Bactéria presente na microbiota intestinal pode auxiliar no tratamento do diabetes tipo 2

Nathalie Barrès

Notificação

26 de abril de 2022

Um artigo publicado no periódico Medicine of Metabolic Diseases foca nos avanços em pesquisas sobre a microbiota intestinal e analisa novas possibilidades para o tratamento de pacientes com diabetes mellitus tipo 2.

Akkermansia muciniphila

Novas tecnologias de análise bacteriana tornaram possível a identificação de todas as bactérias presentes na microbiota intestinal de camundongos obesos e diabéticos tratados ou não com prebióticos (frutooligossacarídeos) e que receberam uma dieta de controle. Foi descoberto que os prebióticos influenciaram em mais de 100 espécies, entre elas uma nova bactéria denominada Akkermansia muciniphila, que pertence a um novo gênero de bactérias que vivem próximas à mucosa intestinal.

Akkermansia muciniphila

Em modelos animais, os níveis de A. muciniphila, uma das bactérias mais abundantes na microbiota intestinal, mostraram-se inversamente correlacionados com o peso corporal, a adiposidade, a glicemia e a permeabilidade intestinal. A administração de A. muciniphila em camundongos que receberam uma dieta rica em gorduras foi associada a um aumento da mucosa intestinal e à restauração da expressão de proteínas da junção de oclusão, peptídeos antimicrobianos e lipídios bioativos com propriedades anti-inflamatórias. A A. muciniphila também foi associada à diminuição da obesidade, de parâmetros inflamatórios, da resistência à insulina e à melhora da tolerância à glicose.

Após a pasteurização, os efeitos dessa bactéria não só foram preservados como também aumentaram.

Efeitos em humanos 

Dados da literatura indicam que a A. muciniphila está reduzida de forma significativa no intestino de indivíduos com sobrepeso, obesidade, pré-diabetes ou diabetes tipo 2, assim como em pessoas com doenças inflamatórias intestinais.

A suplementação oral diária com A. muciniphila viva ou pasteurizada na dose de 1010 bactérias/dia ou mais por 3 meses foi segura e bem tolerada em pacientes com sobrepeso ou obesidade, assim como em indivíduos com resistência à insulina associada a síndrome metabólica. Comparada com o placebo, a A. muciniphila pasteurizada melhorou a sensibilidade à insulina e reduziu os níveis séricos de insulina e os níveis plasmáticos de colesterol total, e foi associada a uma redução da gordura corporal, da circunferência do quadril e do peso (-2,27 kg). Também houve melhora em marcadores séricos de inflamação e disfunção hepática. São necessários mais estudos para avaliar em que medida essa bactéria poderia reduzir ou limitar o uso de medicamentos para o pré-diabetes ou o diabetes tipo 2.

Aprovação na Europa 

Em sua forma pasteurizada, a bactéria foi aprovada pela European Food Safety Agency (EFSA) em setembro de 2021 como ingrediente de um "novo alimento" para administração a humanos sob a forma de suplementos alimentares. Esse passo fundamental abre caminho para pesquisas mais aprofundadas sobre o potencial terapêutico dessa bactéria.

Este conteúdo foi originalmente publicado em francês em Univadis – Medscape Professional Network.

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