Atualização sobre crianças 'minimamente verbais' com transtorno do espectro do autismo

Dr. Fernando Lyra

Notificação

24 de fevereiro de 2022

Neste artigo

2. Deficiência de vitamina A e associação entre concentrações séricas de retinol e IGF-1 em crianças brasileiras com síndrome de Down

Os autores do artigo Vitamin A deficiency and association between serum retinol and IGF-1 concentrations in Brazilian children with Down syndrome conduziram um estudo de pacientes com síndrome de Down de dois a seis anos de idade com o objetivo de determinar:

  • a prevalência de deficiência de vitamina A;

  • as concentrações de soro de retinol e IGF-1;

  • a correlação entre concentrações de retinol e IGF-1; e

  • comparar as concentrações médias de soro do IGF-1 entre grupos de pacientes com e sem deficiência de vitamina A.

O estudo avaliou 47 crianças com síndrome de Down de dois a seis anos de idade. A dosagem da vitamina A foi determinada pelo teste Relative Dose-Response (RDR) (dosagem do retinol sérico antes e 5 h após a administração de dose única de 600 µg retinil palmitato), pelo IGF-1 e pela dosagem de proteína C reativa (PCR).

Para o estudo, a deficiência de vitamina A foi definida como nível sérico de retinol < 0,70 mmol/L. O IGF-1 foi considerado baixo se estivesse abaixo do percentil 3 para sexo e idade. A proteína C reativa foi considerada alterada se estivesse > 0,5 mg/dL

Os autores avaliaram o estado nutricional das crianças com base no peso e na altura indicados no gráfico para síndrome de Down. A presença de febre e/ou diarreia foi considerada como marcador de inflamação/infecção.

A prevalência de deficiência de vitamina A foi de 25,5% pelo teste RDR; 74,5% das crianças apresentavam deficiência de retinol antes da intervenção.

Foi observada deficiência de IGF-1 em 8,5% das crianças, mas não houve associação entre deficiência de IGF-1 e de vitamina A. A proteína C reativa não foi associada a deficiência de vitamina A. Os autores encontraram uma correlação positiva moderada entre retinol pré-intervenção e IGF-1.

Comentário:

A deficiência de vitamina A ainda é um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo. No Brasil o dado mais recente mostra que a prevalência foi de 6,0% em 2019, segundo dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI).

O teste RDR da resposta relativa à dose baseia-se no Retinol Binding Protein (RBD) acumulado no fígado. Essa ferramenta estima se o estoque hepático de vitamina A está baixo e é mais fidedigna para o diagnóstico de deficiência de vitamina A do que a dosagem isolada de retinol. O teste RDR é menos dispendioso do que o método da diluição do isótopo, que é o padrão-ouro para a avaliação do estoque hepático de vitamina A.

A produção de IGF-1 é influenciada pelo hormônio do crescimento (GH) e pelo estado nutricional. Alguns estudos demonstraram uma correlação positiva entre as concentrações de IGF-1 e retinol.

As infecções diminuem a ingestão e aumentam as perdas corporais de vitamina A mas, por outro lado, a deficiência de vitamina A aumenta a incidência de infecções. Durante processos infecciosos ocorre um aumento de proteínas de fase aguda, como a proteína C reativa.

O trabalho em tela contribui sobremaneira para o estudo da deficiência de vitamina A na faixa etária de maior risco e em crianças com síndrome de Down que apresentam risco adicional de deficiência de vitamina A. Recomendo a leitura do trabalho na íntegra.

Referência:
Ferraz, I., Vieira, D., Ciampo, L., Ued, F., Almeida, A., & Jordão, A. et al. (2022). Vitamin A deficiency and association between serum retinol and IGF-1 concentrations in Brazilian children with Down syndrome. Jornal De Pediatria98(1), 76-83. doi: 10.1016/j.jped.2021.04.003

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