Atualização sobre crianças 'minimamente verbais' com transtorno do espectro do autismo

Dr. Fernando Lyra

Notificação

24 de fevereiro de 2022

Neste artigo

Dr. Fernando Lyra

Nesta seção o Dr. Fernando Lyra comenta estudos divulgados recentemente em publicações de impacto na área da pediatria. Membro do Departamento Científico de Cuidados Domiciliares da Sociedade de Pediatria de São Paulo, o Dr. Fernando também é especialista em administração em saúde (AMB e Sociedade Médica Brasileira de Administração em Saúde).

1. Atualização sobre crianças “minimamente verbais” com transtorno do espectro do autismo

Os autores do artigo de revisão intitulado Atualização sobre crianças “minimamente verbais” com transtorno do espectro do autismo utilizaram o PubMed para realizar uma revisão narrativa com o objetivo de analisar as características de crianças minimamente verbais (MV) com transtorno do espectro autista.

No estudo, é destacada a inexistência de consenso em relação à definição de crianças MV com transtorno do espectro autista, atribuindo grande relevância na busca por uma adequada padronização e definição do quadro por meio de critérios clínicos rigorosos, o que melhoraria sobremaneira a análise comparativa entre diferentes estudos.

Os autores acreditam que crianças devem ser consideradas como sendo MV apenas quando o nível máximo de linguagem corresponder ao nível de palavras isoladas. E o paciente deve ter de cinco a sete anos de idade.

Eles referem que os motivos pelos quais as crianças são MV são desconhecidos, assim como ainda não há marcadores biológicos para a identificação do quadro. Para este fim, os autores defendem que seja feito um esforço de busca de alguma correlação com neuroimagem.

O déficit de linguagem leva essas crianças a apresentarem comportamentos violentos consigo e com os outros, destruição de propriedades, deterioração das habilidades sociais, entre outros problemas de comportamento. Entre as comorbidades psiquiátricas, correlaciona-se com o transtorno do déficit de atenção/hiperatividade, fobias e compulsões.

A viabilização de um canal de comunicação pode inibir a frustação nestas crianças, cortando o circuito gerador de comportamentos desafiadores.

Em relação ao tratamento de crianças minimamente verbais com transtorno do espectro autista, os autores referem que uma intervenção de comunicação alternativa e aumentativa (CAA) pode ser eficaz para a comunicação funcional, criando um canal não verbal de comunicação. Entretanto destacam a existência de poucos estudos baseados em evidências e ao compararem ensaios clínicos randomizados com intervenção verbal pelos pais em casa focada na recreação com outro ensaio que utilizou CAA realizada por professores na escola através do Picture Exchange Comunication System (comunicação via cartões com fotos), nenhum dos métodos demonstrou ganhos sustentados nas habilidades de comunicação verbal ou não verbal.

Comentário:

Trata-se de um trabalho muito rico para a compreensão e abordagem da criança minimamente verbal com transtorno do espectro autista. Recomendo a leitura na íntegra.

Referência:
Posar A, Visconti P. Update about “minimally verbal” children with autism spectrum disorder. Revista Paulista de Pediatria. 2022;40. doi:10.1590/1984-0462/2022/40/2020158

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