Eficácia comparativa das estatinas em pacientes com diabetes

Dr. Fabiano M. Serfaty

Notificação

25 de abril de 2022

Neste artigo

Dr. Fabiano M. Serfaty

Nesta seção o Dr. Fabiano M. Serfaty resume alguns dos principais estudos que se destacaram recentemente na literatura médica na área de Diabetes e Endocrinologia.

1. Associação entre fatores de risco cardiovascular, ativação da medula óssea e aterosclerose precoce

O estudo Bone marrow activation in response to metabolic syndrome and early atherosclerosis, publicado no periódico European Heart Journal, avaliou a associação entre os fatores de risco cardiovascular, a ativação da medula óssea e a aterosclerose subclínica.

A tomografia por emissão de pósitrons com 18F-fluorodesoxiglicose/ressonância magnética (18F-FDG PET-CT/RM) de corpo inteiro foi realizada em 745 indivíduos aparentemente saudáveis (média de idade de 50,5 [46,8 a 53,6] anos, 83,8% homens) da coorte do estudo Progression of Early Subclinical Atherosclerosis (PESA).

A ativação da medula óssea (definida como captação de 18F-FDG pela medula óssea acima do valor mediano máximo de captação padronizado) foi avaliada nas vértebras lombares (L3-L4).

A inflamação sistêmica foi avaliada a partir de biomarcadores circulantes.

A aterosclerose precoce foi avaliada pela atividade metabólica arterial por meio da captação de 18F-FDG em cinco territórios vasculares. A aterosclerose tardia foi avaliada por placas totalmente formadas na ressonância magnética.

Indivíduos com ativação da medula óssea eram na maioria homens (87,6% vs. 80,0%, P = 0,005) e mais frequentemente apresentavam síndrome metabólica (22,2% vs. 6,7%, P < 0,001). A ativação da medula óssea foi significativamente associada a todos os componentes da síndrome metabólica.

A ativação da medula óssea também foi associada ao aumento da hematopoiese, caracterizado por contagens de leucócitos (principalmente neutrófilos e monócitos) e de eritrócitos significativamente elevadas, e a marcadores de inflamação sistêmica, entre eles proteína C-reativa ultrassensível, ferritina, fibrinogênio, P-selectina e molécula de adesão celular vascular 1.

As associações entre a ativação da medula óssea, a síndrome metabólica e o aumento da eritropoiese foram mantidas no subgrupo de participantes sem inflamação sistêmica.

A ocorrência da ativação da medula óssea associada à captação arterial de 18F-FDG demonstrou estar relacionada a um quadro de aterosclerose mais avançada.

Para lembrar:

A captação de 18F-fluorodesoxiglicose pela medula óssea está associada à síndrome metabólica e seus componentes, mesmo na ausência de inflamação sistêmica. A ativação da medula óssea está associada à aterosclerose precoce, caracterizada por alta atividade metabólica arterial.

Os achados deste estudo sugerem que a ativação da medula óssea esteja associada a fatores de risco cardiovascular e seja uma parte fundamental do desenvolvimento precoce do processo de aterosclerose.

Referência:
Devesa, A., Lobo-González, M., Martínez-Milla, J., Oliva, B., García-Lunar, I., & Mastrangelo, A. et al. (2022). Bone marrow activation in response to metabolic syndrome and early atherosclerosis. European Heart Journal. doi: 10.1093/eurheartj/ehac102

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