-analysis. Neurosci. Biobehav. Rev. 134, (2022).

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