Mesmo quadros leves de covid-19 deixam traços nos órgãos

Dra. Linda Fischer

Notificação

25 de janeiro de 2022

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso  Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2  .

Desde meados de 2020, 443 pessoas de 45 a 74 anos que sobreviveram à infeção pelo SARS-CoV-2 com sintomas brandos foram examinadas em detalhes no Epidemiologischen Studienzentrum des UKE como parte do HCH-Studie (HCHS, do alemão estudo sobre a saúde da cidade de Hamburgo). Os dados foram comparados com os dos participantes do estudo HCH que não haviam contraído covid-19. Os resultados do estudo foram publicados no início deste mês como uma das chamadas “publicações sumárias” no prestigiado European Heart Journal.

População do estudo: pessoas com doença leve a moderadamente grave

Os participantes do estudo informaram que não tinham sinais ou sintomas ou que seus sintomas eram leves ou, na pior das hipóteses, moderados no momento da infeção por SARS-CoV-2. Portanto, a grande maioria dos pacientes (93%) foi tratada ambulatorialmente, e nenhum precisou ser admitido à unidade de tratamento intensivo (UTI).

O estudo examinou o sistema cardiovascular e vascular, pulmões, rins e cérebro para determinar função, estrutura e possíveis comprometimentos decorrentes do SARS-CoV-2, em média dez meses após a infeção. A qualidade de vida foi avaliada por meio de questionários. Para comparação, foram selecionados 1.328 participantes por idade, sexo e nível educacional semelhantes ao conjunto de dados do HCHS antes do início da pandemia.

Impacto no pulmão, coração, rim e veias nos membros inferiores

Em comparação direta à população não infectada, as pessoas avaliadas apresentaram sinais de comprometimento de órgãos em médio prazo após sobreviver à infeção pelo SARS-CoV-2. Na prova de função pulmonar, foi documentada redução do volume pulmonar de aproximadamente 3% e discreto aumento da resistência das vias respiratórias entre os participantes. Os exames cardíacos mostraram diminuição média do poder da contratilidade cardíaca entre 1% e 2%, bem como aumento de 41% de uma proteína marcadora sérica que traz informações sobre o esforço cardíaco.

Principal resultado da avaliação: ultrassonografias de membros inferiores mostraram sinais de trombose venosa prévia com duas a três vezes mais frequência. Da mesma forma, a função renal diminuiu cerca de 2% nas pessoas testadas após a infecção pelo SARS-CoV-2.

Não houve efeitos negativos no cérebro nem na qualidade de vida

O exame da estrutura e do desempenho cerebral após a infeção pelo SARS-CoV-2, bem como a qualidade de vida indagada, não apresentaram deterioração em relação ao grupo de controle. Para a detecção precoce e o tratamento específico dessas funções orgânicas potencialmente comprometidas, os autores recomendam uma via diagnóstica simples de rotina.

Resultados significativos com a variante da Ômicron

"A constatação de que até mesmo uma apresentação branda doença pode comprometer vários órgãos em médio prazo é extremamente importante, especialmente no que diz respeito à variante atual Ômicron, que parece apresentar sintomas mais leves na maioria dos casos", disseram o Dr. Raphael Twerenbold, diretor do Centro de Estudos Científicos e Cardiovasculares do Centro Universitário Cardiovascular UKE, e a primeira autora Elina Petersen, epidemiologista do Epidemiologischen Studienzentrum des UKE.

"Os resultados permitem identificar doenças orgânicas secundárias potenciais numa fase precoce e iniciar medidas terapêuticas adequadas", afirmou o Prof. Dr. Stefan Blankenberg, responsável pelo estudo HCH e diretor médico do Centro Universitário Cardiovascular do UKE.

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