Temas mais buscados em maio de 2022: Hepatite

Ryan Syrek

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6 de maio de 2022

Ao final de cada semana nós identificamos o tema mais buscado no site do Medscape, procuramos compreender o que motivou a tendência e então compartilhamos um breve resumo sobre o tema acompanhado de um infográfico. Dúvidas ou sugestões? Entre em contato conosco pelo Twitter ou pelo Facebook

Recentemente, um surto mundial de hepatite aguda e grave em crianças ocupou todas as manchetes. Isto deve-se, em parte, ao fato de a causa exata ter permanecido obscura (ver infográfico abaixo). O número crescente de casos, junto com as recomendações atualizadas de vacinação pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e novos achados sobre um sistema de pontuação e tratamento da hepatite alcoólica, resultaram no tema clínico mais buscado da semana.

As crianças atingidas variaram entre 1 mês e 16 anos de idade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Cerca de 10% (17 crianças) precisaram de transplante hepático e pelo menos um óbito foi notificado. No final de abril, os CDC emitiram um aviso de alerta de saúde na Rede de Alerta à Saúde para médicos e autoridades de saúde pública sobre o surto. De outubro de 2021 a fevereiro de 2022, nove casos de hepatite aguda infantil foram identificados no Alabama, prevalência muito acima da esperada. Todas as crianças apresentaram resultados positivos para adenovírus.

Ao considerar as informações disponíveis, o Dr. Francis Perry Wilson, excluiu a hipótese de que o aumento dos casos de hepatite aguda infantil possa ser uma "ilusão de agrupamento". O Dr. Francis acredita que a teoria de o adenovírus ser o agente causador é plausível, indicando o alto número de crianças com hepatite aguda nas quais o vírus foi identificado. O adenovírus já havia sido estabelecido como causa de hepatite aguda, mas a maioria dos casos ocorria em pessoas com comprometimento imunitário. Como o surto atual é um ponto de partida, Dr. Francis sugere que considerar o papel do SARS-CoV-2 seja razoável, talvez em junto com o adenovírus.

No que diz respeito a outras notícias recentes relacionadas com a hepatite, os CDC atualizaram suas orientações sobre quem deve ser vacinado contra a hepatite B. Todos os adultos com idade entre 19 e 59 anos são aconselhados a se vacinar e os adultos com 60 anos ou mais sem fatores de risco conhecidos também podem ser vacinados. O movimento foi feito para controlar o aumento da incidência da doença nos EUA. Nos adultos de 40 a 49 anos, a prevalência de casos aumentou de 1,9 por 100 mil habitantes em 2011 para 2,7 por 100 mil em 2019. Entre os adultos com 50 a 59 anos, a prevalência aumentou de 1,1 para 1,6. Entre os com 19 anos de idade ou mais, apenas 30% referiram ter feito as três doses recomendadas da vacina. A prevalência foi de 40,3% para os adultos dos 19 aos 49 anos e de 19,1% para os adultos com 50 anos ou mais. Mesmo entre adultos com doença hepática crônica, a prevalência de vacinação é de apenas 33%.

Também houve achados recentes em relação à hepatite alcoólica. Um novo sistema de pontuação, o índice de mortalidade por hepatite alcoólica (MIAAH, do inglês Mortality Index for Alcohol-Associated Hepatitis), mostrou-se mais preciso do que outros modelos de previsão do risco de morte em 30 dias para os pacientes com a doença. Comparado com vários modelos prognósticos disponíveis atualmente para avaliação da gravidade da doença, que tinham baixa acurácia (área sob a curva entre 0,71 e 0,77), o novo modelo tem acurácia de 86% na previsão da morte em 30 dias.

No que diz respeito ao tratamento da hepatite alcoólica, um novo estudo confirmou que o transplante hepático precoce melhorou a sobrevida, mas também aumentou a probabilidade de recorrência do alcoolismo. Três grupos de pacientes foram recrutados no estudo: 68 com hepatite alcoólica grave sem resposta ao tratamento clínico e que fizeram transplante hepático precoce; 93 com cirrose alcoólica que fizeram transplante no tempo convencional; e 47 com hepatite alcoólica grave que não eram elegíveis para o transplante precoce. Também foi incluído um grupo de controle histórico de pessoas que não fizeram transplante. O desfecho primário foi a não inferioridade da recidiva do alcoolismo aos dois anos após o transplante. Não foi atingida, pois 34% dos pacientes do grupo do transplante precoce e 25% do grupo do tempo convencional recidivaram. A sobrevida após o transplante em dois anos foi semelhante entre os dois grupos, mas foi maior no grupo do transplante precoce.

Um alarmante surto de hepatite infantil grave em todo o mundo, uma nova estratégia de prevenção e questões sobre hepatite alcoólica fizeram da hepatite o tema mais buscado da semana.

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