Mulher de 42 anos com deterioração cognitiva e vômitos frequentes

Dr. Prasenjit Das

Notificação

15 de março de 2022

Nota da editora: A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste a sua capacidade diagnóstica e terapêutica com o caso deste paciente e as perguntas correspondentes.

Contexto

Uma mulher de 42 anos é encaminhada ao ambulatório de neurocirurgia com hemicrania à direita de início gradual e caráter constante. Ela também apresenta queixa de vômitos frequentes, repetidos, sem ser “em jato” e sem relação com a ingestão de alimentos, há três ou quatro meses. Além disso, a paciente tem tido deterioração cognitiva neste período, especialmente diminuição do que descreve como "capacidade de pensar".

Há oito anos a paciente fez enucleação do olho esquerdo em outro hospital, cujos detalhes ela não recorda. Não tem mais nada conhecido na história patológica pregressa. Os familiares de primeiro grau também não têm história clínica ou cirúrgica relevante.

Exame físico e propedêutica

Ao exame, a pupila direita é fotorreagente. Não foram encontradas lesões localizadas na fossa orbital esquerda enucleada.

Os parâmetros hematológicos da paciente são os seguintes:

  • Hemoglobina: 9,8 g/dL (referência: de 12,0 a 15,5 g/dL)

  • Leucometria: 15.000 células/mm3 (referência: de 4.500 a 11.000 células/mm3)

  • Plaquetometria: 190 ˣ 103/mm3 (referência: de 150 a 400 × 103/mm3)

  • Velocidade de hemossedimentação (VHS): 36 mm/h (referência: de 1 a 20 mm/h)

As lâminas de sangue periférico não revelam células com alterações morfológicas. Os parâmetros bioquímicos também estão dentro dos limites fisiológicos.

Os sinais vitais da paciente revelam frequência cardíaca de 90 batimentos por minuto (bpm), pressão arterial de 138 ˣ 86 mmHg e frequência respiratória de 18 incursões respiratórias por minuto (irpm). Ela está afebril, seus órgãos abdominais não são palpáveis e a radiografia de tórax não revela indícios de doença aguda.

A ressonância magnética de crânio, sagital ponderada em T1, revela lesão com hiperintensidade de sinal no córtex superficial da região frontal posterior, com edema adjacente (Figura 1).

 

A ressonância magnética de crânio, sagital ponderada em T2, revela lesão com hipointensidade de sinal na região frontal posterior, com edema adjacente que aparece com hiperintensidade de sinal (Figura 2).

 

A lesão é excisada; uma tomografia computadorizada de crânio pós-operatória sem contraste revela ausência de indícios de tumor residual e discreto edema cerebral (Figura 3).

 

Na histopatologia, observa-se um tumor no córtex cerebral infiltrando para os espaços de Virchow-Robbins. É constatada disseminação subpial das células, bem como acentuado pleomorfismo nuclear e nucléolos proeminentes. É detectada atividade mitótica frequente (Figura 4).

 

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